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  • E-commerce · projeção de faturamento para 2026acima de R$ 258 biFonte: ABComm

EconomiaArtigoDados com fonte declarada

Selic a 13,75% e o pequeno lojista: quanto custa financiar estoque para o fim de ano

Em resumo

Com a Selic em 13,75% e o capital de giro das empresas a 22,4% ao ano em agosto, segundo o Banco Central, cada mês de mercadoria parada custa cerca de 1,7% do valor comprado. O ConnectWeek faz a conta do juro por real de estoque em 30, 60, 90 e 150 dias e mostra quando vale tomar crédito para comprar o estoque de Black Friday e Natal.

Financiar estoque para o fim de ano custa, na média das empresas, cerca de 1,7% do valor da mercadoria a cada mês em que ela fica parada. A conta parte da taxa média de capital de giro com prazo de até 365 dias, que o Banco Central registrou em 22,4% ao ano em agosto de 2026, mês em que a Selic passou de 14,25% para 14%; em 16 de setembro o Copom a reduziu para 13,75%. Em reais, cada R$ 1.000 de produto comprado com crédito custa R$ 33,78 de juros se vender em 60 dias e R$ 86,61 se encalhar por 150 dias. O empréstimo para estoque vale a pena quando a margem do produto paga esse juro com folga mesmo no cenário em que parte do lote sobra para janeiro.

Por que a Selic menor ainda não barateou o crédito da loja?

A Selic é a taxa básica da economia, a que remunera os títulos públicos e orienta o custo do dinheiro entre os bancos. Ela não é a taxa que o banco cobra da empresa. Entre uma e outra entram o spread bancário, o risco de inadimplência do segmento, a garantia oferecida e o prazo. Na nota de estatísticas monetárias e de crédito de 29 de setembro de 2026, o Banco Central registrou spread médio de 21,2 pontos percentuais nas concessões de agosto, alta de 0,3 ponto no mês.

O corte da Selic para 13,75% em 16 de setembro foi o quinto seguido desde março, segundo os comunicados do Copom: 14,75% em 18 de março, 14,50% em 29 de abril, 14,25% em 17 de junho, 14% em 5 de agosto e 13,75% agora. O repasse ao crédito das empresas vem devagar: em agosto, a taxa média do crédito livre às pessoas jurídicas recuou 1,0 ponto, para 24,2% ao ano, e a do capital de giro de curto prazo caiu para 22,4%. São números de agosto, antes do último corte. Os de setembro estão previstos para a nota do fim de outubro, conforme o calendário do Banco Central.

Para o planejamento do fim de ano, isso significa trabalhar com a taxa que a empresa tem contratada hoje, e não com a expectativa de queda. O Relatório Focus de 28 de setembro de 2026 trazia mediana de 13,50% para a Selic no fim de 2026, o que é projeção de mercado, não compromisso. Mesmo que ela se confirme, o estoque de novembro já terá sido pago com o juro de outubro.

Quanto custa cada real de estoque parado?

A conta mais útil para o lojista não é o juro do contrato inteiro, e sim o juro por real de mercadoria pelo tempo que ela fica na prateleira. Com a taxa média de 22,4% ao ano, juro composto e ano de 365 dias, o custo fica assim:

Tempo até venderJuro sobre o valor financiadoJuro em R$ por R$ 1.000 de estoque
30 dias1,68%R$ 16,75
60 dias3,38%R$ 33,78
90 dias5,11%R$ 51,10
150 dias8,66%R$ 86,61

O cálculo usa a média do mercado. Antes de decidir, troque 22,4% pela taxa efetiva anual que consta do seu contrato, com tarifas e IOF incluídos. O próprio Banco Central mostra o tamanho da diferença entre linhas: em agosto, a média do capital de giro total ficou em 22,9% ao ano, a do desconto de duplicatas e recebíveis em 18,6% e a da antecipação de faturas de cartão em 15,5%, todas nas séries de taxas médias por modalidade das pessoas jurídicas do SGS.

O exemplo de uma compra de R$ 50 mil para o fim de ano

Considere uma loja que compra R$ 50 mil em mercadoria para a Black Friday de 27 de novembro e para o Natal, financiada com capital de giro à taxa média de agosto. Se todo o lote vender em 60 dias, o juro fica em cerca de R$ 1.689. Se o giro levar 90 dias, sobe para R$ 2.555. O valor é administrável para quem tem margem de contribuição de 25% a 35%.

O risco está no que sobra. Se um quarto do lote, R$ 12.500, só vender em março, essa parte carrega 150 dias de juros: mais R$ 1.083 sobre ela, além do que já foi pago no restante. E a mercadoria de fim de ano que sobra em janeiro costuma sair com desconto, o que corta a margem duas vezes, pelo juro e pelo preço.

O efeito por unidade mostra onde o juro começa a doer. Num produto vendido a R$ 100, com custo de compra de R$ 70 e margem de contribuição de R$ 30, o juro de 90 dias sobre os R$ 70 é de R$ 3,58, e a margem cai para R$ 26,42, cerca de 12% a menos. Em 150 dias, o juro chega a R$ 6,06 e a margem a R$ 23,94, com um quinto do ganho consumido sem que nada tenha mudado na venda.

Quando vale tomar crédito para comprar estoque?

