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VP da Cielo diz que o checkout tende a deixar de ser necessário e que agentes de IA vão fechar compras

Em resumo
No Summit Pagamentos, em 6 de outubro de 2026, o vice-presidente da Cielo Carlos Alves citou a estimativa de até US$ 1 trilhão em comércio global decidido por IA até 2030 e disse que 18% das compras ainda morrem depois do clique em comprar. Token e autorização rastreável são a base do modelo.
Dezoito por cento das vendas param no botão de pagar
O número mais útil para o lojista na palestra de Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, não tem a ver com futuro. Segundo ele, 18% das compras ficam pelo caminho depois que o cliente clica em comprar. A fala ocorreu no Summit Pagamentos, em São Paulo, em 6 de outubro de 2026, e foi relatada pelo E-Commerce Brasil, organizador do evento.
As causas citadas foram três: falta de limite no cartão, dado que não confere e bloqueio por suspeita de fraude. Há um motivo estrutural por trás. Um mesmo pagamento passa por adquirente, bandeira e banco emissor, e cada um aplica o próprio filtro. A saída defendida pelo executivo é a troca de informações entre esses participantes, para reconhecer comportamento malicioso sem derrubar o comprador legítimo.
A tese do executivo: o checkout tende a deixar de ser necessário
A partir desse diagnóstico, Alves projetou o passo seguinte. Na visão dele, o pagamento caminha para virar uma camada invisível dentro da venda, e a inteligência artificial que hoje ajuda a escolher passará a concluir a compra em nome da pessoa.
O desenho descrito tem três peças:
- consentimento do consumidor para que o agente compre por ele;
- token, isto é, um identificador exclusivo, que pode ser rastreado e que vincula o comprador ao cartão ou à conta Pix escolhida;
- registro do mandato, que guarda quem autorizou o quê e permite auditar a operação.
Com isso, a transação se encerra dentro da própria conversa, sem página de pagamento. Segundo o executivo, os primeiros testes no Brasil envolvem Visa e Banco do Brasil, além de um agente próprio da Mastercard.
“O seu próximo cliente pode não ser uma pessoa, pode ser um agente dela.”
— Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo
Os números por trás da aposta
Alves citou uma estimativa de mercado segundo a qual decisões tomadas por IA podem movimentar até US$ 1 trilhão em compras no mundo até 2030. Para mostrar que a mudança de hábito já começou, apresentou dois dados: entre os brasileiros, 76% recorrem à IA para pesquisar antes da compra; na faixa de até 34 anos, 60% já dispensaram o cartão de plástico. A reportagem não detalha a origem dessas estatísticas.
O horizonte mais distante, que ele situa em 2030, é a compra programada. O cliente informa que tipo de item quer, até quanto aceita pagar e até quando, e o robô fecha o pedido assim que surgir uma oferta dentro desses limites.
Pix como trilho
O executivo tratou o Pix como a base brasileira dessa evolução. Desde 2020, o sistema ganhou QR Code dinâmico (no começo só existia o fixo), pagamento sem sair da página da loja, uso por aproximação, cobrança recorrente com o Pix Automático, versões agendada e parcelada e, mais recentemente, tokenização. Ele mencionou ainda que há empresas mantendo fundo de reserva para devolver valores pagos por Pix e que já existe um mecanismo parecido com o estorno do cartão.
O que dá para fazer agora
É a projeção de uma empresa que vende infraestrutura de pagamento, e o prazo pode não se confirmar. A preparação, porém, custa pouco e serve também para o cliente humano:
- medir quanto se perde entre o clique e a aprovação, com o roteiro de pontos de atrito do checkout;
- deixar preço, estoque, frete e política de troca legíveis por máquina, tema do guia sobre agentes de IA que compram pelo cliente;
- revisar o schema de produto, que é o que esses sistemas leem.
Fonte: E-Commerce Brasil
Perguntas frequentes
O que é uma compra agêntica?
É a compra concluída por um agente de inteligência artificial em nome do consumidor, com autorização prévia dele e um token que identifica a pessoa e o meio de pagamento.
Quanto das compras se perde no pagamento, segundo a Cielo?
Carlos Alves, vice-presidente da empresa, afirmou em 6 de outubro de 2026 que 18% das compras não se concluem depois que o cliente clica em comprar.





