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Estoque de segurança e ponto de pedido: as fórmulas, um exemplo e quanto custa cada escolha

Em resumo
Estoque de segurança é a reserva para os dias de venda alta ou de atraso do fornecedor; ponto de pedido é o saldo que manda comprar de novo. O ConnectWeek aplica as duas fórmulas a um exemplo hipotético, mostra quanto dinheiro cada critério deixa parado, sugere quanto pedir a cada compra e traz a planilha de oito colunas e a rotina para recalcular.
Estoque de segurança é a quantidade guardada para os dias em que a venda sobe ou o fornecedor atrasa; ponto de pedido é o saldo que, ao ser atingido, manda comprar de novo. As duas contas saem de quatro números que a loja levanta no próprio histórico: a venda média por dia, a maior venda diária, o prazo médio de reposição e o maior prazo. Pela fórmula publicada no blog da Shopify, o estoque de segurança é a maior venda diária multiplicada pelo maior prazo, menos a venda média multiplicada pelo prazo médio; e o ponto de pedido é a venda média multiplicada pelo prazo, mais o estoque de segurança. Este guia aplica as duas fórmulas a um exemplo hipotético, mostra quanto dinheiro cada escolha deixa parado e traz a planilha e a rotina para manter os números em dia.
O que são estoque de segurança e ponto de pedido?
As definições abaixo seguem o artigo da Shopify sobre o tema, publicado em inglês em 23 de novembro de 2023 e lido pelo ConnectWeek em 8 de outubro de 2026, na página que compara estoque de segurança e ponto de pedido:
- Estoque de segurança é o estoque físico extra mantido para reduzir o risco de ruptura, diante de aumento de demanda, de prazos maiores de entrega do fornecedor e de problemas na cadeia de suprimentos. A mesma página avisa que ele não se confunde com excesso de estoque, que ocupa espaço e traz custo de carregamento e risco de vencimento ou obsolescência.
- Ponto de pedido é o limite de saldo em que um novo pedido precisa ser feito para evitar a ruptura.
Os dois andam juntos: o estoque de segurança é uma parcela da conta do ponto de pedido. E os dois valem por produto, não para a loja inteira.
Os quatro números de entrada
O artigo da Shopify lista as entradas, que o ConnectWeek resume assim:
- Venda média diária: unidades vendidas no período, divididas pelo número de dias.
- Maior venda diária: o maior número de unidades vendidas em um dia, pelo histórico.
- Prazo médio de reposição: o tempo que o fornecedor leva para atender o pedido somado ao tempo de transporte até a loja.
- Maior prazo de reposição: o pior caso esperado dessa mesma soma.
Três cuidados do ConnectWeek ao levantar os dados. Conte o prazo a partir do dia em que o pedido foi feito, não do dia em que o fornecedor confirmou, e termine no dia em que o produto ficou disponível para venda, já conferido e cadastrado. Tire do histórico os dias em que o produto esteve zerado, porque dia sem estoque derruba a média sem que a procura tenha caído. E separe o período de campanha do período normal: a média de novembro não serve para março.
As duas fórmulas, com exemplo
As fórmulas, traduzidas da página da Shopify:
- Estoque de segurança = (maior venda diária × maior prazo) − (venda média diária × prazo médio)
- Ponto de pedido = (venda média diária × prazo) + estoque de segurança
O exemplo é hipotético, com números escolhidos pelo ConnectWeek. Uma loja vendeu 240 garrafas térmicas em 60 dias, o que dá média de 4 por dia. No melhor dia, vendeu 9. O fornecedor entrega, em média, em 12 dias; no pior caso registrado, levou 18.
- Estoque de segurança: 9 × 18 = 162; 4 × 12 = 48; 162 − 48 = 114 unidades.
- Ponto de pedido, com o prazo médio: 4 × 12 = 48; 48 + 114 = 162 unidades.
Lendo o resultado: quando o saldo cair para 162 garrafas, a loja compra. Em condições normais, ela vende 48 enquanto espera, e a mercadoria chega com 114 em estoque. Se a venda do melhor dia, de 9 garrafas, se repetisse todos os dias e o fornecedor levasse os 18 dias, as 162 acabariam exatamente na chegada (9 × 18 = 162). É para esse cenário extremo que a fórmula dimensiona.
Quanto custa a segurança
A conta continua hipotética. Cada garrafa custa R$ 38 à loja. As 114 unidades de segurança representam R$ 4.332 parados (114 × 38) e cobrem 28,5 dias de venda média (114 dividido por 4). É muito para um produto que chega em 12 dias, e a razão está na entrada: um único dia de pico, multiplicado pelo pior prazo, puxa o resultado para cima.
Uma variação que o ConnectWeek sugere para lojas pequenas, fora da fórmula da Shopify, é trocar o pico de um dia pela média diária da melhor semana. Se a melhor semana do período teve 42 garrafas, a média diária dela é de 6 (42 dividido por 7):
| Critério de pico | Estoque de segurança | Ponto de pedido | Dinheiro parado | Dias de venda cobertos |
|---|---|---|---|---|
| Melhor dia (9 por dia) | 114 | 162 | R$ 4.332 | 28,5 |
| Melhor semana (6 por dia) | 60 | 108 | R$ 2.280 | 15 |
As contas da segunda linha: 6 × 18 = 108; 108 − 48 = 60; 48 + 60 = 108; 60 × 38 = R$ 2.280; 60 dividido por 4 = 15 dias. A diferença entre os critérios, neste exemplo, é de R$ 2.052. O critério mais enxuto aceita mais risco de faltar; o mais folgado custa caixa. Não há resposta única, e a decisão muda conforme o produto: para os itens que sustentam o faturamento, a classe A da curva ABC de estoque, a falta costuma custar mais do que o dinheiro parado; para os itens da classe C, costuma ser o contrário.
