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E-commerceArtigoDados com fonte declarada

Checkout que converte: 10 pontos de atrito para medir e corrigir

Mão segurando um cartão de crédito ao lado de um notebook com formulário de checkout desfocado, sala à luz de abajur

Em resumo

Sete em cada dez carrinhos são abandonados, segundo a média calculada pelo Baymard Institute. O ConnectWeek lista dez pontos de atrito do checkout, como medir cada um no seu próprio funil e o que corrigir primeiro, com uma auditoria que qualquer loja pequena consegue repetir em uma tarde.

O checkout é o trecho mais curto e mais caro do funil: o cliente já escolheu o produto e ainda assim desiste. O Baymard Institute, que reúne dezenas de estudos sobre o tema, calcula uma taxa média de abandono de carrinho acima de 70%. Parte disso é inevitável, gente que só estava comparando. Outra parte é atrito que a loja criou e pode remover. Esta auditoria organiza dez pontos, cada um com a forma de medir e a correção.

Antes de corrigir: meça o funil

Sem medição, qualquer mudança é palpite. Configure no analytics os eventos de adicionar ao carrinho, iniciar checkout, preencher dados, escolher frete, escolher pagamento e compra concluída. Compare a queda entre cada etapa, separando celular e computador. A etapa com a maior queda é a primeira a atacar. Quando a taxa da loja inteira cai e ainda não se sabe onde, comece pelo roteiro para diagnosticar a queda de conversão.

Depois, faça três compras de teste: uma no celular com dados móveis, uma com cartão recusado e uma com CEP de outro estado. Anote cada vez que você hesitou.

Os 10 pontos de atrito

1. Frete revelado tarde

Custo inesperado é o motivo mais citado nas pesquisas do Baymard. Mostre a calculadora de frete na página de produto e no carrinho, antes de pedir dados. Como medir: queda entre "carrinho" e "escolha de frete".

2. Cadastro obrigatório

Exigir conta antes da compra afasta quem compra pela primeira vez. Ofereça compra como convidado e a criação de senha depois do pedido. Como medir: saídas na tela de login.

3. Campos demais

Peça só o necessário para faturar e entregar. Preencha endereço pelo CEP, use o tipo de teclado certo no celular (numérico para CPF e cartão) e não repita dados. Como medir: tempo médio na etapa de dados.

4. Erros de validação confusos

Mensagem genérica de "dados inválidos" no fim do formulário faz o cliente desistir. Valide campo a campo, com mensagem clara ao lado do campo. Como medir: gravações de sessão ou evento de erro por campo. Rótulo em todo campo e erro descrito em texto também são itens do checklist de acessibilidade da loja virtual.

5. Poucos meios de pagamento

Pix, cartão com parcelamento e, em alguns públicos, carteiras digitais. Veja quais aceitar em carteiras digitais no checkout. Como medir: queda na etapa de pagamento por dispositivo.

6. Recusa de cartão por excesso de trava

Antifraude rigoroso demais recusa bons clientes. O ConnectWeek detalhou o custo em antifraude e falso positivo. Como medir: taxa de aprovação por bandeira e por faixa de valor. Nem toda recusa vem da trava da loja: com o crédito caro, cresce a recusa por limite do cliente, tratada em crédito caro e aprovação no checkout. O cuidado com o que entra na conta está em taxa de aprovação de pagamentos: como medir.

7. Prazo de entrega longo ou vago

"Até 15 dias úteis" perde para "chega quinta-feira". Mostre prazo com data estimada e opções de entrega mais rápida quando existirem. Como medir: abandono por região de CEP.

8. Falta de sinais de confiança

O Decreto nº 7.962/2013 já exige CNPJ, endereço e canal de atendimento visíveis. Deixe esses dados, a política de troca e o selo de conexão segura fáceis de achar. A política de troca e devolução é também argumento de venda.

9. Checkout lento no celular

Scripts de terceiros (chat, pixels, pop-ups) pesam justamente na página que não pode travar. Retire do checkout tudo o que não é essencial. Como medir: PageSpeed Insights na página de checkout, no celular.

