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TRL: o que é a escala de maturidade tecnológica usada em editais e como situar o projeto

Em resumo

TRL é a escala de nove níveis que mede a maturidade de uma tecnologia, do princípio científico observado ao sistema em operação. A Finep usa a escala em chamadas públicas de inovação para definir o que apoia: o anexo de uma chamada de subvenção de 2026 limita o apoio a atividades entre os níveis 3 e 8. O texto traz os nove níveis do anexo da Finep e a diferença para a MRL, a escala dos processos de produção.

TRL é a sigla em inglês de Technology Readiness Level, nível de maturidade tecnológica. A escala tem nove níveis e mede o estágio de desenvolvimento de uma tecnologia, do princípio científico observado (nível 1) ao sistema em operação (nível 9). A Finep, a Financiadora de Estudos e Projetos, usa a escala em chamadas públicas (editais) de apoio à inovação para dizer quais atividades apoia. Uma delas, de subvenção econômica (recurso que a empresa não devolve), foi publicada em março de 2026, teve a data limite de envio de propostas fixada em 14 de outubro de 2026 e limita o apoio a atividades entre os níveis 3 e 8.

O ConnectWeek leu, em 13 de outubro de 2026, as páginas da Embrapa e da NASA sobre a escala, a da chamada Finep Mais Inovação Brasil, Rodada 2, Tecnologias Digitais, e cinco documentos dela: o regulamento, o aviso que mudou o prazo, os anexos 1 e 5 e as perguntas frequentes. Leu ainda a página da chamada de Subvenção Econômica Regional, da mesma rodada. A redação dos níveis muda de uma fonte para outra na maior parte deles, e este texto diz de qual vem cada descrição. O texto da NASA está em inglês. As explicações entre parênteses são do ConnectWeek.

O que a escala TRL mede

A página da NASA sobre os níveis de maturidade tecnológica, atualizada em 25 de junho de 2026, define a escala como um sistema de medida da maturidade de uma tecnologia. Cada projeto é comparado com os parâmetros de cada nível e recebe uma classificação conforme o seu progresso. O 1 é o mais baixo e o 9, o mais alto.

A página da Embrapa sobre a escala aponta o uso prático. A escala permite acompanhar uma tecnologia durante a pesquisa, o desenvolvimento e a validação, e comparar tecnologias entre si. Segundo a Embrapa, como a linguagem é a mesma para todos, gestores, equipes e parceiros externos entendem em que fase o trabalho está e quanto falta para concluí-lo. A Embrapa adotou a escala em 2018 para as tecnologias geradas em seus projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Os nove níveis, segundo o anexo da Finep

O Anexo 5 da chamada de Tecnologias Digitais da Finep define o nível de maturidade tecnológica como a sistemática que permite avaliar, em um dado momento, a maturidade de uma tecnologia. O anexo descreve cada nível pelas entregas ou resultados ligados a ele e informa que segue a norma ISO 16290:2013, escrita para sistemas espaciais, que o ConnectWeek não leu. Em resumo do ConnectWeek, com os termos do anexo:

  • TRL 1: os princípios básicos foram observados e reportados;
  • TRL 2: o conceito tecnológico ou a aplicação foram formulados;
  • TRL 3: a função crítica foi estabelecida por análise ou por experimento, ou há prova de conceito (demonstração de que a tecnologia é viável);
  • TRL 4: os componentes tiveram o funcionamento validado em laboratório;
  • TRL 5: as funções críticas dos componentes foram validadas em ambiente relevante;
  • TRL 6: o protótipo demonstrou as funções críticas em ambiente relevante;
  • TRL 7: o protótipo do sistema foi demonstrado em ambiente operacional;
  • TRL 8: o sistema está qualificado e finalizado;
  • TRL 9: o sistema opera e está comprovado em todos os aspectos da sua missão operacional.

O anexo não diz o que conta como "ambiente relevante" nem como "ambiente operacional". A explicação está nas perguntas frequentes da chamada, documento com data de 2 de junho de 2026 que se apresenta como material de auxílio e avisa que não substitui o regulamento nem os anexos. Ele traz uma tabela com o foco de cada nível. Ali, o ambiente relevante é um ambiente simulado, que imita as condições reais de operação, e o ambiente operacional é o real ou muito próximo do real. A mesma tabela situa o nível 3 no laboratório, onde se demonstra a viabilidade da tecnologia, e descreve o 8 como o sistema pronto para produção ou implementação.

A NASA escreve para projetos espaciais, e os três últimos níveis dela trazem esse vocabulário: no 7, o protótipo é demonstrado no espaço; no 8, a tecnologia foi testada e qualificada para voo; no 9, foi comprovada em uma missão bem-sucedida.

