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Logística terceirizada fatura R$ 247 bilhões em 2025; 44% dos operadores ouvidos reajustaram abaixo do custo

Em resumo
O Perfil dos Operadores Logísticos 2026, feito pelo Ilos para a Abol e apresentado em 17 de setembro de 2026, estima em cerca de 1.500 as empresas do setor no Brasil, com receita 18% maior que a da edição anterior. Só 34% repassaram a alta de custos por inteiro, e a fatia dos que atendem o e-commerce caiu para 43%.
O tamanho do setor
As empresas que fazem transporte, armazenagem e gestão de estoque para terceiros faturaram R$ 247 bilhões no Brasil em 2025. O número é do Perfil dos Operadores Logísticos 2026, levantamento encomendado pela Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol) ao Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) e apresentado à imprensa em 17 de setembro de 2026, de acordo com o E-Commerce Brasil. A Abol publicou os principais resultados em 29 de setembro, e o sumário executivo está no site da entidade.
Segundo a Abol, a receita equivale a quase 2% do Produto Interno Bruto e a 20% do que o país gasta com transporte e armazenagem. O estudo, feito a cada dois anos, estima cerca de 1.500 operadores em atividade, 15% a mais que na edição anterior, e crescimento de 18% no faturamento. O E-Commerce Brasil informa que esse avanço é real, isto é, já descontada a inflação, na comparação com 2023.
O mercado é concentrado: segundo a Abol, 17% dos operadores, os maiores, concentram 77% do faturamento. As 32 associadas da Abol somam R$ 45 bilhões, ou 18% do total.
Receita cresce, repasse de custo não acompanha
Cerca de sete em cada dez operadores ouvidos tiveram aumento de receita e de carteira de clientes em 2025, informa a Abol. A margem, porém, cresce menos que o faturamento, padrão que a entidade diz se repetir desde as edições de 2022 e 2024.
- 44% das empresas ouvidas reajustaram preços abaixo da alta das despesas;
- 34% conseguiram repasse igual ou superior ao aumento de custo.
O combustível está entre os principais fatores de pressão, ao lado do transporte aéreo de carga, o segundo serviço de transporte mais usado pelos operadores. Em tributos e encargos, o setor recolheu R$ 57 bilhões em 2025.
O E-Commerce Brasil, que acompanhou a apresentação, acrescenta dados da amostra que não estão no resumo da entidade: foram 134 respostas válidas, colhidas entre maio e junho de 2026, de empresas que representam 35% do faturamento do setor. Os percentuais desta notícia valem para esse grupo, e não para os 1.500 operadores estimados.
Para onde vai o investimento
Os investimentos se concentraram em software (citado por 83% dos ouvidos), modernização das instalações (78%) e frota (64%). Em treinamento, 89% investiram. O setor empregou diretamente 983 mil pessoas em 2025, 80% delas contratadas pela CLT. Somados os postos indiretos e as cadeias ligadas à atividade, a Abol chega a 2,8 milhões de pessoas, ou 2,7% da população ocupada.
E-commerce: menos operadores na carteira
Os segmentos mais atendidos são automotivo e autopeças (69% dos operadores), cosméticos (62%) e eletroeletrônicos (59%). Segundo o E-Commerce Brasil, o comércio eletrônico aparece na carteira de 43% das empresas ouvidas, seis pontos percentuais abaixo da edição anterior. A reportagem não traz explicação para a queda, e o resumo da Abol não menciona o dado.
A presença geográfica segue desigual. O Sudeste tem instalações ou operações de 98% dos operadores, e o Sul, de 79%. Atuam nas cinco regiões 31% deles, mesma parcela dos que oferecem serviço internacional.
Um modal só em 80% das cargas
A edição de 2026 ganhou um capítulo sobre multimodalidade. Embora 31% dos operadores ofereçam serviço com mais de um modal, 80% das mercadorias ainda viajam por apenas um, 17% por dois e 3% por três ou mais. O rodoviário está em 94% das operações. Depois vêm o aéreo nacional (21%), o aéreo internacional (8%), o marítimo internacional (7%), a cabotagem (7%), a ferrovia (5%) e a hidrovia (3%).
A oferta multimodal cresce com o porte: 19% entre os pequenos, 29% entre os médios e 44% entre os grandes. Numa escala de zero a dez, os operadores deram nota média de 3,2 às ferrovias e de 3,4 às hidrovias.
O que isso diz ao lojista
A leitura a seguir é do ConnectWeek. Um setor em que quase metade das empresas ouvidas não repassou o custo inteiro tende a buscar a diferença nas próximas renovações de contrato. Vale chegar à negociação com a própria conta feita:
- Saiba o seu custo por pedido. A comparação entre terceirizar e operar por conta própria está em fulfillment ou operação própria.
- Olhe o frete como linha de margem. As alavancas que não derrubam a conversão estão em como controlar o custo de frete.
- Feche o prazo de pico antes de novembro. A conta da expedição está em que prazo de entrega prometer na Black Friday.
A concentração no Sudeste aparece também no mercado de imóveis logísticos: no primeiro semestre, São Paulo ficou com 56% da área de galpões absorvida na América Latina.
Fonte: Abol
Perguntas frequentes
Quanto faturam os operadores logísticos no Brasil?
R$ 247 bilhões em 2025, segundo o Perfil dos Operadores Logísticos 2026, da Abol com o Ilos. A entidade diz que o valor equivale a quase 2% do PIB e a 20% do gasto nacional com transporte e armazenagem.
Quantos operadores logísticos existem no país?
Cerca de 1.500, pela estimativa do estudo, 15% a mais que na edição anterior. A pesquisa é feita a cada dois anos.
Os operadores estão repassando o aumento de custos?
Nem todos. Entre as empresas ouvidas, 44% reajustaram preços abaixo da alta das despesas e 34% conseguiram repasse igual ou maior. O combustível é apontado como um dos principais fatores de pressão.
Qual a parcela dos operadores que atende o e-commerce?
43% das empresas ouvidas, seis pontos percentuais a menos que na edição anterior, segundo o E-Commerce Brasil, que acompanhou a apresentação do estudo. O dado não está no resumo publicado no site da Abol.





