Hoje

ConnectWeek

Portal de NegóciosNotícias, guias, dados e ferramentas.


Números com fonte:

  • E-commerce · faturamentoR$ 235,5 bi▲ +15,3%Fonte: ABComm
  • E-commerce · pedidos438,9 mi▲ +5,8%Fonte: ABComm
  • E-commerce · ticket médioR$ 536,60▲ +8,98%Fonte: ABComm
  • E-commerce · compradores94,2 mi▲ +3,2%Fonte: ABComm
  • Selic · Copom 16/09/202613,75% a.a.4º corte seguidoFonte: Banco Central
  • Startups · fatia das fintechs nos aportes, 1º sem. 202667%62% em 2025Fonte: Sling Hub, via Valor Econômico
  • Empreendedores iniciais · IA como prioridade digital74%× 35% site próprio e e-commerceFonte: GEM 2024/2025, via Sebrae
  • Donos de negócio com 60 anos ou mais16,5%Fonte: PNAD (IBGE), via Sebrae
  • E-commerce · compras pelo celular55,5%× 44,5% desktopFonte: ABComm
  • E-commerce · projeção de faturamento para 2026acima de R$ 258 biFonte: ABComm

E-commerceArtigoDados com fonte declarada

Frete grátis: a conta que mostra a partir de que ticket ele se paga

Frete grátis: a conta que mostra a partir de que ticket ele se paga
Imagem ilustrativa

Em resumo

Frete grátis se paga quando a margem dos pedidos maiores e dos pedidos novos cobre o frete que a loja passa a bancar. O ConnectWeek mostra a fórmula do piso do pedido, uma simulação com 100 pedidos em que a loja vende mais e fica com menos margem, o passo a passo para escolher o valor mínimo e as alternativas ao frete grátis para todo o país.

Frete grátis se paga quando o que ele acrescenta de margem, em pedidos maiores e em pedidos novos, cobre o frete que a loja passa a bancar. A conta tem dois números de partida: a margem de contribuição do pedido antes do frete e o custo médio do envio. Dividir o segundo pelo primeiro dá o valor abaixo do qual o pedido com frete grátis dá prejuízo. Na loja de exemplo deste guia, com frete médio de R$ 22 e margem de 35%, esse piso é de R$ 62,86. O piso ainda não é o valor mínimo da promoção: para chegar a ele, é preciso simular quantos pedidos sobem de valor e quantos já passariam do mínimo de qualquer jeito. Os números são hipotéticos e servem para mostrar o método; troque pelos da sua loja, com apoio da calculadora de precificação.

Quanto custa, de fato, o frete grátis?

O custo é o frete que a loja paga à transportadora multiplicado pelos pedidos que ganham o benefício, inclusive os que seriam feitos de qualquer forma. Esse segundo grupo costuma passar despercebido e, na simulação deste guia, é o que mais pesa: o cliente que já comprava R$ 200 e pagava o frete passa a não pagar, e a loja perde o valor inteiro sem vender um real a mais.

Para fazer a conta, levante três dados dos últimos três meses:

  • Frete médio pago pela loja por pedido, de preferência por região. O método para abrir esse custo está em como controlar custo de frete sem perder conversão.
  • Margem de contribuição antes do frete: o percentual do preço que sobra depois de mercadoria, imposto sobre a venda, tarifa de pagamento e embalagem. O cálculo por produto está em margem de contribuição por SKU.
  • Distribuição dos pedidos por valor: quantos ficam em cada faixa, e não só o ticket médio.

A partir de que valor o pedido aguenta o frete?

A fórmula do piso é uma divisão:

Piso do pedido = frete médio ÷ margem de contribuição antes do frete

Na loja de exemplo, R$ 22 ÷ 0,35 = R$ 62,86. Um pedido de R$ 62,86 deixa R$ 22 de margem, exatamente o que o frete consome. Abaixo disso, cada venda com frete grátis tira dinheiro do caixa. A tabela mostra como o piso muda com os dois números, sempre em exemplos:

Frete médioMargem de 25%Margem de 35%Margem de 45%
R$ 15R$ 60,00R$ 42,86R$ 33,33
R$ 22R$ 88,00R$ 62,86R$ 48,89
R$ 35R$ 140,00R$ 100,00R$ 77,78

O piso só diz onde o pedido para de dar prejuízo. Um pedido no piso tem margem zero, e margem zero não paga aluguel, equipe nem anúncio.

