NotíciaAtualizado em 20 de setembro de 20264 min de leitura

Copom leva a Selic a 13,75% e muda a conta de quem adiou investimento

Capa tipográfica do ConnectWeek, em azul-escuro com fio azul, com o título sobre a Selic a 13,75%

O Banco Central cortou a taxa básica para 13,75% ao ano em 16 de setembro. É a quarta redução seguida registrada nos comunicados desde abril. Para a empresa, o efeito não é no crédito de amanhã — é na comparação entre investir e esperar.

O que foi decidido

Na 281ª reunião, em 16 de setembro de 2026, o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,00% para 13,75% ao ano. O comunicado registra que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante.

Olhando a sequência dos comunicados publicados pelo próprio Banco Central, o corte é o quarto seguido: 14,50% em abril (278ª reunião), 14,25% em junho (279ª), 14,00% em agosto (280ª) e agora 13,75%. São 0,75 ponto percentual retirados da taxa básica em cinco meses.

O que o Copom disse sobre o cenário

O comunicado descreve moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, ainda em patamar resiliente, e mercado de trabalho aquecido. A inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram e estão abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, mas ainda acima da meta.

As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus seguem acima da meta: 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027. A projeção do próprio Copom para o primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante da política monetária, é de 3,2% no cenário de referência.

O texto mantém a linguagem de cautela: os riscos para a inflação permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista, e o Comitê afirma que a magnitude total do ciclo será estabelecida à luz de novas informações. Em português corrente: a direção é de queda, o tamanho não está prometido.

O que muda para a empresa

Quase nada no custo do crédito da próxima semana. A Selic é a taxa de referência da economia, não a taxa que o banco cobra da empresa; entre uma e outra há spread, garantia, prazo e risco de crédito, e essa distância se move devagar. Quem esperava sentir 0,25 ponto na próxima renovação de capital de giro vai se decepcionar.

O que muda de fato é a comparação. Com a taxa básica alta, deixar dinheiro aplicado rende o suficiente para tornar quase qualquer projeto interno pouco atraente — o custo de oportunidade vence a discussão antes de ela começar. Cada queda da Selic reduz esse piso e devolve à mesa projetos que estavam engavetados por comparação, não por mérito.

Três decisões voltam a fazer sentido nesse ambiente, em ordem de reversibilidade:

  1. Trocar despesa recorrente por investimento com retorno medido. Automação de processo e substituição de contrato caro pagam-se em meses e não dependem de crédito novo.
  2. Rever a estrutura de dívida. Em ciclo de queda, prazo curto e taxa pós-fixada passam a trabalhar a favor de quem antes travou taxa alta no longo prazo.
  3. Retomar projeto de capacidade adiado. Aqui vale esperar mais confirmação: o próprio comunicado não promete a extensão do ciclo.

O método para colocar isso numa conta que se sustenta — e não em sensação — está no nosso artigo sobre fluxo de caixa de pequena empresa, e o critério de priorização entre projetos concorrentes, na pesquisa sobre prioridades de investimento em PMEs.

O que observar até a próxima reunião

Duas coisas, e nenhuma delas é a Selic em si. A primeira é o comportamento das expectativas de inflação na Focus: é o indicador que o Copom cita com mais insistência e o que mais influencia o ritmo dos próximos cortes. A segunda é o spread bancário para pessoa jurídica no seu porte e setor — é ele que decide se a queda da taxa básica chega ou não ao seu contrato.

Empresa que acompanha só a manchete da Selic reage tarde; empresa que acompanha o spread do próprio segmento sabe antes se o ciclo chegou até ela.

Fonte: Banco Central — Comunicado do Copom, 281ª reunião (16/09/2026)

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