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Curva ABC de estoque: como fazer na planilha, com exemplo de dez produtos

Em resumo
A curva ABC ordena os produtos do maior para o menor resultado e os divide em três classes, para concentrar o controle nos itens que sustentam a loja. O ConnectWeek mostra os cinco passos na planilha, um exemplo hipotético com dez produtos e todas as contas, a diferença entre a curva por faturamento e por margem, a rotina sugerida para cada classe e quatro erros comuns.
A curva ABC é uma forma de ordenar os produtos do maior para o menor resultado e dividi-los em três grupos, para que o controle mais rigoroso fique com os itens que sustentam a loja. Um material do Sebrae Paraná sobre a curva ABC resume assim as três classes: na A, poucos produtos e o maior faturamento; na B, volume médio e controle constante; na C, muitos itens e baixo retorno. O mesmo material aponta como erro comum gastar energia no que menos vende. Este guia mostra como montar a curva em uma planilha, com um exemplo de dez produtos e todas as contas, e o que fazer com cada classe. Os números do exemplo são hipotéticos, e os cortes de 80% e 95% usados aqui são uma convenção de trabalho, e não uma regra oficial.
O que é a curva ABC de estoque?
É uma classificação. Cada produto recebe uma letra conforme o peso que tem no resultado da loja em um período. A ideia por trás dela é que os produtos não contribuem por igual, e a planilha mostra, com os números da própria loja, quanto pesa cada um. Na descrição do Sebrae Paraná, a curva serve para direcionar estoque, preço e promoções.
Três decisões vêm antes da planilha, na sugestão do ConnectWeek:
- O critério. Este guia parte do faturamento por produto. Dá para montar a curva também pela margem de contribuição, pela quantidade vendida ou pelo valor parado em estoque, e o resultado pode mudar; o capítulo 4 mostra o caso da margem.
- O período. Doze meses pegam a sazonalidade inteira; três meses mostram o momento. Loja com datas fortes, como Natal e Dia das Mães, deve olhar os dois.
- Os cortes. Este guia usa 80% e 95% do acumulado. O material do Sebrae Paraná não fixa percentuais, e o ConnectWeek não encontrou norma que o faça: são um ponto de partida que cada loja ajusta.
Como montar a curva ABC na planilha?
São cinco passos, feitos a partir do relatório de vendas por produto da plataforma ou do sistema de gestão.
- Liste cada produto (SKU) e o faturamento dele no período escolhido.
- Ordene a lista do maior para o menor faturamento.
- Calcule a participação de cada produto: faturamento do produto dividido pelo faturamento total.
- Calcule a participação acumulada: a do produto somada às de todos os que estão acima dele na lista.
- Classifique: classe A para os produtos com acumulado de até 80%; classe B para os que vêm depois, com acumulado de até 95%; classe C para os restantes.
Na planilha, a classificação do passo 5 cabe em uma função condicional com dois testes sobre a coluna do acumulado: se o valor é menor ou igual a 80%, a letra é A; se não, e é menor ou igual a 95%, é B; nos demais casos, C.
Exemplo com dez produtos
O exemplo é hipotético: uma loja com dez produtos e faturamento de R$ 40.000 em um mês, com valores escolhidos pelo ConnectWeek para a conta ficar fácil de acompanhar.
| Produto | Faturamento | Participação | Acumulado | Classe |
|---|---|---|---|---|
| 1 | R$ 12.000 | 30% | 30% | A |
| 2 | R$ 8.000 | 20% | 50% | A |
| 3 | R$ 6.000 | 15% | 65% | A |
| 4 | R$ 4.000 | 10% | 75% | A |
| 5 | R$ 3.000 | 7,5% | 82,5% | B |
| 6 | R$ 2.500 | 6,25% | 88,75% | B |
| 7 | R$ 2.000 | 5% | 93,75% | B |
| 8 | R$ 1.200 | 3% | 96,75% | C |
| 9 | R$ 800 | 2% | 98,75% | C |
| 10 | R$ 500 | 1,25% | 100% | C |
A leitura do exemplo: os quatro produtos da classe A são 40% do catálogo e somam R$ 30.000, ou 75% do faturamento. Os três da classe B somam R$ 7.500, ou 18,75%. Os três da classe C somam R$ 2.500, ou 6,25%. O produto 5 ficou na classe B porque, com ele, o acumulado passa de 80%; quem preferir incluir na classe A o item que cruza o corte pode fazê-lo, desde que use a mesma regra sempre.
Por faturamento ou por margem?
A curva por faturamento mostra o que mais vende; a curva por margem de contribuição mostra o que mais sobra. As duas nem sempre coincidem. No mesmo exemplo hipotético, suponha estas margens de contribuição por produto:
| Produto | Faturamento | Margem de contribuição | Margem em reais |
|---|---|---|---|
| 1 | R$ 12.000 | 10% | R$ 1.200 |
| 2 | R$ 8.000 | 25% | R$ 2.000 |
| 3 | R$ 6.000 | 30% | R$ 1.800 |
| 4 | R$ 4.000 | 35% | R$ 1.400 |
| 5 | R$ 3.000 | 40% | R$ 1.200 |
| 6 | R$ 2.500 | 20% | R$ 500 |
| 7 | R$ 2.000 | 30% | R$ 600 |
| 8 | R$ 1.200 | 50% | R$ 600 |
| 9 | R$ 800 | 25% | R$ 200 |
| 10 | R$ 500 | 40% | R$ 200 |
A margem total é de R$ 9.700. O produto 1, campeão de faturamento com 30% das vendas, entrega R$ 1.200, ou cerca de 12,4% da margem, e empata com o produto 5, que fatura um quarto do que ele fatura. Ordenada por margem, a lista passa a ser liderada pelo produto 2. Na avaliação do ConnectWeek, a curva por faturamento serve para decidir estoque e reposição, e a curva por margem, para decidir preço, verba de anúncio e promoção; o cálculo da margem por item está em margem de contribuição por SKU.
