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Serasa Experian: fraude mira pedidos de R$ 900, valor 62% acima da média do varejo online

Em resumo
Em palestra em 6 de outubro de 2026, em São Paulo, a Serasa Experian afirmou ter barrado quase R$ 600 milhões em fraudes no e-commerce no primeiro semestre do ano. Há uma tentativa a cada 21 segundos, e celular é a categoria mais exposta: três fraudes a cada 100 tentativas de compra.
O que muda na regra de risco da loja
Três ajustes práticos saem dos dados que a Serasa Experian levou ao Summit Pagamentos, em São Paulo, em 6 de outubro de 2026, relatados pelo E-Commerce Brasil, organizador do encontro:
- trate categoria como variável de risco: em celulares, três de cada 100 tentativas de compra são golpe, contra uma em 100 na média do varejo online;
- olhe o valor do pedido: a compra fraudulenta vale R$ 900 em média, 62% acima do pedido comum;
- desconfie antes do pagamento: parte do ataque acontece fora da sua loja, em sites falsos.
Os números foram apresentados por Lucas Rugna Perez, head comercial da empresa, e vêm da base de clientes da Serasa Experian, que vende soluções antifraude. A matéria não cita relatório público, portanto valem como retrato de um fornecedor, e não como estatística oficial do setor.
Onde o risco se concentra
Quantidade e proporção contam histórias diferentes. Em volume de tentativas, as categorias mais atacadas são beleza, calçados e saúde; a presença de saúde foi atribuída pelo executivo às canetas emagrecedoras, que têm revenda fácil no mercado ilegal. Em risco proporcional, o celular fica na frente, seguido de eletrônicos, games, acessórios e ar-condicionado.
Fora do checkout, a empresa diz ter identificado mais de 10 mil sites falsos no primeiro trimestre de 2026, o equivalente a um endereço novo a cada 13 minutos.
O tamanho do problema
Segundo a Serasa Experian, suas ferramentas barraram quase R$ 600 milhões em fraudes no comércio eletrônico de janeiro a junho de 2026, algo acima de R$ 3 milhões por dia. A frequência informada é de uma tentativa a cada 21 segundos.
O perfil das vítimas também apareceu. Dos entrevistados pela empresa no primeiro semestre, 68% disseram já ter sido alvo de alguma tentativa. Nos casos classificados como de alto risco, a geração Z (14 a 29 anos) responde por 32,1%, a geração X por 30,8%, os millennials por 24,7% e os baby boomers por 10,2%.
Por que o golpe cresceu
O pano de fundo é a troca do crime de rua pelo crime digital. Nos dados exibidos, os golpes registrados no país somavam 426,8 mil em 2018 e chegaram a 2,17 milhões em 2024, um salto de 408%. Os roubos fizeram o caminho inverso: eram 1,5 milhão no começo da série e ficaram em 745 mil no fim. No Pix, 97% dos golpes ocorrem por engenharia social, isto é, a própria vítima é convencida a transferir.
A inteligência artificial acelera o processo. Perez avaliou que quem ataca usa a tecnologia melhor do que quem defende, porque não tem regra a cumprir. O exemplo são as identidades sintéticas, que juntam um CPF verdadeiro (de pessoa morta, inativa ou menor de idade) a um rosto criado por computador. A biometria, que 73% dos entrevistados preferem à senha, virou alvo: as tentativas de burla evoluíram da fotografia de uma fotografia para a injeção de imagem direto no sistema e, agora, para o uso de pessoas parecidas com a vítima, localizadas em bancos de rostos vazados.
“Fraude é que nem o colchão d’água: você fecha aqui e ela sai do outro lado.”
— Lucas Rugna Perez, head comercial da Serasa Experian
Verificação em camadas, e não barreira única
A orientação dada no evento é cruzar três tipos de sinal: o aparelho usado, o comportamento de quem navega (até a velocidade de digitação entra na conta) e os dados de cadastro. A checagem deve ser distribuída pela jornada. Se endereço, telefone e dispositivo já foram conferidos nas etapas iniciais da jornada, sobra para a etapa de pagamento apenas a análise mais rigorosa dos pedidos que destoam, e o cliente comum passa sem atrito.
Para a loja pequena, a conta tem dois lados. Fraude aprovada vira estorno; cliente bom barrado vira venda perdida. O artigo sobre o custo do falso positivo no antifraude ensina a medir o segundo, e o checklist de segurança da loja virtual cobre invasão de conta e robôs. A programação do encontro em que os dados foram apresentados está na nota sobre o Summit Pagamentos de 6 de outubro.
Comece por aqui Novo no assunto? Leia primeiro o que é e-commerce, o texto-base desta cobertura.
Fonte: E-Commerce Brasil
Perguntas frequentes
Qual é o valor médio de um pedido fraudulento no e-commerce?
R$ 900, segundo a Serasa Experian, valor 62% acima da média dos pedidos do varejo online. O dado foi apresentado em 6 de outubro de 2026.
Quais categorias sofrem mais tentativas de fraude?
Em volume, beleza, calçados e saúde. Em risco proporcional, celulares lideram, com três fraudes a cada 100 tentativas de compra.
Como reduzir fraude sem travar a venda?
A recomendação apresentada é combinar sinais (aparelho, comportamento e cadastro) e aplicar verificação mais dura só nos pedidos de maior risco.