Vale quando três condições aparecem juntas. A primeira é giro conhecido: o produto já vendeu no ano passado, ou em datas parecidas, e a loja sabe em quantas semanas costuma sair. A segunda é margem que absorve o pior caso: faça a conta com o prazo de 150 dias para a parte que pode sobrar, e não só com o cenário bom. A terceira é a ausência de alternativa mais barata, como prazo maior do fornecedor ou compra em duas etapas.

Não vale quando o empréstimo cobre um buraco que não é de estoque. Se a loja precisa do dinheiro para pagar despesas do mês, o problema é de margem ou de caixa, e o estoque financiado só adia o aperto para janeiro, quando o juro já correu. Para separar uma coisa da outra, o ConnectWeek mostra como medir a necessidade de caixa da operação no artigo sobre como calcular o capital de giro.

Como reduzir o juro sem deixar de comprar?

  • Negociar prazo com o fornecedor antes do banco. Cada 30 dias de prazo a mais na compra equivalem, na média de agosto, a cerca de 1,7% do valor do pedido que a loja deixa de pagar em juros.
  • Comprar em duas etapas. Um pedido menor em outubro e uma reposição em novembro, depois de ver a venda das primeiras semanas, reduz a parte que pode sobrar. O método de previsão semana a semana está no artigo sobre quanto estoque comprar para a Black Friday.
  • Usar o recebível como garantia. Quem já vende no cartão tem acesso a linhas lastreadas nas vendas futuras, que na média custaram menos que o capital de giro sem garantia. A ressalva é que a antecipação consome o caixa do mês seguinte, e o custo de cada prazo está em quanto custa o parcelado sem juros.
  • Priorizar a curva A. Financie primeiro os itens que respondem pela maior parte da margem e giram rápido. O item de giro lento é o que mais pesa no juro e o que mais sobra.
  • Comparar o custo efetivo, não a taxa nominal. Taxa mensal baixa com tarifa de abertura, seguro embutido e IOF pode sair mais cara que uma taxa nominal maior sem penduricalhos.

Como fazer a conta com a taxa da sua empresa?

Bastam três números: o valor do pedido, a taxa efetiva anual do contrato e o prazo provável de venda de cada grupo de produtos. Transforme a taxa anual em diária, eleve ao número de dias e subtraia um. Com 22,4% ao ano, por exemplo, o fator de 90 dias é 1,224 elevado a 90/365, que dá 1,0511, ou 5,11% de juros. A calculadora de juros compostos do ConnectWeek faz essa conta sem fórmula, e o resultado entra na margem de cada item.

Depois, refaça a conta em dois cenários: o de venda dentro do previsto e o de sobra de 25% do lote por 150 dias. Se a margem que fica no segundo cenário ainda for positiva e maior que a de não comprar, o crédito se justifica. Se não for, o pedido está grande demais para o caixa da empresa, com ou sem Selic em queda.

O que acompanhar até o Natal

Três datas ajudam a recalibrar a compra. A nota de crédito do Banco Central do fim de outubro mostra se as taxas de setembro já refletiram o corte da Selic. A próxima reunião do Copom, que o Banco Central publica no calendário oficial, indica a direção do juro básico para o começo de 2027. E o Focus de cada segunda-feira mostra se o mercado mantém a expectativa de 13,50% no fim do ano. Os números de demanda do crédito das empresas, as linhas disponíveis e os critérios dos bancos estão na reportagem sobre crédito mais caro para as PMEs. Os demais números para acompanhar estão no painel de indicadores econômicos para o dono de loja.

Até lá, a regra prática é simples: financie o estoque que gira, não o estoque que você espera que gire. A diferença entre os dois costuma aparecer em janeiro, na forma de juro sobre mercadoria parada.

Fonte: Banco Central do Brasil — Estatísticas monetárias e de crédito

Perguntas frequentes

Quanto custa financiar estoque com capital de giro em 2026?

Com a taxa média de capital de giro de até 365 dias em 22,4% ao ano, dado do Banco Central para agosto de 2026, cada R$ 1.000 de mercadoria financiada custa cerca de R$ 16,75 em 30 dias, R$ 33,78 em 60 dias e R$ 51,10 em 90 dias. A taxa contratada pela sua empresa pode ser maior ou menor que a média.

A queda da Selic barateia o empréstimo da loja na hora?

Não. A Selic é a taxa básica, e o juro cobrado da empresa soma spread, risco e garantia. Em agosto de 2026, a taxa média do capital de giro de curto prazo estava em 22,4% ao ano. A Selic foi cortada para 14% em 5 de agosto e para 13,75% em 16 de setembro, com vigência a partir do dia seguinte. O repasse dos cortes ao crédito é lento.

Vale a pena pegar empréstimo para comprar estoque de Black Friday?

Vale quando a margem de contribuição do produto cobre com folga o juro do prazo que ele deve ficar parado, inclusive no cenário em que parte do lote sobra para janeiro. Se o produto gira em 60 dias e tem margem de 30%, o juro come pouco; se encalha por cinco meses, o juro pode levar uma fatia relevante da margem.

Qual linha de crédito é mais barata para financiar estoque?

Pelas médias do Banco Central de agosto de 2026, a antecipação de faturas de cartão (15,5% ao ano) e o desconto de duplicatas e recebíveis (18,6%) custaram menos que o capital de giro de curto prazo (22,4%). Elas dependem de ter vendas a receber, por isso servem melhor para repor estoque que já vendeu do que para comprar o primeiro lote.

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