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Inovação aberta: o que é e como o Ranking 100 Open Startups pontua a startup

Em resumo

Inovação aberta é a prática de uma organização inovar em colaboração com gente de fora dela, como startups e universidades. O Ranking 100 Open Startups dá pontos a cada relação formal entre startup e grande empresa: 1, 5, 10 ou 20, conforme o tipo. O teste pago de uma solução (prova de conceito remunerada) e o fornecimento recorrente valem 10 pontos cada. Para a startup, conta só a melhor relação com cada empresa.

Inovação aberta é a prática de uma organização inovar em colaboração com gente de fora dela, como startups, universidades e fornecedores. Para a startup, essa colaboração com uma grande empresa vai de uma mentoria a um contrato de fornecimento ou a um investimento. O Ranking 100 Open Startups, publicado desde 2016 pela plataforma 100 Open Startups, dá pontos a cada relação formal desse tipo: 1, 5, 10 ou 20, conforme o regulamento da edição 2026.

O ConnectWeek leu, em 13 de outubro de 2026, seis documentos da 100 Open Startups: o regulamento (com data de última atualização em 16 de abril de 2026), a página do ranking para startups, a página "Sobre", a página inicial do ranking, uma nota técnica de 5 de junho de 2026 sobre o cronograma e o site do Open Innovation Awards, a cerimônia de premiação. Tudo o que este texto diz sobre o ranking vem da própria organização que o publica. A segunda organização consultada foi a Petrobras, e só como exemplo de onde uma grande empresa divulga desafios (problemas para os quais pede propostas de solução) para startups.

O que é inovação aberta, na definição do regulamento

O regulamento define inovação aberta (que ele grafa também em inglês, open innovation) como a inovação feita em colaboração com atores de fora da organização. Nessa colaboração circulam, de propósito, conhecimento, tecnologia, ativos e capacidades, para desenvolver, validar, comprar, vender ou dar escala a uma solução. O documento avisa que as definições dele são operacionais: valem para medir e auditar o ranking e, em caso de divergência com o uso corrente do mercado, prevalecem no ranking. A startup que leva tecnologia própria a esse tipo de colaboração encontra no texto sobre como pedir patente no INPI os tipos de pedido, os valores e quem pode requerer o trâmite prioritário.

Para o ranking, o que conta é o relacionamento formal entre duas organizações. O regulamento diz que relacionamento não formalizado não vale ponto. Também não pontua, para startups e para as empresas, o tipo "matchmaking e conexões", que o anexo do regulamento descreve como registros sem formalização de relacionamento ou contrato.

A expressão também aparece do lado das empresas. A Petrobras apresenta o Conexões para Inovação como o seu programa de inovação aberta e diz que ele reúne iniciativas para aproximar a companhia de universidades e instituições de ciência e tecnologia, de startups, de empresas e de pesquisadores.

Os 15 tipos de relação entre startup e grande empresa

O regulamento lista 15 tipos de relacionamento, divididos em quatro grupos, e dá a cada grupo uma pontuação-base. As explicações entre parênteses resumem as definições do anexo do documento.

GrupoPontosTipos de relacionamento
A, posicionamento1Capacitação e mentoria (programa patrocinado pela empresa, com trilha e acompanhamento); reconhecimento e premiações (prêmio ou seleção como destaque); espaços de coworking (acesso formal a um espaço da empresa por período definido); vouchers de serviço e tecnologia (serviço ou tecnologia de graça ou com subsídio)
B, plataforma e parcerias5Licenciamento de propriedade intelectual da grande empresa para a startup; acesso a recursos não financeiros (laboratório, equipamento, base de dados); acesso à base de colaboradores (teste do produto com funcionários); acesso à base de clientes e canais de venda (revenda, venda conjunta, indicação estruturada); programa de aceleração
C, desenvolvimento de fornecedores10Recursos para pesquisa, desenvolvimento e prototipagem (dinheiro para o projeto, sem participação societária); licenciamento de propriedade intelectual da startup para a empresa; prova de conceito remunerada; fornecimento recorrente
D, investimento20Investimento com participação acionária minoritária acima de US$ 200 mil; aquisição e incorporação acima de US$ 200 mil

Um tipo do grupo A e um do grupo B têm texto próprio no ConnectWeek. O anexo cita o crédito de nuvem concedido para desenvolvimento e testes como exemplo de voucher; as condições desses programas estão em créditos de nuvem para startups. O programa de aceleração, pelo anexo, pode incluir apoio financeiro inferior a US$ 200 mil; os programas e editais para startups de varejo estão no texto sobre aceleradoras e programas para startups de varejo.

Prova de conceito paga e fornecimento recorrente

Os dois tipos do grupo C que tratam de venda são a prova de conceito remunerada e o fornecimento recorrente. Prova de conceito é um teste que demonstra se a solução funciona. No anexo do regulamento, a remunerada é a contratação desse teste com pagamento à startup, com escopo, prazo e critérios de aceitação definidos, em geral como etapa anterior a uma contratação recorrente. Um dos exemplos do documento é o teste pago em uma unidade ou linha da empresa para medir indicadores antes de expandir.

