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Antifraude rígido chega a barrar até 10% dos clientes legítimos em alguns casos, aponta relatório da Adyen

Em resumo
O Relatório de Fraude 2026 da Adyen combina dados de cerca de US$ 1,6 trilhão em pagamentos de 2025 com uma pesquisa de fevereiro de 2026 com 1.000 decisores de grandes empresas dos Estados Unidos. Metade das empresas ouvidas viu crescer a recusa de clientes bons, e 44,3% relatam autofraude.
Quando a barreira pega o cliente errado
Apertar o filtro contra golpes tem um preço que não aparece no relatório de fraude: o cliente verdadeiro que é recusado e vai embora. Segundo o Relatório de Fraude 2026 da Adyen, controles estáticos chegam a bloquear, em alguns casos, até 10% dos clientes legítimos. O estudo foi tema de reportagem do E-Commerce Brasil publicada em 6 de outubro de 2026.
O documento junta duas bases, e convém separar o que vem de cada uma. A primeira são os dados da própria plataforma da empresa: aproximadamente US$ 1,6 trilhão em pagamentos processados no mundo em 2025. É dela que sai o número de até 10% de clientes legítimos bloqueados. A segunda é uma pesquisa feita em fevereiro de 2026 com 1.000 tomadores de decisão de grandes empresas com sede nos Estados Unidos. Os percentuais abaixo são dessa pesquisa e descrevem, portanto, companhias americanas de grande porte, e não o varejo brasileiro:
- 50% das empresas ouvidas relatam aumento nas recusas indevidas de clientes legítimos;
- 58% enfrentam custo crescente com revisão manual de transações;
- 96,8% fizeram ao menos uma concessão ligada à fraude no último ano.
O E-Commerce Brasil cita ainda dois dados da mesma pesquisa: 30,3% apontam como principal desafio proteger o negócio sem impedir compras legítimas, e 21,1%, equilibrar velocidade e precisão das análises. A Adyen é fornecedora de pagamentos e de ferramentas de risco, o que deve ser levado em conta na leitura.
Por que regra fixa deixou de funcionar
A explicação dada à reportagem por Cassia Pinheiro, responsável por otimização de performance na Adyen, é que o antifraude clássico procurava o que destoava: aparelho novo, endereço incomum, cadastro que não bate. O golpe atual usa conta verificada e dispositivo já conhecido. Se a resposta for subir a régua para todos, o bom comprador cai na mesma malha.
A fraude que vem do próprio cliente
O relatório destaca a chamada fraude de primeira parte, conhecida no Brasil como autofraude ou fraude amiga, relatada por 44,3% das empresas da pesquisa. Nela, o titular compra com o próprio cartão e depois contesta a cobrança no banco, ou alguém próximo usa os dados dele, ou a política de devolução é explorada. Nada disso acende alerta na hora do pagamento.
Por isso a análise passou a olhar o pós-venda. Kahuê Cardoso, que dirige no Magalu a área de riscos, identidade e prevenção a fraudes, disse à reportagem que a varejista acompanha histórico de compras, devoluções, cancelamentos e estornos para achar padrão repetido, sem punir um episódio isolado. Entre os indicadores que a empresa acompanha estão taxa de aprovação, chargeback e manifestações de clientes depois de uma compra recusada.
“Precisamos entender quem é o consumidor, quem está autorizado a agir em seu nome e qual é a intenção daquela compra.”
— Cassia Pinheiro, Head of Performance Optimization da Adyen
Agentes de IA entram na conta
Com robôs comprando em nome de pessoas, surge outra pergunta: aquela automação tem autorização? Segundo o E-Commerce Brasil, o relatório indica que 30% dos varejistas já tratam a pontuação de confiança atribuída pelas plataformas de IA como uma das principais formas de avaliar esses agentes.
Como aplicar na loja pequena
- Meça a recusa, não só a fraude. Fraude baixa com aprovação baixa é prejuízo disfarçado. A fórmula está em como calcular o custo do falso positivo.
- Abra um canal para o cliente recusado. A reclamação dele é o único aviso de que a regra errou.
- Cuide da devolução. Critério claro de reembolso reduz abuso; veja o modelo de política de troca e devolução.
- Prepare a Black Friday antes. Segundo a reportagem, o pico de pedidos exige preparação antecipada da prevenção e amplia ameaças como páginas falsas que imitam grandes varejistas; o checklist de segurança ajuda na revisão.
Comece por aqui Novo no assunto? Leia primeiro o que é e-commerce, o texto-base desta cobertura.
Fonte: E-Commerce Brasil
Perguntas frequentes
Quantos clientes legítimos um antifraude rígido pode barrar?
Até 10%, em alguns casos, de acordo com dados da plataforma da Adyen citados no Relatório de Fraude 2026. O número é um teto observado em controles estáticos, e não uma média.
O que é autofraude?
É quando o próprio titular faz a compra com cartão e aparelho habituais e depois contesta a cobrança no banco. Na pesquisa da Adyen com 1.000 grandes empresas dos Estados Unidos, 44,3% relatam esse problema.
Os dados valem para o Brasil?
Não diretamente. Os percentuais vêm de uma pesquisa de fevereiro de 2026 com empresas de grande porte sediadas nos Estados Unidos, e os dados de transações são globais.