A conta completa, com 100 pedidos

O exemplo a seguir é hipotético. A loja recebe 100 pedidos por mês, e o cliente paga o frete em todos:

  • 80 pedidos com valor médio de R$ 100;
  • 20 pedidos acima de R$ 180, com valor médio de R$ 200.

A receita é de R$ 12.000, o ticket médio é de R$ 120 e a margem de contribuição, a 35%, soma R$ 4.200. A loja decide oferecer frete grátis acima de R$ 179 e supõe que 15 dos 80 pedidos menores vão subir para um valor médio de R$ 190. A conta supõe ainda que o frete cobrado hoje do cliente é igual ao que a loja paga (R$ 22 por pedido), que a margem de 35% vale para todos os pedidos e que o frete não sobe quando o pedido aumenta.

Grupo de pedidosContaMargem
65 pedidos que continuam em R$ 100 e pagam frete65 × R$ 35R$ 2.275,00
15 pedidos que sobem para R$ 190, com frete grátis15 × (R$ 66,50 − R$ 22)R$ 667,50
20 pedidos que já eram de R$ 200, agora com frete grátis20 × (R$ 70 − R$ 22)R$ 960,00
TotalR$ 3.902,50

A loja vendeu mais, R$ 13.350 contra R$ 12.000, e ficou com R$ 297,50 a menos de margem. O motivo está na terceira linha: os 20 pedidos que já passavam do mínimo custaram R$ 440 em frete e não trouxeram nada novo. O aumento de valor dos 15 pedidos rendeu R$ 472,50 de margem adicional, mas o frete deles custou R$ 330.

A promoção passa a valer com pedidos novos. Cada pedido novo de R$ 190 deixa R$ 44,50; para cobrir os R$ 297,50, são necessários 7 pedidos a mais, o que leva a margem a R$ 4.214,00. Em outras palavras: nesse exemplo, o frete grátis acima de R$ 179 se paga se trouxer 7% mais pedidos, além de fazer 15 clientes aumentarem a compra.

Com frete grátis para tudo, a mesma loja teria R$ 4.200 menos R$ 2.200 de frete, ou R$ 2.000 de margem. Cada pedido deixaria em média R$ 20, e seriam necessários 210 pedidos, mais que o dobro, para voltar ao ponto de partida.

Como escolher o valor mínimo

  1. Calcule o piso com o frete médio e a margem. Nenhum mínimo deveria ficar abaixo dele.
  2. Some o piso ao valor do pedido típico. Para que o pedido que sobe de valor pague o próprio frete, o aumento precisa gerar margem igual ao frete. No exemplo, quem comprava R$ 100 precisa chegar a R$ 162,86.
  3. Conte quantos pedidos já passam do mínimo candidato. Multiplique pelo frete médio: esse é o custo sem contrapartida. Quanto mais alto o mínimo, menor esse grupo.
  4. Veja se há produto para completar o carrinho. Um mínimo de R$ 179 numa loja em que nada custa entre R$ 20 e R$ 80 obriga o cliente a levar outro item caro. As táticas estão em upsell e cross-sell.
  5. Simule os três grupos da tabela acima com hipóteses conservadoras e calcule quantos pedidos novos faltam para empatar.
  6. Teste por tempo determinado. O ConnectWeek sugere de quatro a seis semanas como ponto de partida. Compare margem total, e não faturamento.

Alternativas ao frete grátis para todo o Brasil

As regras abaixo são sugestões do ConnectWeek, e não dados de mercado. Teste cada uma com os números da sua loja.