O fornecimento recorrente, que o regulamento também chama de venture client, é a contratação do produto ou serviço da startup em uso operacional e continuado. O anexo diz que ele vai além do teste pontual e caracteriza relação de cliente e fornecedor, com possibilidade de renovação ou expansão. Um dos exemplos do documento é um contrato de assinatura anual que se renova e passa a atender mais áreas ou usuários. Antes de assinar um contrato de fornecimento, a empresa grande pode pedir à startup um documento de segurança da informação; o que são dois deles, o relatório SOC 2 e o certificado ISO/IEC 27001, está no texto sobre SOC 2 e ISO 27001 para a startup que vende software a empresa grande.

Cada um desses dois tipos vale 10 pontos, com uma exceção: o contrato que paga à startup mais de US$ 200 mil vale 20 pontos de base, qualquer que seja o tipo declarado. O regulamento fixa a conversão em R$ 5,40 por dólar. Por essa taxa, na conta do ConnectWeek, US$ 200 mil equivalem a R$ 1,08 milhão.

Como a pontuação é somada

A startup registra o relacionamento em um formulário na plataforma, e a empresa indicada é chamada a confirmar que ele existe. O regulamento separa essa validação da auditoria. A auditoria que apura pontuação e posição é feita para quem se inscreve nela; fora disso, a organização pode fazer auditorias pontuais, por amostragem, em qualquer participante. O auditor pode mudar o tipo declarado e, com isso, os pontos.

Para a startup, conta apenas a melhor relação com cada empresa. Um exemplo hipotético do ConnectWeek: uma startup tem mentoria (1 ponto) e prova de conceito remunerada (10 pontos) com a empresa X, fornecimento recorrente (10 pontos) com a empresa Y e acesso a laboratório (5 pontos) com a empresa Z. A base é 10 + 10 + 5 = 25 pontos; a mentoria com a empresa X não soma.

Sobre essa base entram as bonificações da metodologia que o regulamento anuncia para o período de 2026 a 2035. Elas podem se acumular:

  • valor total dos contratos entre a mesma startup e a mesma empresa no período: de US$ 500 mil a US$ 1 milhão, mais 10 pontos; de US$ 1 milhão a US$ 2 milhões, mais 20; de US$ 2 milhões a US$ 5 milhões, mais 40; a partir de US$ 5 milhões, mais 1 ponto a cada US$ 100 mil, com limite de 200;
  • renovação anual de contrato de US$ 200 mil ou mais: 20 pontos por renovação, até 100;
  • contrato internacional, executado no exterior por startup nacional ou no país da contratante por startup estrangeira: 20 pontos;
  • caso (o relato estruturado de um relacionamento entre startup e empresa, com contexto, solução e resultados) levado ao Congresso Latino-Americano de Casos de Open Innovation: 30 pontos, para a startup e para a empresa, computados só para quem está inscrito e aprovado na auditoria, com a condição descrita abaixo.

Na bonificação por caso, os documentos usam redações diferentes. No item que fixa a pontuação, o regulamento dá os 30 pontos ao caso aprovado e inscrito para apresentação no congresso. Em outro item, o mesmo documento trata a apresentação e a publicação do caso nos anais (a coletânea dos trabalhos) do congresso como requisito da bonificação. A nota técnica de 5 de junho de 2026 diz que só os casos efetivamente selecionados e apresentados nas sessões técnicas podem gerar a bonificação.

Quem entra como startup e quem entra como scaleup

O ranking separa a startup em estágio inicial, que ele chama de Open Startup, da scaleup, a startup em fase de escala. Para participar como startup em estágio inicial, ela precisa estar cadastrada na plataforma, ter contratos ou relacionamentos com grandes empresas ativos no ano-base (o período que a edição considera; na de 2026, de 1º de julho de 2025 a 30 de junho de 2026), não ser controlada por corporação, preencher o formulário e registrar ou validar os relacionamentos. Corporação controladora, no regulamento, é a empresa com mais de 100 funcionários ou faturamento anual acima de US$ 20 milhões. A startup controlada por uma corporação pode participar como scaleup.

Para disputar as listas de Open Startups, há dois tetos: faturamento de até US$ 2,5 milhões em 2025 e investimento recebido de até US$ 2,5 milhões até 31 de dezembro de 2025. Quem passa de um deles concorre como scaleup. Também vira scaleup a startup com 100 ou mais clientes corporativos em contratos dos grupos C ou D. Com faturamento acima de US$ 20 milhões em 2025, a empresa concorre como corporação. Pela taxa do regulamento, na conta do ConnectWeek, US$ 2,5 milhões são R$ 13,5 milhões.

O regulamento prevê ainda uma regra de rotatividade: a startup já listada em pelo menos três edições, cuja pontuação e cuja quantidade de contratos caiam mais de 10% de uma edição para a outra, pode ficar fora da lista. O ranking aceita startups e empresas de fora do Brasil. A definição de startup na lei brasileira é outro assunto, tratado em o que é startup.

