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Conteúdo de comparação de produtos: como ajudar o cliente a escolher sem parecer propaganda

Em resumo

Conteúdo de comparação de produtos é o texto ou a tabela em que a loja coloca dois ou mais produtos lado a lado para ajudar o cliente a escolher. O ConnectWeek mostra um método em cinco passos e um modelo de tabela com três produtos fictícios. Traz também o que o Código de Defesa do Consumidor diz sobre publicidade e o que o código do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) diz sobre comparação.

Conteúdo de comparação de produtos é o texto ou a tabela em que a loja coloca dois ou mais produtos lado a lado para ajudar o cliente a escolher. Ele deixa de parecer propaganda quando mostra os critérios usados, diz para qual uso cada produto serve e admite o que cada um não faz bem. Este texto traz um método em cinco passos para montar a comparação e um modelo de tabela com três produtos fictícios. Mostra também o que o Código de Defesa do Consumidor diz sobre publicidade e o que o código do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), entidade do mercado publicitário, diz sobre comparação.

Por que tanta comparação de produtos parece propaganda?

Na avaliação do ConnectWeek, o leitor desconfia de uma comparação quando encontra um destes cinco sinais:

  • O vencedor aparece antes dos critérios. O texto começa dizendo qual produto é o melhor e só depois procura motivos.
  • Só um produto tem ponto fraco. O produto recomendado não tem nenhuma limitação, e os outros têm várias.
  • Os critérios mudam de um produto para outro. Um produto é elogiado pelo peso, outro é criticado pelo preço, e nenhum deles é medido nos dois critérios.
  • Os adjetivos ocupam o lugar das medidas. Aparecem palavras como “incrível” e “superior”, sem litro, centímetro, hora de bateria ou prazo de garantia.
  • Não se sabe quem escreveu nem por quê. A página não diz que a loja vende os produtos comparados, nem se recebe comissão por indicar algum deles.

O Google descreve o caminho contrário na página Escrever avaliações de alta qualidade, da Central da Pesquisa Google, que é a documentação do buscador para donos de site. A página cita, entre os autores possíveis desse tipo de texto, o comerciante que orienta as pessoas sobre produtos concorrentes. Entre as práticas recomendadas estão avaliar do ponto de vista do usuário, usar medidas quantitativas, discutir os benefícios e as desvantagens e explicar o que é mais indicado para determinados usos. A página informa a data de 18 de dezembro de 2025 como última atualização e foi lida pelo ConnectWeek em 8 de outubro de 2026.

Método em cinco passos para montar a comparação

A ordem dos passos importa. Os critérios vêm antes dos produtos, e a recomendação vem por último.

1. Escolha a decisão que o cliente precisa tomar. Uma comparação responde a uma pergunta de compra, como “qual mochila levar para o trabalho com notebook”. As perguntas reais estão no atendimento da loja. O artigo sobre o anúncio de produto que responde às dúvidas do comprador mostra como coletar e classificar essas perguntas.

2. Defina de três a seis critérios antes de olhar os produtos. Cada critério precisa de uma unidade de medida ou de uma resposta objetiva: capacidade em litros, peso em gramas, garantia em meses, “tem” ou “não tem” compartimento acolchoado. A faixa de três a seis é escolha do ConnectWeek, para a tabela caber na tela do celular, e nenhuma plataforma a exige.

3. Preencha todos os critérios para todos os produtos. Na avaliação do ConnectWeek, célula vazia levanta a suspeita de critério escolhido para favorecer alguém. Se a loja não tem o dado, mede o produto ou tira o critério da tabela inteira.

4. Escreva para quem cada produto serve e para quem não serve. A recomendação por cenário de uso substitui a frase “o melhor”. O texto diz “para quem carrega notebook todos os dias” e “para quem viaja no fim de semana”.

5. Registre de onde veio cada dado. A origem pode ser a ficha do fabricante, uma medição feita na loja ou um teste de uso, sempre com a data. Esse registro ajuda a sustentar o texto se um cliente ou um concorrente questionar a comparação.

Modelo de tabela com três produtos fictícios

O exemplo abaixo é hipotético. Os três produtos, as medidas e os preços foram inventados pelo ConnectWeek para mostrar o formato. A loja do exemplo vende os três.

