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Juro alto é barreira para 59% dos empresários de PMEs, cuja movimentação subiu só 1% em agosto de 2026

Em resumo
O índice da Omie mostra alta real de 1,0% na movimentação financeira das pequenas e médias empresas frente a agosto de 2025 e de 2,9% no acumulado do ano, ritmo abaixo do visto de 2022 a 2024. Comércio subiu 1,3%, indústria 0,8%, serviços 0,2%, e infraestrutura caiu 2,2%.
Cresceu, mas devagar
As pequenas e médias empresas brasileiras movimentaram, em termos reais, 1,0% a mais em agosto de 2026 do que no mesmo mês do ano anterior. No acumulado de janeiro a agosto, o avanço é de 2,9%. Os números são do Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs), noticiado em 23 de setembro de 2026 pelo E-Commerce Brasil.
O indicador acompanha empresas com faturamento de até R$ 50 milhões por ano em cerca de 756 atividades econômicas. A Omie, que vende sistema de gestão, é quem calcula o índice. Segundo a empresa, o ritmo de 2026 está abaixo do registrado de 2022 a 2024.
Quem puxou e quem segurou
- Comércio: alta de 1,3%. Atacado e varejo cresceram, apesar da queda no segmento de veículos.
- Indústria: alta de 0,8%. Papel, alimentos e químicos puxaram, mas 12 dos 23 segmentos da indústria de transformação recuaram.
- Serviços: alta de 0,2%. Saúde, serviços profissionais e técnicos, transporte e educação sustentaram o resultado; alojamento e alimentação, onde há muita micro e pequena empresa, voltou a cair.
- Infraestrutura: queda de 2,2%. A construção civil seguiu pressionando.
O pano de fundo: juro, dívida e confiança
Felipe Beraldi, economista da Omie, afirma que as PMEs têm dificuldade para ampliar o faturamento real desde o segundo trimestre do ano e lista três causas: nível dos juros, endividamento de famílias e empresas e queda da confiança.
Os indicadores de terceiros citados na reportagem confirmam o clima. O Índice de Confiança do Consumidor, da FGV, caiu pelo quarto mês seguido em agosto, perdeu 3,6 pontos e ficou em 84,7, o piso desde novembro de 2022. Já a inflação deu trégua: o IPCA de agosto recuou 0,32%, e o acumulado em 12 meses passou de 4,44% para 4,22%.
Na sondagem que a Omie faz com empresários, 59% apontaram o juro alto como barreira ao crescimento em agosto de 2026, dez pontos acima da medição anterior. E 54% esperam efeito negativo do ambiente econômico sobre o negócio no curto prazo.
“Ainda que a desaceleração da inflação abra algum espaço para novos cortes de juros à frente, o efeito sobre a atividade tende a ser gradual e só deve ser sentido pelas PMEs adiante.”
— Felipe Beraldi, economista da Omie
O que fazer com essa informação
Crescimento real de 1% quer dizer que a empresa média está praticamente parada depois de descontada a inflação. Para quem planeja o fim de ano, três consequências:
- Não projete o Natal com base em 2024. O ritmo é outro, e o consumidor está menos confiante.
- Estoque financiado custa caro. Com a taxa básica em dois dígitos, cada mês de produto parado come margem. A conta está em quanto custa financiar estoque para o fim do ano.
- Eficiência antes de expansão. Em ano de venda fraca, ganhar um ponto de margem rende mais que ganhar um ponto de faturamento.
Os números que vale acompanhar todo mês estão em indicadores econômicos para o dono de loja. A última decisão de juros está na nota sobre o Copom de setembro, e o efeito da dívida das famílias nas vendas, em endividamento e Natal de 2026.
Fonte: E-Commerce Brasil
Perguntas frequentes
Quanto as PMEs cresceram em agosto de 2026?
A movimentação financeira média real subiu 1,0% sobre agosto de 2025, segundo o IODE-PMEs, da Omie. No acumulado de janeiro a agosto, a alta é de 2,9%.
O que o IODE-PMEs mede?
Quanto dinheiro circula em empresas que faturam até R$ 50 milhões por ano, em cerca de 756 atividades de comércio, indústria, infraestrutura e serviços.