A Embrapa dá a cada nível um nome curto, que ela chama de definição síntese. Do 1 ao 9: ideação, concepção, prova de conceito, otimização, prototipagem, escalonamento, demonstração em ambiente operacional, produção e produção continuada. Dois deles repetem palavras do anexo da Finep: prova de conceito, no nível 3, e demonstração em ambiente operacional, no 7.

TRL e MRL: produto e processo de produção

A página da Embrapa trata de duas escalas juntas. A TRL classifica a maturidade de um produto, que a Embrapa chama de ativo tangível. A MRL, de Manufacturing Readiness Level, classifica a maturidade de um processo de produção, chamado de ativo intangível. As duas têm nove níveis e os mesmos nomes curtos.

A descrição muda de uma coluna para a outra. No nível 4, por exemplo, a tabela da Embrapa pede, na TRL, a validação de componentes em laboratório e, na MRL, a capacidade de produzir a tecnologia em laboratório. No nível 9, a TRL fala em sistema já operado em todas as condições, e a MRL, em produção estabelecida. O anexo da Finep lido para este texto define só a TRL.

Como a chamada da Finep usa a escala

A chamada que o ConnectWeek leu é a seleção pública de subvenção econômica à inovação Finep Mais Inovação Brasil, Rodada 2, Tecnologias Digitais, publicada em 12 de março de 2026, com orçamento de R$ 300 milhões segundo a página. Pelo regulamento, as propostas são apresentadas em fluxo contínuo, isto é, a partir do lançamento da seleção e enquanto ela estiver vigente, mas só até a data limite. Um aviso de 28 de setembro de 2026 mudou essa data de 30 de setembro para 14 de outubro de 2026, às 17h de Brasília, e o regulamento diz que a Finep pode prorrogar o prazo. O Anexo 1 informa que a seleção é válida por 24 meses; os documentos lidos fixam o envio de propostas na data limite.

A escala aparece em quatro pontos dos documentos:

  • Faixa aceita: o Anexo 1 determina que os recursos sejam aplicados em atividades entre os TRLs 3 e 8 durante o prazo de execução do projeto.
  • Ponto de partida: pelo mesmo anexo, o projeto que prevê chegar ao TRL 8 precisa começar entre o TRL 3 e o TRL 6.
  • Eliminação: o Anexo 1 elimina a proposta que não se adequar a esses níveis, e o regulamento inclui a maturidade tecnológica entre os parâmetros do critério "Consistência da Proposta", que é eliminatório.
  • Orçamento: segundo as perguntas frequentes, despesa ligada a atividade fora da faixa de TRL não é elegível e deve sair da proposta antes do envio.

A escala é uma entre várias condições. O Anexo 1 restringe a chamada a linhas temáticas próprias, exige a participação de pelo menos uma instituição científica, tecnológica e de inovação (ICT) e fixa o pedido mínimo em R$ 5 milhões por proposta. O regulamento define ICT como órgão ou entidade da administração pública, ou pessoa jurídica privada sem fins lucrativos com sede no país, que tenha na missão institucional ou no objeto social a pesquisa científica ou tecnológica ou o desenvolvimento de produtos, serviços ou processos novos. A contrapartida financeira é obrigatória: pelo regulamento, o valor total da proposta é a soma do valor pedido à Finep com a contrapartida, aportada por empresas que participam da proposta. O Anexo 1 prevê dois formatos de proposta. No arranjo simples, uma empresa se apresenta com pelo menos uma ICT, e as perguntas frequentes dizem que a proponente pode ser de qualquer porte. No arranjo em rede, a proponente se apresenta com pelo menos duas empresas coexecutoras e pelo menos uma ICT, e ao menos uma das empresas precisa ter receita operacional bruta de R$ 16 milhões ou mais no ano anterior ao do envio da proposta.

A faixa não é a mesma em toda chamada. A página de outra seleção da mesma rodada, a de Subvenção Econômica Regional, fala em atividades entre os TRLs 3 e 9; segundo essa página, o prazo de envio era 9 de abril de 2026.

Outros programas de apoio a startups estão no texto sobre aceleradoras e programas para startups de varejo.

