StartupsArtigo
Pré-seed, seed e série A: o que significa cada rodada de investimento em startup
Em resumo
Pré-seed, seed e série A são nomes de mercado para as primeiras rodadas de investimento em startups e não aparecem na Lei Complementar nº 182, o marco legal das startups. O texto mostra como o guia de captação da aceleradora Y Combinator e o glossário da base de dados Crunchbase descrevem as fases e quem costuma investir em cada uma, e o que a lei prevê para os instrumentos de aporte.
Pré-seed, seed e série A são os nomes que o mercado de investimento em startups dá às primeiras rodadas de captação, na ordem em que costumam acontecer. Nenhum deles aparece na Lei Complementar nº 182, de 2021, o marco legal das startups. O que ela regula são os instrumentos pelos quais o dinheiro entra na empresa. Este texto mostra como o guia de captação da aceleradora Y Combinator e o glossário da base de dados Crunchbase definem os termos e o que a lei diz sobre o aporte. Não diz se a startup deve captar nem quanto pedir: decisão de investimento e contrato são assuntos para advogado e para quem assessora a captação.
Nomes de mercado, fora do texto da lei
O ConnectWeek procurou os termos no texto da Lei Complementar nº 182 no Planalto e na versão publicada no Diário Oficial da União de 2 de junho de 2021: as palavras "seed", "série" e "rodada" não aparecem em nenhuma das duas. Por isso, quando uma notícia diz que uma startup "fechou uma rodada seed", o rótulo é escolha de quem investe, de quem capta ou de quem publica a notícia, e não uma categoria do marco legal. Duas empresas podem chamar de seed rodadas de tamanho e formato bem diferentes.
As definições usadas abaixo vêm de duas fontes que as publicam. Uma é o guia "A guide to seed fundraising", de Geoff Ralston, publicado na biblioteca da Y Combinator, aceleradora americana de startups. A página tem registro de 9 de junho de 2020, mas o guia não informa quando foi escrito. O próprio texto avisa que algumas partes podem ficar desatualizadas. A outra é o glossário de tipos de rodada da Crunchbase, base de dados sobre empresas e investimentos. O glossário está na central de ajuda da empresa e foi consultado em 14 de outubro de 2026; a última edição registrada ali é de 22 de julho de 2025. As duas fontes são americanas, e os valores citados estão em dólar. As explicações de termos entre parênteses são do ConnectWeek.
A ordem das rodadas
O guia da Y Combinator diz que as rodadas de capital de risco (dinheiro que fundos e investidores aplicam em empresas jovens em troca de participação) tradicionalmente têm nome e ordem: primeiro a seed, depois a série A, a série B, a série C, e assim por diante, até a venda da empresa ou a abertura de capital na bolsa. O mesmo guia faz a ressalva de que nenhuma dessas rodadas é obrigatória. Às vezes a empresa começa direto por uma série A, quase sempre feita com emissão de participação (o investidor recebe parte do capital da empresa).
O glossário da Crunchbase põe outras duas etapas antes da seed. A rodada anjo é, em geral, pequena, pensada para tirar a empresa do papel, com dinheiro de investidores-anjo individuais, grupos de anjos, amigos e família. A pré-seed é uma rodada seed anterior à entrada de investidores institucionais (fundos de investimento e gestoras de recursos): ou não tem nenhum deles, ou levanta um valor muito baixo, muitas vezes abaixo de US$ 150 mil.
O que separa a seed da série A
Para o glossário da Crunchbase, a seed está entre as primeiras rodadas que uma empresa recebe, em geral quando ainda é jovem e trabalha para ganhar tração (clientes e uso crescentes). As rodadas seed vão de US$ 10 mil a US$ 2 milhões, e o glossário observa que rodadas seed maiores ficaram mais comuns nos últimos anos. A seed costuma vir depois da rodada anjo, quando ela existe, e antes da série A. As séries A e B são rodadas de empresas em estágio inicial, com média entre US$ 1 milhão e US$ 30 milhões; da série C em diante, o glossário fala em empresas mais estabelecidas e rodadas que costumam passar de US$ 10 milhões.
O guia da Y Combinator chama de seed o capital inicial levantado por uma empresa e trata só dessa primeira rodada. Nele, as captações iniciais vão de algumas centenas de milhares de dólares a US$ 2 milhões. Segundo o guia, a maioria das primeiras rodadas parece ficar perto de US$ 600 mil, e o tamanho delas vinha crescendo. As duas fontes não dizem a que país nem a que período os números se referem. Por isso eles não servem como faixa para uma rodada no Brasil.
O que o investidor da primeira rodada quer ver, segundo a Y Combinator
O guia diz que o investidor assina o cheque quando a ideia convence, quando acredita que a equipe consegue executá-la e quando a oportunidade parece real e grande o bastante. Para a maioria dos fundadores, isso exige uma ideia, um produto e alguma adoção pelos clientes. O texto cita o encaixe entre produto e mercado e um crescimento real; como referência, diz que uma taxa de 10% por semana durante várias semanas impressiona. A conta dessa taxa e as faixas que Paul Graham, um dos fundadores da Y Combinator, cita como boas estão no texto sobre taxa de crescimento de startup.
