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CNDL/SPC: 36% dos compradores online apostaram em bets em 12 meses, e 43% deles cortaram algum consumo

Em resumo
Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil, publicada pela CNDL entre 8 e 25 de setembro de 2026, ouviu 800 compradores online: 36% fizeram aposta online paga nos 12 meses anteriores. Entre esses apostadores, o gasto médio era de R$ 213 por mês, e 43% já tinham cortado algum gasto para jogar. A coleta, de maio e junho, é anterior à MP 1.394, que proibiu as apostas de quota fixa em 25 de setembro de 2026.
O dado principal
De cada 100 compradores online ouvidos, 36 disseram ter feito alguma aposta esportiva ou jogo de azar online pago nos 12 meses anteriores. O número é de uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), feita com a Offerwise Pesquisas. O comunicado principal é de 25 de setembro de 2026; um primeiro recorte saiu em 8 de setembro.
A coleta ocorreu de 25 de maio a 4 de junho de 2026. É, portanto, anterior à Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026, que proibiu as apostas de quota fixa no país. A pesquisa mostra como estava o orçamento de quem apostava antes da proibição. Para o varejo, o ponto central é este: 43% dos apostadores disseram que já tinham deixado de comprar ou pagar alguma coisa para ter dinheiro para o jogo.
Quem foi ouvido
- Público: adultos de todas as classes econômicas que compraram pela internet nos 12 meses anteriores;
- Amostra: 939 contatos na primeira etapa e 800 questionários completos de compradores online;
- Coleta: pela web, com ponderação por sexo, idade, estado e renda;
- Margem de erro informada: 3,2 pontos percentuais na primeira etapa e 3,5 pontos na segunda, com 95% de confiança.
Os percentuais abaixo sobre hábitos e dívidas valem para os apostadores, ou seja, para os 36% da amostra. O comunicado não informa a margem de erro desse subgrupo.
Quantos são e quanto gastam
As entidades estimam em 50 milhões o total de apostadores, 10,5 milhões a mais do que em 2025. Há uma diferença entre os textos da CNDL: o comunicado principal fala em 50 milhões nas capitais, e dois recortes do mesmo canal, o de 8 de setembro e um publicado em 5 de outubro de 2026, falam em 50 milhões de pessoas no país. Nenhum deles mostra a conta da projeção.
- Gasto médio mensal em 2026: R$ 213 por apostador;
- Em 2025: R$ 187, o que dá R$ 26 a menos. A alta fica perto de 14%;
- Na classe A/B: R$ 314 por mês;
- Frequência: 62% apostavam pelo menos uma vez por semana, e 11%, todos os dias;
- Pagamento: o Pix era o meio usado por 78%.
O que sai do orçamento
Dos apostadores, 43% disseram já ter deixado de lado algum consumo para apostar. Os itens citados no comunicado, com os percentuais que ele traz:
- Internet: 15%;
- Água, luz e telefone: 13%;
- Roupas: 12%;
- Passeios com a família: 12%;
- Refeições fora de casa: 12%.
Outros 23% dos apostadores admitiram ter colocado no jogo um valor que comprometeu a renda ou o equilíbrio das contas.
Contas atrasadas e nome negativado
O comunicado informa que 25% já deixaram de pagar alguma conta para apostar e que 24% já tiveram o nome negativado por gasto com jogo online. O texto chama esse grupo de entrevistados; pelo contexto, a base são os apostadores.
Além disso, 28% dos apostadores recorreram ou pensaram em recorrer a saídas extremas para conseguir dinheiro para jogar:
- Pedir emprestado: 12%;
- Vender bem próprio ou da família sem consentimento: 8%;
- Usar cartão de outra pessoa sem autorização: 8%.
A pesquisa registra ainda que 37% tentaram parar ou jogar menos e não conseguiram.
O que mudou depois da pesquisa
A Medida Provisória nº 1.394 saiu em edição extra do Diário Oficial da União de 25 de setembro de 2026, mesmo dia do comunicado principal da CNDL. O texto, lido no portal do Planalto, determina:
- Proibição: fica vedado explorar, oferecer, intermediar e anunciar apostas de quota fixa, no meio físico ou no virtual, mesmo quando a empresa tem sede no exterior. A regra vale para apostas esportivas e para jogos online; as demais loterias autorizadas por lei ficam de fora;
- Depósitos: desde a publicação, as contas dos apostadores nas plataformas não podem receber dinheiro novo;
- Sites e aplicativos: as operadoras tinham dez dias, contados da publicação, para tirar do ar os canais de aposta, sob pena de bloqueio. Na data deste texto, 8 de outubro de 2026, esse prazo já passou;
- Autorizações: as concedidas com base na Lei nº 14.790, de 2023, acabam 30 dias depois da publicação;
- Pagamentos: bancos, instituições de pagamento e arranjos, inclusive o de pagamento instantâneo, ficam impedidos de processar transações destinadas a essas apostas, conforme regulamento do Banco Central.
