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Só 15% dos 501 varejistas brasileiros ouvidos em estudo da Visa têm dados de produto que agentes de IA leem

Em resumo
O Índice Global de Compras Digitais 2026, edição Brasil, feito pela PYMNTS Intelligence com a Visa Acceptance Solutions e datado de agosto de 2026, ouviu 2.273 consumidores e 501 comerciantes em março. Do lado de quem compra pela internet, 53% usaram IA na aquisição mais recente. Do lado de quem vende, 21% conseguem saber quando a venda veio de uma plataforma de IA.
O descompasso
De cada cem comerciantes brasileiros ouvidos, 15 dizem ter dados de produto que um agente de inteligência artificial consegue ler, e 21 sabem identificar quando uma venda veio de uma plataforma de IA. Do outro lado do balcão, 53% dos brasileiros que compram pela internet usaram IA em alguma etapa da compra mais recente. Os números são do Índice Global de Compras Digitais 2026, edição Brasil, relatório datado de agosto de 2026 e apresentado no país em 15 de setembro, segundo o E-Commerce Brasil.
O estudo é da PYMNTS Intelligence em colaboração com a Visa Acceptance Solutions, o braço de aceitação de pagamentos da Visa. A pesquisa foi feita em março de 2026 e reúne 2.273 respostas de consumidores e 501 de comerciantes no Brasil. O relatório informa que a PYMNTS tem controle editorial sobre o conteúdo.
Onde o consumidor procura produto
- Google: ainda é o mais usado, mas caiu de 79% dos compradores em 2024 para 63% em 2026;
- ChatGPT: passou de 2% para 32% no mesmo intervalo;
- Instagram: 28%;
- Mercado Livre: 23%;
- Gemini: 22%.
Quem usou IA na última compra também compra com mais frequência: o relatório atribui a esse grupo 38 dias de compras digitais por mês, numa métrica própria do estudo, que soma atividades de compra feitas ao longo do mês, e na qual a média geral é 27.
O que o lojista ainda não fez
O relatório separa os comerciantes por porte. Entre os maiores, 19% têm dados de produto compatíveis com IA e 25% identificam compras que vieram dela. Entre pequenas e médias empresas, os percentuais são 11% e 16%.
A expectativa anda na frente da preparação: 74% dos comerciantes brasileiros ouvidos acham que, em dois anos, ao menos 5% de suas vendas digitais virão de agentes de IA.
O estudo também compara o que o consumidor usa ou usaria com o que a loja oferece. As maiores faltas estão em recursos simples:
- Localizador de produto no celular: 65% dos consumidores querem, 48% dos comerciantes oferecem;
- Cupom digital: 70% contra 53%;
- Código promocional direcionado: 67% contra 53%;
- Frete grátis: 70% contra 60%.
Até onde o cliente deixa a IA ir
Sete em cada dez brasileiros ouvidos dizem que devem recorrer a um agente de compras de IA num prazo de dois anos. A disposição cai conforme a tarefa se aproxima do dinheiro:
- 61% permitiriam que o agente buscasse e comparasse produtos;
- 56% entregariam a gestão de programas de fidelidade e promoções;
- 51% deixariam o agente iniciar uma devolução;
- 34% permitiriam que ele autorizasse pagamentos.
No acesso a dados, 47% preferem autorizar caso a caso, tanto para dados de compra quanto de pagamento, e 11% dariam acesso irrestrito aos dados de pagamento. Outros 28% aceitariam compras feitas pelo agente se pudessem cancelá-las em até 24 horas.
Pagamento ainda decide
Para 65% dos consumidores, saber que a loja aceita o meio de pagamento preferido influencia onde comprar, patamar que o relatório descreve como estável desde 2023. O Pix aparece em cerca de uma em cada quatro compras do levantamento. E 19% relataram cobrança inesperada ou disputa na compra mais recente.
O que fazer com isso
A leitura a seguir é do ConnectWeek. A pesquisa tem como parceira uma empresa de pagamentos e mede declaração, e não comportamento registrado, mas aponta tarefas baratas para a loja pequena:
- Arrumar o cadastro. Título, preço, estoque e prazo corretos e estruturados servem ao buscador, ao marketplace e ao agente. Os campos que os assistentes leem, e como preencher cada um, estão em cadastro de produto para IA; o que muda quando o agente compra pelo cliente está em o que ajustar no catálogo para agentes de IA.
- Medir a origem. Dá para separar no relatório de audiência a visita que chega de assistentes: veja como isolar esse tráfego no GA4.
- Começar pelo básico que falta. Cupom digital e frete grátis aparecem na pesquisa como pedidos do cliente que parte das lojas não atende.
Outro levantamento chegou a conclusão parecida por um caminho técnico: só 11 de 1.954 sites brasileiros analisados estavam prontos para agentes de IA.
Fonte: Visa Acceptance Solutions e PYMNTS Intelligence
Perguntas frequentes
Quantos brasileiros usam IA para comprar pela internet?
No estudo da PYMNTS Intelligence com a Visa Acceptance Solutions, 53% dos brasileiros que compram online disseram ter usado inteligência artificial em alguma etapa da compra mais recente. A pesquisa ouviu 2.273 consumidores no Brasil em março de 2026.
O que significa ter dados de produto legíveis por agentes de IA?
Significa publicar informações de produto, preço e disponibilidade num formato que programas de IA consigam ler e comparar. No estudo, 15% dos 501 comerciantes brasileiros ouvidos disseram ter feito isso; entre pequenas e médias empresas, 11%.
O consumidor brasileiro deixaria um agente de IA pagar por ele?
A minoria. Segundo o relatório, 61% permitiriam que um agente pesquisasse e comparasse produtos, mas só 34% deixariam que ele autorizasse pagamentos. Mesmo assim, 70% dizem que devem recorrer a um agente de compras num prazo de dois anos.
O Google perdeu espaço na busca por produtos?
Segundo o estudo, a parcela dos compradores brasileiros que usam o Google para buscar produtos caiu de 79% em 2024 para 63% em 2026. No mesmo intervalo, o ChatGPT foi de 2% para 32%.