RegraQuando tende a fazer sentidoCuidado
Grátis por regiãoFrete barato perto do estoque e caro para longeCalcular um piso para cada região
Frete fixoCliente desiste ao ver o valor variar no carrinhoO valor fixo precisa cobrir a média ponderada
Grátis só na modalidade econômicaCliente aceita prazo maiorMostrar o prazo antes do pagamento
Frete embutido no preçoProduto leve, de valor altoO preço pode ficar menos competitivo em comparadores de preço
Grátis em kitItens pequenos que dividem a mesma caixaConferir o peso cubado do kit

Reduzir o frete médio também baixa o piso, assim como aumentar a margem. A caixa certa costuma ser um dos caminhos mais curtos: veja embalagem para e-commerce e o peso no frete.

O que convém deixar escrito na oferta?

As condições do frete grátis são anunciadas ao consumidor junto com a oferta. O Decreto nº 7.962, de 2013, que trata do comércio eletrônico, lista no artigo 2º as informações que o site deve disponibilizar em local de destaque e de fácil visualização, entre elas a discriminação, no preço, de despesas adicionais como as de entrega (inciso IV) e as informações claras e ostensivas sobre restrições à fruição da oferta (inciso VI). O artigo 30 do Código de Defesa do Consumidor estabelece que a informação ou publicidade suficientemente precisa obriga o fornecedor que a veicula. Por isso o ConnectWeek recomenda deixar visíveis, no banner e no carrinho, o valor mínimo, as regiões atendidas, a modalidade de entrega e a validade da promoção. Este texto é informativo e não substitui orientação jurídica.

Como acompanhar depois de ligar a promoção

  • Margem de contribuição total do período, depois do frete. É o número que decide.
  • Percentual de pedidos com frete grátis e quanto deles já passava do mínimo antes.
  • Ticket médio e número de itens por pedido.
  • Taxa de conversão do carrinho.
  • Devoluções dos itens acrescentados só para atingir o mínimo.

Se a margem total caiu e o volume não reagiu, suba o mínimo ou restrinja a região antes de desligar. Para saber quantos pedidos a loja precisa no mês com a nova margem, use a calculadora de ponto de equilíbrio.

Comece por aqui Novo no assunto? Leia primeiro o que é e-commerce, o texto-base desta cobertura.

Fonte: Planalto — Decreto nº 7.962/2013 (comércio eletrônico)

Perguntas frequentes

Como calcular se o frete grátis vale a pena?

Compare a margem de contribuição total antes e depois da promoção. O frete grátis custa o frete médio vezes todos os pedidos que ganham o benefício, inclusive os que já seriam feitos. Ele se paga quando o aumento de valor dos pedidos e os pedidos novos geram margem maior que esse custo.

Qual é o valor mínimo para oferecer frete grátis?

O piso é o frete médio dividido pela margem de contribuição antes do frete. No exemplo do artigo, R$ 22 divididos por 0,35 dão R$ 62,86; abaixo disso o pedido dá prejuízo. No método do artigo, o mínimo da promoção fica acima do valor do pedido típico somado ao piso (no exemplo, R$ 100 + R$ 62,86 = R$ 162,86), para que o aumento da compra pague o frete.

Frete grátis aumenta o faturamento e diminui o lucro?

Pode acontecer. Na simulação hipotética do artigo, a loja passa de R$ 12.000 para R$ 13.350 de receita com frete grátis acima de R$ 179 e fica com R$ 297,50 a menos de margem, porque 20 pedidos que já passavam do mínimo deixaram de pagar frete. Nesse exemplo, a promoção volta a se pagar a partir de 7 pedidos novos de R$ 190.

Vale mais a pena dar frete grátis ou embutir o frete no preço?

Depende do produto. Na avaliação do ConnectWeek, embutir o frete tende a funcionar melhor em item leve e de valor alto, mas pode deixar o preço menos competitivo em comparadores. O frete grátis acima de um valor mínimo tende a funcionar quando há produtos para completar o carrinho. Nos dois casos, a decisão se mede pela margem total, e não pelo faturamento.

A loja precisa informar as condições do frete grátis?