O Decreto nº 13.128, de 28 de setembro de 2026, regulamentou o comitê de fiscalização criado pela medida. Medida provisória tem força de lei desde a publicação, mas precisa ser votada pelo Congresso para se tornar lei. Este texto não apurou se todos os sites saíram do ar nem o andamento de eventuais ações na Justiça.
O que as entidades dizem
As falas a seguir estão no comunicado de 25 de setembro e não comentam a medida provisória. José César da Costa, presidente da CNDL, trata o avanço das apostas como problema de saúde pública e pede regras mais duras, campanhas educativas e limites à exposição de jovens. Roque Pellizzaro Júnior, presidente do SPC Brasil, afirma que o dinheiro desviado do consumo e do pagamento de contas reduz o poder de compra das famílias e enfraquece o comércio. As duas entidades representam lojistas e o setor de crédito, e essa é a leitura delas.
Na coleta de maio e junho de 2026, 39% de todos os entrevistados defendiam a proibição total dos jogos online, e 53% preferiam manter as apostas com mais regulação.
O que isso diz a quem vende
A leitura a seguir é do ConnectWeek, não da pesquisa:
- A aposta concorria com a compra. Roupas e refeições fora de casa estavam entre os cortes citados. A pesquisa não mede se esse dinheiro volta ao comércio depois da proibição. O quadro geral das famílias está em endividamento das famílias e o Natal de 2026.
- Cliente negativado tem menos crédito. Na loja, isso aparece como pagamento recusado. Veja como o crédito caro afeta a aprovação no checkout.
- Cartão de terceiro é risco de fraude. O uso sem autorização, citado por 8%, costuma terminar em contestação. O custo de errar a análise está em antifraude e falso positivo.
- O dado é declarado. A pesquisa mede o que as pessoas dizem, não o extrato delas, e ouviu só quem compra online.
Fonte: CNDL/SPC Brasil
Perguntas frequentes
Quantos compradores online apostavam em bets, segundo a CNDL e o SPC Brasil?
Na pesquisa, cujos resultados a CNDL publicou entre 8 e 25 de setembro de 2026, 36% das 800 pessoas ouvidas, todas com compra pela internet nos 12 meses anteriores, disseram ter feito aposta esportiva ou jogo de azar online pago no período. As entidades estimam em 50 milhões o número de apostadores.
Quanto o apostador gastava por mês?
Em média, R$ 213 por mês, segundo a pesquisa CNDL/SPC Brasil, com coleta em maio e junho de 2026. Em 2025, a média era de R$ 187. Na classe A/B, o gasto médio chegava a R$ 314.
As apostas tiravam dinheiro do consumo?
Entre os apostadores ouvidos, 43% disseram que já cortaram algum gasto para apostar. Os mais citados foram internet (15%), contas de água, luz e telefone (13%), roupas (12%), passeios em família (12%) e refeições fora de casa (12%).
Qual era o meio de pagamento mais usado nas apostas?
O Pix, citado por 78% dos apostadores na pesquisa CNDL/SPC Brasil de 2026.
As bets continuam permitidas no Brasil?
Não. A Medida Provisória nº 1.394, publicada em edição extra do Diário Oficial de 25 de setembro de 2026, proibiu explorar, oferecer, intermediar e anunciar apostas de quota fixa no país. Medida provisória tem força de lei, mas precisa ser aprovada pelo Congresso para virar lei. A pesquisa da CNDL e do SPC Brasil foi feita antes, em maio e junho de 2026.
Como a pesquisa foi feita?
Pela internet, de 25 de maio a 4 de junho de 2026, com adultos de todas as classes. Foram 939 contatos e 800 questionários completos de quem comprou online nos 12 meses anteriores. A margem de erro informada é de 3,5 pontos percentuais para essa base, com 95% de confiança.





