EconomiaNotícia
Copom leva a Selic a 13,75% e muda a conta de quem adiou investimento

Em resumo
O Banco Central cortou a taxa básica para 13,75% ao ano em 16 de setembro. É a quinta redução seguida registrada nos comunicados desde março. Para a empresa, o efeito não é no crédito de amanhã — é na comparação entre investir e esperar.
O que foi decidido
Na 281ª reunião, em 16 de setembro de 2026, o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,00% para 13,75% ao ano. O comunicado registra que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante.
Olhando a sequência dos comunicados publicados pelo próprio Banco Central, o corte é o quinto seguido: 14,75% em março (277ª reunião), 14,50% em abril (278ª), 14,25% em junho (279ª), 14,00% em agosto (280ª) e agora 13,75%. São 1,25 ponto percentual retirados da taxa básica desde março, quando ela estava em 15%.
O que o Copom disse sobre o cenário
O comunicado descreve moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, ainda em patamar resiliente, e mercado de trabalho aquecido. A inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram e estão abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, mas ainda acima da meta.
As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus seguem acima da meta: 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027. A projeção do próprio Copom para o primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante da política monetária, é de 3,2% no cenário de referência.
O texto mantém a linguagem de cautela: os riscos para a inflação permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista, e o Comitê afirma que a magnitude total do ciclo será estabelecida à luz de novas informações. Em português corrente: a direção é de queda, o tamanho não está prometido.
O que muda para a empresa
Quase nada no custo do crédito da próxima semana. A Selic é a taxa de referência da economia, não a taxa que o banco cobra da empresa; entre uma e outra há spread, garantia, prazo e risco de crédito, e essa distância se move devagar. Quem esperava sentir 0,25 ponto na próxima renovação de capital de giro vai se decepcionar.
O que muda de fato é a comparação. Com a taxa básica alta, deixar dinheiro aplicado rende o suficiente para tornar quase qualquer projeto interno pouco atraente — o custo de oportunidade vence a discussão antes de ela começar. Cada queda da Selic reduz esse piso e devolve à mesa projetos que estavam engavetados por comparação, não por mérito.
Três decisões voltam a fazer sentido nesse ambiente, em ordem de reversibilidade:
- Trocar despesa recorrente por investimento com retorno medido. Automação de processo e substituição de contrato caro pagam-se em meses e não dependem de crédito novo.
- Rever a estrutura de dívida. Em ciclo de queda, prazo curto e taxa pós-fixada passam a trabalhar a favor de quem antes travou taxa alta no longo prazo.
- Retomar projeto de capacidade adiado. Aqui vale esperar mais confirmação: o próprio comunicado não promete a extensão do ciclo.
O método para colocar isso numa conta que se sustenta — e não em sensação — está no nosso artigo sobre fluxo de caixa de pequena empresa, e o critério de priorização entre projetos concorrentes, na pesquisa sobre prioridades de investimento em PMEs.
O que observar até a próxima reunião
Duas coisas, e nenhuma delas é a Selic em si. A primeira é o comportamento das expectativas de inflação na Focus: é o indicador que o Copom cita com mais insistência e o que mais influencia o ritmo dos próximos cortes. A segunda é o spread bancário para pessoa jurídica no seu porte e setor — é ele que decide se a queda da taxa básica chega ou não ao seu contrato.
Empresa que acompanha só a manchete da Selic reage tarde; empresa que acompanha o spread do próprio segmento sabe antes se o ciclo chegou até ela.
Para ver o efeito da taxa sobre uma aplicação ou uma dívida da empresa, simule na calculadora de juros compostos.
Veja também: Lei 15.502 dá base permanente ao imposto zero em importado de até US$ 50 e cria deveres para plataformas
Fonte: Banco Central — Comunicado do Copom, 281ª reunião (16/09/2026)
Perguntas frequentes
Qual é a Selic hoje?
13,75% ao ano, definida pelo Copom na 281ª reunião, em 16 de setembro de 2026. A taxa anterior era 14,00%.
A queda da Selic reduz o juro que a minha empresa paga?
Não na mesma proporção e não de imediato. A Selic é a taxa de referência; o custo do crédito para a empresa inclui spread, garantia, prazo e risco, e essa distância se ajusta devagar. O efeito imediato aparece no custo de oportunidade, não no contrato.
Quantos cortes já houve neste ciclo?
Os comunicados publicados pelo Banco Central registram 14,75% em março de 2026, 14,50% em abril, 14,25% em junho, 14,00% em agosto e 13,75% em setembro — cinco reduções seguidas, somando 1,25 ponto percentual.
O Banco Central sinalizou novos cortes?
O comunicado afirma que a magnitude total do ciclo será estabelecida à luz de novas informações e mantém a avaliação de riscos elevados para a inflação, com assimetria altista. Não há promessa de extensão do ciclo.