10. Cupom que vira caça ao tesouro

Campo de cupom em destaque faz o cliente sair para procurar código. Deixe o campo discreto, recolhido em um link. Como medir: saídas da página depois de clique no campo de cupom.

A ordem de correção

PrioridadePontoEsforço típico
1Frete visível cedoBaixo
2Compra sem cadastroBaixo a médio
3Campos e validaçãoMédio
4Meios de pagamentoMédio
5Aprovação de cartãoMédio, depende do antifraude
6Velocidade no celularMédio

Corrija um ponto por vez e compare duas semanas antes e depois, com o mesmo tipo de tráfego. Mudar tudo junto impede saber o que funcionou.

Quanto vale cada ponto de conversão

Exemplo hipotético: loja com 20 mil sessões por mês, taxa de conversão de 1,2% e ticket médio de R$ 150 fatura R$ 36 mil. Se a auditoria levar a conversão a 1,4%, o faturamento vai a R$ 42 mil com o mesmo tráfego, sem gastar mais em anúncio. Por isso o checkout costuma ser a melhoria mais barata do funil.

Recuperação de carrinho

Parte do abandono pode ser recuperada por e-mail ou mensagem, desde que o cliente tenha deixado contato e autorizado a comunicação. Um lembrete poucas horas depois, com o carrinho salvo e o frete já calculado, funciona melhor que desconto automático, que ensina o cliente a abandonar de propósito. Para a automação por trás disso, veja onde a automação gera eficiência no e-commerce.

Checklist da auditoria

  • Funil de eventos configurado e separado por dispositivo.
  • Três compras de teste feitas e anotadas.
  • Frete visível na página de produto.
  • Compra como convidado disponível.
  • Campos mínimos, preenchimento por CEP, validação campo a campo.
  • Pix e cartão com parcelamento ativos.
  • Taxa de aprovação de cartão acompanhada.
  • Checkout sem scripts desnecessários.

A escolha da plataforma define parte desses limites; compare as opções pelo custo total, incluindo o que o checkout permite ajustar.

Como registrar a auditoria para a equipe

Registre cada ponto em uma linha com quatro colunas: o problema observado, a métrica antes da correção, a mudança feita e a métrica depois. Esse registro evita que uma melhoria seja desfeita meses depois por alguém que não sabia por que ela existia, e ajuda a decidir o que priorizar na próxima rodada.

Repita a auditoria a cada trimestre e sempre antes de datas de pico, como Black Friday e Natal. Mudanças na plataforma, novos aplicativos instalados e campanhas com pop-ups costumam reintroduzir atrito sem que ninguém perceba. Uma compra de teste completa, feita no celular por alguém de fora da equipe, continua sendo a forma mais barata de enxergar o checkout como o cliente enxerga. Para comparar duas versões com número, veja teste A/B com pouco tráfego.

Também vale separar a análise por origem do tráfego. Visitante que chega de anúncio em rede social tende a abandonar mais do que quem vem da busca orgânica ou de e-mail, porque está em outro momento da decisão. Comparar a taxa de abandono entre origens evita culpar o checkout por um problema de segmentação da campanha.

Comece por aqui Novo no assunto? Leia primeiro o que é e-commerce, o texto-base desta cobertura.

Fonte: Baymard Institute

Perguntas frequentes

Qual é a taxa média de abandono de carrinho?

O Baymard Institute calcula uma média acima de 70%, a partir de dezenas de estudos. O número varia por setor e dispositivo; o que importa é medir a taxa da sua loja e acompanhar a evolução depois de cada correção.

Qual o principal motivo de abandono no checkout?

Nas pesquisas do Baymard, custos extras que aparecem tarde (frete, taxas) lideram entre os motivos ligados à loja, seguidos por exigência de cadastro, prazo de entrega longo e desconfiança no pagamento.

Checkout em uma página converte mais?

Não necessariamente. O que reduz abandono é pedir menos campos, mostrar o custo total cedo e deixar claro em que etapa o cliente está. Um checkout em etapas bem feito pode converter tanto quanto um de página única.

Como medir onde o cliente desiste?

Configure no analytics os eventos de início de checkout, envio de dados, escolha de frete, escolha de pagamento e compra. A etapa com maior queda entre dois eventos é onde a auditoria deve começar.

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