Como situar o seu projeto na escala

As perguntas frequentes da chamada explicam o foco de cada nível, mas nenhum dos documentos lidos traz um roteiro para a empresa se classificar. O que segue é a sugestão do ConnectWeek, montada sobre o Anexo 5, a tabela das perguntas frequentes e a página da NASA:

  1. Use a definição do próprio edital. O Anexo 1 da chamada manda seguir o conceito do Anexo 5. A tabela de outra instituição pode dar nome diferente ao mesmo nível.
  2. Pergunte onde a tecnologia já foi testada. Pela tabela das perguntas frequentes da Finep, o teste em laboratório corresponde aos níveis 3 e 4, o teste em ambiente simulado aos níveis 5 e 6 e a demonstração em ambiente real, ou muito próximo do real, ao 7.
  3. Classifique pela entrega que já existe. O anexo descreve os níveis por entregas e resultados, e a NASA atribui o nível conforme o progresso do projeto. Na leitura do ConnectWeek, o nível atual é o mais alto cuja descrição o projeto já cumpre por inteiro, com relatório de teste, protótipo ou registro de operação que o demonstre.
  4. Confira o nível de partida e o de chegada. Nessa chamada, os dois precisam caber entre o 3 e o 8, e a meta de TRL 8 exige partida até o 6.

A prova de conceito, que aparece no nível 3 do anexo, é um dos resultados que a startup também negocia com grandes empresas, como mostra o texto sobre inovação aberta e o Ranking 100 Open Startups. Quando quem paga o teste é um órgão público, a Lei Complementar nº 182 prevê um contrato próprio, descrito no texto sobre o CPSI e a licitação especial.

Um exemplo hipotético do ConnectWeek, só para ler a escala: uma startup criou um sistema de previsão de demanda, integrou os componentes e os testou em conjunto com dados de amostra, nos próprios computadores. Na leitura do ConnectWeek, isso se aproxima da descrição do TRL 4 na tabela das perguntas frequentes da Finep, que não diz o que é laboratório no caso de software. Se o projeto propõe demonstrar o protótipo completo na operação real de uma rede de lojas, a meta, na mesma leitura, é o TRL 7. O exemplo não foi comparado com as linhas temáticas nem com as demais exigências da chamada de Tecnologias Digitais, e quem decide o enquadramento é a Finep, na análise da proposta.

A proteção da tecnologia desenvolvida é assunto à parte; os caminhos no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) estão no texto sobre patente para startup.

Fonte: Finep

Perguntas frequentes

O que significa TRL?

TRL vem de Technology Readiness Level, traduzido como nível de maturidade tecnológica. A NASA define a escala como um sistema de medida do estágio de uma tecnologia: o projeto é comparado com os parâmetros de cada nível e recebe uma classificação de 1, a mais baixa, a 9, a mais alta. A Finep usa a mesma sigla nos documentos da chamada de subvenção lida para este texto.

Quais são os nove níveis da escala TRL?

O Anexo 5 da chamada de Tecnologias Digitais da Finep, de 2026, descreve os nove. Em resumo do ConnectWeek: o 1 e o 2 são os princípios básicos observados e o conceito formulado. O 3 é a função crítica estabelecida ou a prova de conceito. O 4 e o 5 são a validação dos componentes em laboratório e a das funções críticas deles em ambiente relevante. O 6 e o 7 são o protótipo que demonstra as funções críticas em ambiente relevante e o protótipo do sistema em ambiente operacional. O 8 é o sistema qualificado e finalizado e o 9, o sistema comprovado em operação. A Embrapa e a NASA descrevem a maior parte dos níveis com outra redação.

Como descobrir em que nível de TRL está o meu projeto?

As perguntas frequentes da chamada de Tecnologias Digitais da Finep explicam o foco de cada nível: teste em laboratório nos níveis 3 e 4, em ambiente simulado nos níveis 5 e 6 e em ambiente real, ou muito próximo do real, no 7. Nenhum dos documentos lidos traz um roteiro de classificação. A sugestão do ConnectWeek é partir da definição que o próprio edital adota e procurar o nível mais alto cuja descrição o projeto já cumpre por inteiro, com evidência como relatório de teste ou protótipo. Quem decide o enquadramento é a Finep, na análise da proposta.

Qual a diferença entre TRL e MRL na escala da Embrapa?

Na página da Embrapa, a TRL classifica a maturidade de um produto, chamado de ativo tangível, e a MRL (Manufacturing Readiness Level) classifica a de um processo de produção, chamado de ativo intangível. As duas escalas têm nove níveis com os mesmos nomes curtos, da ideação à produção continuada, e descrições diferentes em cada coluna da tabela.

Que nível de TRL um edital de inovação exige?

Depende do edital. O Anexo 1 da chamada Finep Mais Inovação Brasil, Rodada 2, Tecnologias Digitais, com data limite de envio de propostas fixada em 14 de outubro de 2026, limita o apoio a atividades entre os TRLs 3 e 8, e o projeto que mira o TRL 8 precisa começar entre o 3 e o 6. A página da chamada de Subvenção Econômica Regional, da mesma rodada, fala em TRLs 3 a 9.

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