CritérioMochila AMochila BMochila C
Capacidade18 litros25 litros35 litros
Peso da mochila vazia450 gramas700 gramas1.100 gramas
Compartimento acolchoado para notebookNão temTem, até 15,6 polegadasTem, até 17 polegadas
Garantia do fabricante3 meses12 meses12 meses
Preço na lojaR$ 120R$ 210R$ 340

Abaixo da tabela entra a leitura por cenário de uso:

  • Mochila A: serve para quem leva poucos itens e quer pouco peso nas costas. Não serve para quem carrega notebook, porque não tem compartimento acolchoado.
  • Mochila B: serve para o trajeto diário com notebook de até 15,6 polegadas. Fica pequena para uma viagem de mais de dois dias.
  • Mochila C: serve para viagem curta e para notebook grande. É a mais pesada das três e custa quase o triplo da Mochila A.

A última afirmação pode ser conferida na própria tabela: R$ 340 dividido por R$ 120 dá 2,83. O leitor consegue refazer com a tabela cada frase que cita medida, peso, garantia ou preço. As indicações de uso, como a duração da viagem, são avaliação de quem escreve e devem aparecer como tal. Na avaliação do ConnectWeek, essa possibilidade de conferência é o que separa a comparação da propaganda.

Como escrever a limitação de cada produto

A limitação tem três partes: o que o produto não faz, para quem isso pesa e qual produto da tabela resolve. Um modelo de frase:

Este produto não tem [característica]. Para quem [situação de uso], isso faz diferença. Nesse caso, o [outro produto] atende melhor, e custa [diferença de preço] a mais.

Três cuidados ajudam a manter o tom de informação:

  • Escreva a limitação com a mesma medida usada no elogio. Se o elogio foi em litros, a limitação também é em litros.
  • Todo produto da tabela ganha pelo menos uma limitação, inclusive o que dá mais lucro para a loja.
  • Limitação não é defeito. Defeito de fabricação é outro assunto, tratado na garantia e nas regras de troca. Limitação é uma característica que não combina com determinado uso.

O portal avalia que a limitação bem escrita tende a reduzir a compra errada, que volta para a loja como troca ou devolução. A conta desse custo está em devolução no e-commerce: quanto ela tira da margem.

O que a lei e o CONAR dizem sobre comparar produtos

Quando a loja compara produtos que ela mesma vende, o texto informa e também ajuda a vender. Por isso, o ConnectWeek recomenda tratar a comparação como comunicação de caráter publicitário e seguir as regras da publicidade. O Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078, de 1990) não define o que é publicidade, e o enquadramento de uma página específica depende da análise do caso concreto. O código reserva à publicidade uma seção própria, com três artigos. O ConnectWeek leu o texto do Planalto e o conferiu no texto atualizado da Câmara dos Deputados em 8 de outubro de 2026:

  • O artigo 36 determina que a publicidade seja veiculada de modo que o consumidor a identifique como tal, fácil e imediatamente. O parágrafo único obriga o fornecedor a guardar os dados fáticos, técnicos e científicos que sustentam a mensagem.
  • O artigo 37 proíbe a publicidade enganosa. O parágrafo 1º inclui nesse conceito a informação falsa, mesmo em parte, e a que é capaz de induzir o consumidor em erro, inclusive por omissão. O parágrafo 3º define a publicidade enganosa por omissão como a que deixa de informar dado essencial do produto.
  • O artigo 38 atribui a quem patrocina a publicidade o ônus de provar que a informação é verdadeira e correta.

O CONAR trata da comparação de forma direta. O artigo 32 do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária aceita a publicidade comparativa desde que ela respeite oito princípios e limites, das letras “a” a “h”. Seis deles interessam de perto à loja:

  • ter como objetivo maior o esclarecimento do consumidor;
  • ser objetiva, porque dados subjetivos, de fundo psicológico ou emocional, não são base válida de comparação;
  • poder ser comprovada;
  • não criar confusão entre produtos e marcas concorrentes;
  • não depreciar a imagem do produto ou da marca de outra empresa;
  • indicar claramente quando os produtos comparados não têm preço de igual nível.