Quanto pedir quando o ponto é atingido
O ponto de pedido diz quando comprar, não quanto. Uma regra simples, sugerida pelo ConnectWeek, é definir por quantos dias de venda cada compra deve durar e multiplicar pela venda média. No exemplo, com compras para 30 dias, o pedido é de 120 garrafas (4 × 30). Usando o critério da melhor semana, o ciclo fica assim, se tudo correr na média:
- O saldo chega a 108 e a loja pede 120.
- Em 12 dias, vende 48; o saldo cai para 60, que é o estoque de segurança.
- O pedido chega e o saldo sobe para 180 (60 + 120).
- Em 18 dias, vende 72 e o saldo volta a 108: novo pedido.
Dois limites ajustam essa quantidade: o pedido mínimo do fornecedor e o caixa. Se o mínimo for de 200 unidades, cada compra passa a cobrir 50 dias (200 dividido por 4), e vale refazer a conta do dinheiro parado antes de aceitar. Em produto importado, o prazo longo pesa nas duas fórmulas; o roteiro de quem compra de fora está em como importar produtos da China para revender.
Como montar na planilha
Uma linha por produto e oito colunas resolvem. O exemplo da tabela usa o critério da melhor semana, com pico de 6 por dia:
| Coluna | Conteúdo | Exemplo |
|---|---|---|
| A | Produto | Garrafa térmica |
| B | Venda média diária | 4 |
| C | Venda diária de pico | 6 |
| D | Prazo médio, em dias | 12 |
| E | Maior prazo, em dias | 18 |
| F | Estoque de segurança: =(C2*E2)-(B2*D2) | 60 |
| G | Ponto de pedido: =(B2*D2)+F2 | 108 |
| H | Saldo atual, digitado ou importado | 95 |
Uma nona coluna, com =SE(H2<=G2;1;0), marca com 1 os produtos que chegaram ao ponto de pedido e transforma a planilha em lista de compras: no exemplo, com saldo de 95 e ponto de pedido de 108, o resultado é 1, isto é, comprar. Quem usa plataforma com relatório próprio pode conferir a conta por ele; a Shopify informa, na mesma página das fórmulas, que o seu relatório de estoque baixo calcula pontos de pedido automaticamente, a partir do prazo e da venda diária de cada variante.
Quando recalcular
A rotina abaixo é sugestão do ConnectWeek, não da página da Shopify:
- Todo mês, para os produtos da classe A; a cada trimestre, para os demais.
- Antes de uma data de pico. Use a venda da mesma data no ano anterior como venda média do período e o prazo que o fornecedor confirmar para aquelas semanas. A preparação completa está em Black Friday 2026: checklist técnico.
- Quando o fornecedor muda de prazo, de transportadora ou de pedido mínimo.
- Depois de uma ruptura. Anote o que aconteceu: pico de venda, atraso ou erro de saldo. Erro de saldo não se resolve com mais estoque de segurança, e sim com inventário.
- Quando o produto esfria. Item que perdeu giro com estoque de segurança antigo vira encalhe; o que fazer com ele está em queima de estoque: como calcular o desconto.
O sinal de que a régua está boa, na avaliação do ConnectWeek, é o saldo encostar no estoque de segurança algumas vezes por ano sem zerar. Se ele nunca chega perto, há dinheiro parado; se zera com frequência, o pico ou o prazo usados na conta estão otimistas.
Fonte: Shopify — Safety Stock vs Reorder Point: Differences & Formulas
Perguntas frequentes
Qual é a fórmula do estoque de segurança?
Pela fórmula publicada no blog da Shopify, o estoque de segurança é a maior venda diária multiplicada pelo maior prazo de reposição, menos a venda média diária multiplicada pelo prazo médio. No exemplo hipotético do artigo, 9 × 18 menos 4 × 12 dá 114 unidades.
Como calcular o ponto de pedido?
Pela fórmula publicada no blog da Shopify, o ponto de pedido é a venda média diária multiplicada pelo prazo de reposição, mais o estoque de segurança. No exemplo hipotético do artigo, 4 × 12 mais 114 dá 162 unidades: quando o saldo chega a esse número, a loja compra.
Qual é a diferença entre estoque de segurança e ponto de pedido?
O estoque de segurança é uma quantidade de reserva, para os dias de venda acima do normal ou de atraso do fornecedor. O ponto de pedido é o saldo que dispara a compra, e a conta dele inclui o estoque de segurança.
Estoque de segurança alto é sempre melhor?
Não. Ele reduz o risco de faltar produto, mas deixa dinheiro parado. No exemplo hipotético do artigo, 114 unidades a R$ 38 somam R$ 4.332 e cobrem 28,5 dias de venda; com um critério de pico mais moderado, a reserva cai para 60 unidades e R$ 2.280.
O ponto de pedido diz quanto comprar?
Não. Ele diz quando comprar. Para a quantidade, uma regra simples sugerida pelo ConnectWeek é multiplicar a venda média diária pelo número de dias que cada compra deve cobrir, respeitando o pedido mínimo do fornecedor e o caixa da loja.
De quanto em quanto tempo recalcular o ponto de pedido?
Na sugestão do ConnectWeek, todo mês para os produtos que mais faturam e a cada trimestre para os demais, além de antes de datas de pico, quando o fornecedor muda de prazo e depois de uma ruptura.