O que fazer com cada classe
As rotinas abaixo são sugestões do ConnectWeek para uma loja pequena ou média; as frequências são ponto de partida.
| Classe | Risco principal | Rotina sugerida |
|---|---|---|
| A | Faltar produto | Contagem semanal, estoque de segurança, fornecedor reserva e alerta de estoque mínimo |
| B | Passar despercebido | Contagem quinzenal e revisão do preço a cada mudança de custo |
| C | Dinheiro parado | Contagem mensal, compra em lote menor e decisão periódica: manter, montar kit ou liquidar |
A conta da falta de produto mostra por que a classe A vem primeiro. No exemplo, o produto 1 fatura R$ 12.000 em 30 dias, ou R$ 400 por dia; três dias sem estoque são R$ 1.200 de venda que não acontece. O produto 10 fatura R$ 500 no mês, pouco menos de R$ 17 por dia; os mesmos três dias são R$ 50. Em venda que deixa de acontecer, a falta do produto 1 pesa 24 vezes mais que a do produto 10. Em margem de contribuição, com as margens hipotéticas do capítulo 4, são R$ 120 contra R$ 20, ou seis vezes mais. Como dimensionar a compra para uma data de pico está em gestão de estoque na Black Friday.
Na classe C, a pergunta é outra: quanto dinheiro está parado. Um item que vende pouco e ocupa prateleira consome capital que poderia estar na classe A. As saídas são reduzir o lote de compra, vender junto com um produto forte ou liquidar, com a conta do desconto feita antes, como em queima de estoque sem destruir a margem. O efeito no caixa está em capital de giro: como calcular.
Quatro erros comuns
Os quatro erros abaixo são uma avaliação do ConnectWeek, e não um levantamento; o material do Sebrae Paraná cita apenas um erro comum, o de gastar energia no que menos vende.
- Cortar a classe C inteira. Parte dos itens de pouco giro pode existir para completar a compra de quem veio pelo produto forte. Antes de tirar um item, veja em quantos pedidos ele saiu junto com um produto da classe A.
- Classificar produto novo. Item com poucas semanas de venda pode cair na classe C por falta de histórico, e não necessariamente de demanda. Deixe os lançamentos fora da curva até completarem um ciclo de reposição.
- Usar um mês atípico. A curva de dezembro não serve para planejar março. Compare o período curto com o de doze meses.
- Fazer uma vez e arquivar. O catálogo muda. Uma revisão a cada trimestre, e antes de cada data forte, mantém a classificação útil.
Como manter a curva em dia
Marque a revisão no calendário e guarde a planilha de cada rodada: a comparação entre uma curva e a seguinte mostra quem subiu de classe, quem caiu e o que entrou no catálogo. Quando o número de produtos cresce, a classificação pode passar da planilha para o sistema de gestão; o que avaliar na escolha está em ERP para e-commerce. A curva conversa também com os indicadores do mês, reunidos em KPIs de e-commerce, e com o preço: se um produto da classe A tem margem baixa, a calculadora de precificação ajuda a testar um novo valor antes de mexer no anúncio. O passo seguinte, quanto guardar de cada item e quando comprar, está em estoque de segurança e ponto de pedido.
Fonte: Sebrae Paraná — Curva ABC: priorize produtos que geram mais lucro
Perguntas frequentes
O que é curva ABC de estoque?
É uma classificação que ordena os produtos do maior para o menor resultado em um período e os divide em três classes. Um material do Sebrae Paraná resume: na classe A, poucos produtos e o maior faturamento; na B, volume médio e controle constante; na C, muitos itens e baixo retorno.
Como calcular a curva ABC?
Em cinco passos: listar o faturamento de cada produto no período, ordenar do maior para o menor, calcular a participação de cada um no total, somar a participação acumulada e classificar pelos cortes. Neste guia, classe A até 80% do acumulado, B até 95% e C o restante.
Os cortes de 80% e 95% são obrigatórios?
Não. São uma convenção de trabalho usada neste guia, e não uma regra oficial. Cada loja pode ajustar os cortes, desde que mantenha a mesma regra de uma revisão para a outra.
A curva ABC deve ser feita por faturamento ou por margem?
Pelas duas, na avaliação do ConnectWeek: a curva por faturamento ajuda a decidir estoque e reposição, e a curva por margem de contribuição, preço, verba de anúncio e promoção. No exemplo hipotético do artigo, o produto que mais fatura, com 30% das vendas, entrega cerca de 12,4% da margem.
De quanto em quanto tempo refazer a curva ABC?
A sugestão do ConnectWeek é revisar a cada trimestre e antes de cada data forte do calendário, comparando o período curto com o de doze meses.
Devo parar de vender os produtos da classe C?
Não necessariamente. Parte dos itens de pouco giro pode completar a compra de quem veio pelo produto forte. Antes de tirar um item, vale conferir em quantos pedidos ele saiu junto com um produto da classe A; as alternativas são comprar em lote menor, montar kit ou liquidar.