Sobre quanto levantar, o guia sugere ligar o pedido a um plano, em geral de 12 a 18 meses de operação. Esse prazo se compara ao runway, a conta de quantos meses o caixa dura. Quanto da empresa os sócios cedem em cada rodada é um assunto à parte, que este texto não trata. A conta de como a fatia de cada sócio muda depois do aporte, com um exemplo hipotético, está no texto sobre cap table e diluição.
Quem costuma investir em cada fase
Na seed, o guia da Y Combinator separa dois perfis. O anjo investe o próprio dinheiro, nas próprias condições, e decide mais rápido; o fundo de capital de risco investe dinheiro de terceiros, exige mais reuniões e envolve vários sócios na decisão. O guia cita ainda fundos novos que miram empresas muito jovens e anjos independentes que aplicam de US$ 25 mil a US$ 100 mil ou mais por empresa. Para a pré-seed, o glossário da Crunchbase fala em rodada sem investidor institucional ou de valor muito baixo. Na classificação do mesmo glossário, as séries A, B e seguintes entram como rodadas de capital de risco, que ele define como investimento vindo de uma gestora de capital de risco. Rodadas lideradas por outra empresa, ou por fundos de private equity em empresas de estágio avançado, ficam em categorias próprias. As plataformas de investimento coletivo aparecem nas duas fontes como outro caminho. No Brasil, a captação por plataforma de investimento coletivo, que a norma chama de plataforma eletrônica de investimento participativo, segue a Resolução CVM nº 88, explicada no texto sobre crowdfunding de investimento.
O instrumento é o que a lei regula
Se o nome da rodada não está na Lei Complementar nº 182, o instrumento do aporte está. O artigo 5º lista formas de investir na startup sem entrar no capital social, como o mútuo conversível e o contrato de investimento-anjo, e diz que quem aporta por elas só vira sócio depois da conversão formal em participação. O texto sobre sócio ou investidor trata dessas formas de aporte e do que separa um papel do outro. As regras do contrato de investimento-anjo estão no texto sobre o que a lei prevê para o investidor-anjo.
O guia da Y Combinator registra que, no Vale do Silício, a maior parte das rodadas seed é estruturada como dívida conversível ou como safe (sigla em inglês para acordo simples de participação futura). Pelo guia, o safe funciona como a dívida conversível, mas sem juros, sem data de vencimento e sem obrigação de devolver o dinheiro. Qual instrumento usar, e com que cláusulas, é a parte da captação que depende de advogado.
Fonte: Y Combinator
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre pré-seed e seed?
Pelo glossário da Crunchbase, a pré-seed é uma rodada seed feita antes da entrada de investidores institucionais: ou nenhum deles participa, ou o valor é muito baixo, muitas vezes menor que US$ 150 mil. A seed está entre as primeiras rodadas da empresa jovem que trabalha para ganhar tração, com valores de US$ 10 mil a US$ 2 milhões. As explicações de investidor institucional (fundos de investimento e gestoras de recursos) e de tração (clientes e uso crescentes) são do ConnectWeek. Os valores vêm de fonte americana, em dólar, e não servem de faixa para rodada no Brasil.
O que muda da rodada seed para a série A?
Na ordem descrita pelo guia da Y Combinator, a série A vem depois da seed, mas nenhuma das duas é obrigatória, e há empresas que começam pela série A. O glossário da Crunchbase põe as séries A e B entre as rodadas de empresas em estágio inicial, com média de US$ 1 milhão a US$ 30 milhões; para a seed, a faixa vai de US$ 10 mil a US$ 2 milhões. As fontes são americanas, os valores estão em dólar e nenhuma das duas diz a que país ou período eles se referem; por isso não servem de faixa para rodada no Brasil.
Quem costuma investir em cada fase?
Para a rodada anjo, a Crunchbase cita investidores-anjo individuais, grupos de anjos, amigos e família. Para a pré-seed, descreve uma rodada sem investidor institucional ou de valor muito baixo, muitas vezes menor que US$ 150 mil. Na seed, o guia da Y Combinator descreve anjos, que aplicam o próprio dinheiro e decidem rápido, e fundos de capital de risco, que aplicam dinheiro de terceiros e levam mais tempo para decidir. Na classificação da Crunchbase, as séries A, B e seguintes entram como rodadas de capital de risco, definidas como investimento vindo de uma gestora de capital de risco.
Seed e série A aparecem no marco legal das startups?
Não. A Lei Complementar nº 182, de 2021, não usa esses nomes no texto do Planalto nem na publicação do Diário Oficial. A lei trata dos instrumentos de aporte, como mútuo conversível e contrato de investimento-anjo, e diz que quem aporta por eles só vira sócio depois da conversão formal em participação. A escolha do instrumento é assunto para advogado.