EconomiaNotícia
Comércio é o setor que menos ampliou a procura por crédito no ano encerrado em agosto de 2026, mostra a Serasa

Em resumo
No comércio, a procura de empresas por crédito cresceu 6,8% no acumulado de 12 meses encerrado em agosto de 2026, a menor alta entre os quatro setores do índice da Serasa Experian divulgado em 1º de outubro de 2026. No total, a alta foi de 11,2%, e as micro e pequenas empresas lideraram entre os portes, com 11,4%. O índice mede consultas de CNPJ para crédito, não empréstimos aprovados.
O dado principal
As empresas brasileiras procuraram mais crédito, e o comércio foi o setor em que essa procura menos cresceu: 6,8%, contra 11,2% no total. O Indicador de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian subiu 11,2% no acumulado de 12 meses encerrado em agosto de 2026, segundo comunicado divulgado em 1º de outubro de 2026.
Na comparação de agosto de 2026 com agosto de 2025, a alta foi menor, de 5,3%. O indicador mede busca, e não dinheiro liberado: ele conta consultas de CNPJ feitas em análises de crédito.
Por porte
Variação da procura por crédito:
- Micro e pequenas empresas: 11,4% em 12 meses e 5,7% em agosto contra agosto de 2025;
- Grandes: 8,1% em 12 meses e 2,2% na comparação anual;
- Médias: 4,9% em 12 meses e queda de 7,5% na comparação anual.
Por setor
Os quatro setores cresceram no acumulado de 12 meses. O comércio teve a menor alta:
- Serviços: 17,0% em 12 meses e 11,3% na comparação anual;
- Agropecuária: 16,2% e 13,8%;
- Indústria: 8,4% e 0,3%;
- Comércio: 6,8% e 1,3%.
Por estado
Todas as unidades da federação tiveram alta no acumulado de 12 meses até agosto de 2026:
- Maiores altas: Mato Grosso do Sul (25,5%), Roraima (21,4%), Paraíba (19,6%), Distrito Federal (14,5%) e Mato Grosso (14,1%);
- Menores altas: o Rio de Janeiro ficou com 3,4%, o Espírito Santo, com 6,7%, e Santa Catarina, com 7,6%.
Como a Serasa explica
Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, o que move a procura é a necessidade de caixa. Com juros altos, atividade mais fraca e inadimplência em nível recorde, muitas empresas, principalmente pequenas e médias, buscam financiamento para cobrir o intervalo entre o que recebem e o que precisam pagar.
Ela também afirma que a concessão de crédito a empresas vinha perdendo ritmo e encontrou algum apoio em operações de capital de giro de curto prazo cobertas por fundos garantidores. Sobre o número de agosto, a economista fala em acomodação, e não em reversão da procura.
O que o indicador mede
- Fonte: amostra de CNPJs consultados todo mês na base da Serasa Experian em processos de avaliação de crédito;
- Quem consulta: a conta considera consultas ligadas a relação de crédito da empresa com instituições financeiras ou com empresas de fora do sistema financeiro;
- Formato: número-índice, com a média de 2024 igual a 100;
- Limite: a consulta mostra intenção. O comunicado avisa que ela não significa operação aprovada ou contratada.
O pano de fundo: empresas inadimplentes
Outro indicador da mesma empresa, divulgado em 1º de setembro de 2026, ajuda a ler o número. Em julho de 2026, havia 9,2 milhões de CNPJs inadimplentes, com 67,2 milhões de dívidas que somavam R$ 238,6 bilhões. Desse total de empresas, 8,7 milhões eram micro e pequenas, e 32,1% eram do comércio.
Nesse levantamento, 75,7% das dívidas em atraso estavam fora de bancos, cartões e financeiras. As maiores fatias por origem eram do setor de serviços (31,7%), de bancos e cartões (19,7%), de cooperativas (8,5%), de concessionárias de serviços básicos (6,9%) e de telefonia (6,2%).
O que isso diz a quem vende
A leitura a seguir é do ConnectWeek:
- Procurar não é conseguir. Antes de pedir crédito, vale saber quanto o negócio realmente precisa. A conta está em como calcular o capital de giro.
- Estoque de fim de ano custa juros. Veja quanto custa financiar o estoque com a Selic atual.
- Quem vende para outras empresas corre risco de atraso. Com 9,2 milhões de CNPJs negativados em julho de 2026, consultar o comprador antes de vender a prazo vira rotina. As rotinas básicas estão em gestão financeira da pequena empresa.
Fonte: Serasa Experian
Perguntas frequentes
Quanto cresceu a procura de empresas por crédito, segundo a Serasa Experian?
O Indicador de Demanda das Empresas por Crédito subiu 11,2% no acumulado de 12 meses encerrado em agosto de 2026. Na comparação de agosto de 2026 com agosto de 2025, a alta foi de 5,3%.
Qual porte de empresa mais buscou crédito?
As micro e pequenas empresas, com alta de 11,4% em 12 meses até agosto de 2026. As grandes subiram 8,1%, e as médias, 4,9%, segundo a Serasa Experian.
E no comércio?
A procura de empresas do comércio por crédito cresceu 6,8% em 12 meses até agosto de 2026, a menor variação entre os quatro setores do indicador. Em agosto contra agosto de 2025, a alta do comércio foi de 1,3%.
O indicador mostra crédito concedido?
Não. Ele conta CNPJs consultados na base da Serasa Experian em análises de crédito. Mede a busca, e a própria empresa avisa que a consulta não significa operação aprovada ou contratada.





