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E-commerce de móveis: frete pesado, limites dos Correios, avaria e devolução na ponta do lápis

Em resumo
Vender móveis online exige decidir por onde enviar, como cobrar um frete que costuma levar em conta o volume e o que fazer na avaria e na desistência. O ConnectWeek traz o teste das medidas contra os limites do pacote no SEDEX e no PAC (100 cm, soma de 200 cm e 30 kg), a conta do peso cubado montado e desmontado, o que a página do produto deve informar e os roteiros de avaria e devolução, com exemplos hipotéticos.
Vender móveis pela internet depende de três decisões tomadas antes do primeiro pedido: por onde enviar, como cobrar um frete que costuma levar em conta o volume e o que fazer quando a peça chega avariada ou o cliente desiste. O ponto de partida é saber se o produto embalado cabe nos Correios: segundo a página de encomendas nacionais dos Correios, o pacote, no SEDEX e no PAC, tem maior dimensão de 100 cm, soma máxima das três dimensões de 200 cm e peso de 30 kg. O que passa disso depende de modalidade dos Correios exclusiva para clientes com contrato ou vai por transportadora. Este guia traz o teste das medidas, a conta do peso cubado, o que a página do produto precisa informar e os roteiros de avaria e de devolução. Os exemplos numéricos são hipotéticos e estão marcados como tal.
O móvel cabe nos Correios?
Os limites abaixo são os da página Envios pelos Correios: Encomendas, consultada em 8 de outubro de 2026, para o formato pacote nos serviços SEDEX e PAC. A mesma página cita, apenas para clientes com contrato, a modalidade Grandes Formatos, para dimensões acima do padrão, e, no PAC, 50 kg em âmbito estadual, mediante viabilidade operacional; para o SEDEX Hoje, o limite de peso informado é de 10 kg. Meça o produto já embalado, e não a peça montada.
| Limite do pacote | Valor na página dos Correios |
|---|---|
| Maior dimensão (comprimento, largura ou altura) | 100 cm |
| Soma máxima das três dimensões | 200 cm |
| Peso | 30 kg |
Dois exemplos hipotéticos do ConnectWeek mostram o teste. Uma prateleira desmontada, em caixa de 90 × 30 × 8 cm e 12 kg, passa nos três limites: a maior dimensão é 90 cm, a soma é 128 cm e o peso fica abaixo de 30 kg. Uma cabeceira de cama em caixa de 160 × 60 × 10 cm e 18 kg não passa, porque a maior dimensão supera 100 cm e a soma chega a 230 cm, embora o peso esteja dentro do limite. No segundo caso, a saída é transportadora, entrega própria ou, para quem tem contrato com os Correios, consultar a modalidade Grandes Formatos.
Na avaliação do ConnectWeek, esse teste deve ser feito ainda na escolha do catálogo: o produto que cabe nos limites pode ser cotado em mais de um serviço, e o que não cabe depende de contrato, com os Correios ou com transportadora, com prazo e regras próprios.
Por que o frete de móvel é tão alto?
Porque o transporte pode cobrar pelo espaço que a caixa ocupa, e não só pelo peso. A mesma página dos Correios informa, nas descrições do SEDEX 10 e do SEDEX 12, que os preços variam por peso, dimensões e CEPs de origem e destino, com aplicação de precificação cúbica. Para o SEDEX e o PAC, a página diz que o valor varia conforme o peso e as localidades de origem e destino e remete à simulação no portal. A fórmula e as regras de cada serviço estão em peso cubado: fórmula, exemplos e como reduzir.
O exemplo a seguir é hipotético e usa o divisor 6.000, o mesmo dos exemplos do artigo sobre peso cubado. A página dos Correios consultada não informa divisor; cada transportadora informa o seu, e é ele que vale no contrato. Uma mesa lateral de 15 kg pode ser enviada de duas formas:
| Embalagem (exemplo hipotético) | Volume | Peso cubado (volume ÷ 6.000) | Peso cobrado |
|---|---|---|---|
| Montada, em caixa de 60 × 60 × 55 cm | 198.000 cm³ | 33 kg | 33 kg |
| Desmontada, em caixa de 80 × 60 × 12 cm | 57.600 cm³ | 9,6 kg | 15 kg (o peso real, que é maior) |
No exemplo, desmontar o produto reduz o peso cobrado de 33 kg para 15 kg, menos da metade. É por isso que, na avaliação do ConnectWeek, a decisão de vender o móvel desmontado é tanto de frete quanto de produto. O custo do material que protege a peça entra na mesma conta e está em embalagem para e-commerce: como escolher e quanto ela pesa no frete.