O artigo 27, parágrafo 1º, do mesmo código exige que as comparações ligadas a fatos ou dados objetivos sejam comprováveis. O artigo 18, letra “a”, usa a palavra anúncio em sentido amplo, que inclui embalagens e material de ponto de venda, mas diz que ela só abrange a publicidade veiculada em espaço ou tempo que o anunciante paga. Uma comparação publicada na página da própria loja pode ficar fora dessa definição. O ConnectWeek sugere seguir os mesmos princípios mesmo assim. O portal leu a versão em PDF que o site do CONAR oferece na seção de códigos, em 8 de outubro de 2026. O código é uma norma de autorregulamentação do mercado publicitário, e não uma lei.

Na avaliação do ConnectWeek, o passo 5 do método, que é o registro da origem de cada dado, ajuda a loja a cumprir a guarda de dados do artigo 36 do Código de Defesa do Consumidor e a comprovação pedida pelo CONAR. Os exemplos de publicidade enganosa mais comuns em loja virtual e as sanções previstas estão no artigo sobre publicidade enganosa no e-commerce. Este texto informa e não substitui a análise de um caso concreto por um advogado.

O que conferir antes e depois de publicar

Antes de publicar, a loja passa por oito perguntas:

  • Os critérios aparecem antes da recomendação?
  • Todas as células da tabela estão preenchidas?
  • Cada produto tem pelo menos uma limitação escrita?
  • Cada número tem origem registrada, com data?
  • A página diz que a loja vende os produtos comparados?
  • Se há link de afiliado, em que a loja ou o autor recebe comissão pela venda indicada, isso está dito na página?
  • A diferença de preço entre os produtos está visível?
  • Toda afirmação sobre outra marca é objetiva, tem dado que a sustente e não deprecia a marca?

Depois de publicada, a comparação envelhece. Preço, modelo e garantia mudam. O ConnectWeek sugere colocar na página a data da última conferência e revisar a tabela sempre que um dos produtos sair de linha ou mudar de versão. Na avaliação do ConnectWeek, uma tabela com preço antigo vira informação errada, que pode configurar a publicidade enganosa descrita no artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor.

A tabela pode ser resumida na página de cada produto, com link para a comparação completa. O modelo de página de produto está no artigo sobre descrição de produto para SEO (sigla em inglês de otimização para mecanismos de busca).

Fonte: Google: Escrever avaliações de alta qualidade

Perguntas frequentes

A loja pode comparar produtos que ela mesma vende?

As fontes lidas pelo ConnectWeek não trazem proibição. A página do Google sobre avaliações de alta qualidade cita o comerciante que orienta as pessoas sobre produtos concorrentes como um dos autores possíveis de avaliações de produtos. Na avaliação do ConnectWeek, a página deve dizer que a loja vende os produtos comparados, mostrar os critérios e apontar pelo menos uma limitação de cada produto.

Posso citar a marca de um concorrente em uma comparação de produtos?

O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), aceita a publicidade comparativa dentro de limites, no artigo 32. O mesmo artigo exige o respeito às normas do Código da Propriedade Industrial. A comparação precisa ser objetiva e comprovável, não pode criar confusão entre marcas nem depreciar a imagem do produto ou da marca de outra empresa. O código é autorregulamentação, e não lei. Para um caso concreto, vale consultar um advogado.

Quantos critérios uma tabela de comparação de produtos deve ter?

O ConnectWeek sugere de três a seis critérios, para a tabela caber na tela do celular. A faixa é escolha do portal, e nenhuma plataforma a exige. Mais importante que a quantidade é que cada critério tenha unidade de medida ou resposta objetiva e que todas as células estejam preenchidas para todos os produtos.

Preciso guardar a origem dos dados usados na comparação de produtos?

O ConnectWeek recomenda guardar. O parágrafo único do artigo 36 do Código de Defesa do Consumidor obriga o fornecedor, na publicidade de seus produtos, a manter os dados fáticos, técnicos e científicos que sustentam a mensagem. O artigo 38 atribui a quem patrocina a publicidade o ônus de provar que a informação é verdadeira e correta. Vale registrar a ficha do fabricante, a medição ou o teste de cada número, com a data.

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