O Decreto nº 7.962, de 2013, lista entre as informações que o site deve disponibilizar em local de destaque a discriminação, no preço, de despesas adicionais como as de entrega e as restrições à fruição da oferta, e o artigo 30 do Código de Defesa do Consumidor estabelece que a informação ou publicidade suficientemente precisa obriga o fornecedor que a veicula. Por isso o ConnectWeek recomenda deixar visíveis valor mínimo, regiões, modalidade e validade. Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica.

Continue lendo

Leia também

Ver tudo: Leia também

E-commerceArtigo··8 min

Natal 2026: até quando postar para a encomenda chegar, com a tabela por prazo

Os Correios contam o prazo em dias úteis a partir do dia útil seguinte à postagem, e o Natal de 2026 cai numa sexta-feira. O ConnectWeek aplica a regra oficial ao calendário de dezembro e monta a tabela de data-limite por prazo de entrega, com folga e tempo de preparo, além do roteiro para publicar a data-limite por região.

Por Redação ConnectWeekFonte: Correios — Encomendas nacionais

E-commerceArtigo··10 min

FBA no Brasil vale a pena? A conta por pedido contra enviar por conta própria

No FBA, a Amazon cobra de R$ 5,65 a R$ 6,05 por unidade para itens abaixo de R$ 79 e de R$ 10,05 a R$ 51,35 a partir desse preço, conforme o preço e o peso, para produtos de até 10 quilos, além de armazenagem por metro cúbico. O ConnectWeek faz a conta por pedido em três cenários com as tarifas oficiais, conferidas em 7 de outubro de 2026, e mostra os custos que a tabela não traz.

Por Redação ConnectWeekFonte: Amazon — Fulfillment da Amazon (FBA)

E-commerceArtigo··10 min

Taxas da Amazon em 2026: a comissão de cada categoria e quanto sobra por venda

A Amazon Brasil cobra comissão de 10% a 15% por categoria, R$ 2 por item no plano Individual ou R$ 19 por mês no Profissional, 1,5% no parcelamento sem juros de itens a partir de R$ 40 e tarifa de logística por unidade. O ConnectWeek conferiu as duas tabelas oficiais em 7 de outubro de 2026 e traz a lista por categoria e duas contas de exemplo.

Por Redação ConnectWeekFonte: Amazon — Quanto custa vender na Amazon?

E-commerceArtigo··8 min

Cyber Monday 2026: o que vender em 30 de novembro com o estoque e a audiência que sobraram

A Cyber Monday de 2026 cai em 30 de novembro, três dias depois da Black Friday. Para a loja pequena, é o dia de vender o que sobrou a quem visitou e não comprou. O ConnectWeek mostra como escolher os itens, até onde o desconto pode ir sem zerar a margem, como repescar carrinhos e visitantes, que preço de referência usar e que prazo prometer até o Natal.

Por Redação ConnectWeekFonte: National Retail Federation (NRF) — Winter Holiday FAQs

E-commerceArtigo··6 min

Peso cubado: fórmula, exemplos e como reduzir

Peso cubado é o peso que a transportadora atribui ao espaço que o pacote ocupa: comprimento × largura × altura, em centímetros, dividido pelo fator de cubagem. O ConnectWeek mostra a conta com o fator 6.000, três exemplos resolvidos, o ponto em que o volume passa a mandar no frete, o que Amazon e Correios publicam sobre a regra e cinco formas de reduzir o peso cobrado.

Por Redação ConnectWeekFonte: Amazon Seller Central — Tarifas do Delivery by Amazon

E-commerceArtigo··7 min

Gateway, adquirente e subadquirente: quem é quem e quem cobra o quê

Gateway transporta os dados da compra, adquirente credencia a loja e é credora perante o emissor na liquidação, e subadquirente credencia a loja sem ocupar essa posição de credora. O ConnectWeek mostra o papel de cada um com base nas normas do Banco Central, o caminho da venda no cartão, a lista de tarifas e uma conta hipotética para comparar os dois modelos de contratação.

Por Redação ConnectWeekFonte: Banco Central do Brasil — Resolução BCB nº 80/2021