Quanto do frete cabe no preço?
Como o frete de um móvel costuma levar em conta o volume, ele pode representar uma parte grande do pedido, e a loja precisa decidir quem paga. Os números abaixo são hipotéticos, criados pelo ConnectWeek para mostrar o método:
- móvel vendido a R$ 600, com margem de contribuição de R$ 180 antes do frete;
- frete cotado em R$ 120, o que equivale a 20% do preço (R$ 120 ÷ R$ 600);
- se a loja absorve o frete inteiro, a margem cai para R$ 60 (R$ 180 − R$ 120);
- se divide com o cliente e cobra R$ 60, a margem fica em R$ 120.
Com frete desse tamanho, a regra de frete grátis precisa de conta própria, por região: o método está em frete grátis: a conta que mostra a partir de que ticket ele se paga, e a margem por canal sai da calculadora de precificação.
O que a página do produto precisa informar?
O Decreto nº 7.962, de 2013, conferido também na Câmara dos Deputados, manda o site exibir, em local de destaque, as características essenciais do produto, as despesas adicionais, como as de entrega, e as condições da oferta, incluído o prazo de entrega (art. 2º, III, IV e V). Para móveis, o ConnectWeek sugere traduzir essas exigências em sete informações:
- medidas do móvel montado e da caixa;
- peso do volume e número de volumes;
- se o produto vai montado ou desmontado;
- se a montagem está incluída, é contratada à parte ou fica com o cliente, e quais ferramentas são necessárias;
- prazo de entrega, separado do prazo de fabricação quando o móvel é feito sob encomenda;
- até onde vai a entrega: portaria, térreo ou dentro do imóvel, e o que acontece se o móvel não passar pela porta ou pelo elevador;
- valor do frete antes do fechamento do pedido.
As quatro primeiras e a sexta são recomendação do ConnectWeek para reduzir devolução por surpresa; o decreto citado não desce a esse detalhe. Na quinta e na sétima, o decreto exige o prazo de entrega e a discriminação das despesas de entrega; separar o prazo de fabricação e mostrar o frete antes do fechamento é a forma que o ConnectWeek sugere para cumprir. As demais obrigações de exibição estão em Decreto 7.962: o que a loja virtual é obrigada a exibir.
O móvel chegou avariado: o que fazer?
O Código de Defesa do Consumidor, igual no texto da Câmara dos Deputados, dá ao consumidor 90 dias para reclamar de vício aparente em produto durável, contados da entrega efetiva (art. 26, II e § 1º). Se o vício não for sanado no prazo máximo de 30 dias, que as partes podem ajustar entre 7 e 180 dias (art. 18, § 2º), ele pode escolher entre a substituição do produto, a devolução do valor pago, atualizado, e o abatimento do preço (art. 18, § 1º). O texto do art. 26 não condiciona esse prazo à anotação da avaria no ato do recebimento.
O roteiro abaixo é sugestão do ConnectWeek para a loja resolver rápido e documentar o caso perante a transportadora:
- Antes do envio: fotografe a peça e a caixa fechada, com o número do pedido.
- Na entrega: oriente o cliente, na confirmação do pedido, a conferir a embalagem e a registrar no comprovante qualquer sinal de dano. É orientação: o art. 26 do Código não traz essa anotação como condição para a reclamação.
- No aviso de avaria: peça fotos da caixa, da etiqueta e do dano, e responda no mesmo dia com as opções.
- Na solução: quando o dano é em uma peça, enviar só a parte danificada costuma custar menos que recolher o móvel inteiro. Se o vício não for sanado em até 30 dias, a escolha entre a substituição do produto, a devolução do valor e o abatimento do preço é do cliente (CDC, art. 18, § 1º). O § 3º do mesmo artigo prevê o uso imediato dessas alternativas em situações específicas, o que pede orientação de um advogado no caso concreto.
- Depois: abra a reclamação na transportadora dentro do prazo do contrato e anote o caso em uma planilha, por produto e por rota.
A diferença entre a garantia da lei e a do fabricante está em garantia legal e garantia contratual.
E quando o cliente desiste da compra?
O artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor dá sete dias para o consumidor desistir da compra feita fora do estabelecimento comercial, contados do recebimento, com devolução imediata e atualizada dos valores pagos. O texto do artigo não faz distinção por tamanho, peso ou tipo de produto. Como o tratamento do móvel feito sob medida não está escrito no artigo, esse caso pede orientação de um advogado.
Para a loja, o ponto é o custo: recolher um volume grande pode custar tanto quanto a entrega. No exemplo hipotético do capítulo 3, uma desistência custaria o frete de ida, de R$ 120, mais a coleta, suposta em outros R$ 120, ou R$ 240 em um pedido de R$ 600. Na avaliação do ConnectWeek, reduzir a desistência por surpresa, com as informações do capítulo 4, tende a sair mais barato do que negociar depois. A rotina completa está em direito de arrependimento: como cumprir os 7 dias, e a conta, em devolução no e-commerce: quanto ela custa e como reduzir.
Cinco erros comuns de quem começa a vender móveis
- Cotar o frete pelo peso da peça. A cobrança pode considerar o volume da caixa, conforme a regra de cada serviço.
- Medir o móvel montado. O que se mede para os limites e para o frete é o volume postado, isto é, o produto embalado.
- Prometer o prazo da transportadora sem somar o de fabricação. Informe na oferta o prazo total, somando fabricação e entrega.
- Não dizer até onde vai a entrega. A discussão sobre subir escadas acontece na porta do cliente, com o caminhão esperando.
- Tratar toda avaria como devolução do móvel inteiro. Ter peças de reposição em estoque muda o custo do pós-venda.
Comece por aqui Novo no assunto? Leia primeiro o que é e-commerce, o texto-base desta cobertura.
Fonte: Correios — Envios pelos Correios: Encomendas
Perguntas frequentes
Dá para enviar móveis pelos Correios?
Só os que cabem nos limites do formato pacote. Segundo a página de encomendas nacionais dos Correios, consultada em 8 de outubro de 2026, no SEDEX e no PAC a maior dimensão é de 100 cm, a soma máxima das três dimensões é de 200 cm e o peso é de 30 kg. Meça o produto embalado. O que passa disso depende de modalidade exclusiva para clientes com contrato com os Correios, de transportadora ou de entrega própria.
Por que o frete de móveis é tão caro?
Porque o transporte pode cobrar pelo espaço que a caixa ocupa, e não só pelo peso. A página dos Correios informa, para o SEDEX 10 e o SEDEX 12, que os preços variam por peso, dimensões e CEPs, com precificação cúbica. No exemplo hipotético do ConnectWeek, com divisor 6.000, uma mesa de 15 kg enviada montada é cobrada como 33 kg; desmontada, como 15 kg.
O que a página de um móvel precisa informar?
O Decreto nº 7.962 manda exibir as características essenciais do produto, as despesas de entrega e o prazo (art. 2º, III, IV e V). O ConnectWeek sugere detalhar medidas montado e embalado, peso e número de volumes, se vai desmontado, quem faz a montagem, prazo de fabricação e de entrega, até onde vai a entrega e o valor do frete antes do fechamento.
O que fazer quando o móvel chega avariado?
Pelo Código de Defesa do Consumidor, o cliente tem 90 dias, contados da entrega, para reclamar de vício aparente em produto durável (art. 26), e, se o vício não for sanado em até 30 dias, pode escolher entre substituição, devolução do valor ou abatimento (art. 18, § 1º). O ConnectWeek sugere pedir fotos, responder no mesmo dia e, quando possível, enviar só a peça danificada.
O cliente pode desistir da compra de um móvel?
O artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor dá sete dias, contados do recebimento, para desistir da compra feita fora do estabelecimento comercial, e o texto não distingue tamanho, peso ou tipo de produto. O tratamento do móvel feito sob medida não está escrito no artigo e pede orientação de um advogado.