As etapas, do cadastro à publicação

A participação é organizada em etapas, e passar de uma para a outra não é automático. Cadastrar-se na plataforma e registrar relacionamentos é a parte aberta: a página do ranking para startups informa que essa etapa é gratuita para todos e que o registro pode ser feito a qualquer momento. Quem para aí recebe um extrato dos registros e uma indicação estimada da posição relativa, sem posição oficial.

Para concorrer a uma posição, a startup se inscreve na auditoria. Na edição 2026, a inscrição era gratuita para startups em estágio inicial e custava 2 Open Coins para scaleups e corporações. Open Coin é uma unidade interna da plataforma. O regulamento, a página "Sobre" e a página para startups não trazem o valor dela em reais. Segundo o primeiro, a forma de aquisição é informada no fluxo de inscrição.

Entrar na publicação oficial exige quatro coisas ao mesmo tempo: inscrição na auditoria, aprovação nela, atendimento dos critérios da categoria e pelo menos um caso com resumo aprovado no congresso de casos. Depois vem a premiação, no Open Innovation Awards, evento com regras e custos próprios.

Três avisos do regulamento ajudam a ler o resultado. O ranking não dá direito a prêmio em dinheiro. A organização pode divulgar só recortes, como os 10 ou os 100 primeiros, sem obrigação de publicar a lista completa. E o resultado tem finalidade informativa e comparativa: o texto diz que ele não é recomendação de investimento, certificação de compliance (conformidade com regras) nem garantia de desempenho.

O calendário da edição 2026 e o que fica para a seguinte

A edição 2026, a 11ª, considerou contratos ativos em qualquer dia entre 1º de julho de 2025 e 30 de junho de 2026. Os prazos do regulamento já passaram: cadastro até 15 de junho de 2026, para entrar em toda a campanha de validação, confirmação pela outra parte até 15 de julho de 2026 (20h59 no horário de Brasília) e resultado da auditoria na plataforma até 30 de julho. A nota técnica previa para 12 de agosto o fim do período de reconsideração e a publicação da auditoria final.

A data do anúncio aparece de três formas nos documentos lidos. A nota técnica de 5 de junho dava 16 de novembro de 2026 para a noite de premiação, com a ressalva de que a data dependia de confirmação. A página para startups listava, em 13 de outubro de 2026, "19/10/2026" como o dia do Open Innovation Awards e do anúncio do ranking. O site do Open Innovation Awards, na mesma data, informava 23 de novembro de 2026, no Jockey Club de São Paulo. O ConnectWeek não tem como dizer qual vale; quem acompanha o resultado deve conferir no site do evento.

Também em 13 de outubro de 2026, a página inicial do ranking ainda mostrava os vencedores de 2025, da 10ª edição, e informava mais de 54 mil relacionamentos registrados entre corporações e startups naquela edição.

Para quem fecha contrato agora, o regulamento diz que relacionamentos cadastrados ou validados depois do corte de 15 de julho de 2026 podem compor a edição 2027, desde que a vigência coincida com o ano-base dela. O documento lido não traz o calendário de 2027.

Onde as grandes empresas publicam desafios: o exemplo da Petrobras

A Petrobras publica em página própria o que procura fora da companhia. O portal Conexões para Inovação tem uma lista de desafios com título, módulo, situação e data-limite para envio de proposta. Em 13 de outubro de 2026, havia desafios com situação "Aberto" em seis módulos: Aquisição de Soluções, Cooperações Tecnológicas, Open Lab, Petrobras Innovation Ventures, Startups e Transferência de Tecnologias. A página avisava que parte do conteúdo estava temporariamente removida por causa do período eleitoral.

O ConnectWeek sugere que a startup, antes de responder a um desafio, confira quatro pontos na página e no edital:

  1. que tipo de relação a empresa oferece: teste sem pagamento, prova de conceito remunerada, contrato de fornecimento ou investimento;
  2. a data-limite e o que precisa ser enviado;
  3. os critérios de aceitação do teste e o que acontece se ele der certo;
  4. o que o edital diz sobre a propriedade do que for desenvolvido, ponto para levar a um advogado antes de assinar.

A empresa que compra também avalia o risco de depender de uma startup. O texto sobre investimento em startups de varejo traz uma lista de verificação para quem contrata uma startup como fornecedor, útil para antecipar as perguntas que o cliente vai fazer.

Fonte: 100 Open Startups

Perguntas frequentes

O que é inovação aberta?

É inovar junto com quem está fora da organização: startups, universidades, fornecedores, pesquisadores. O regulamento do Ranking 100 Open Startups descreve a prática como colaboração em que conhecimento, tecnologia e outros recursos circulam de propósito entre as partes, para desenvolver, testar, comprar ou vender uma solução. Para a startup, isso vai de uma mentoria a um contrato de fornecimento.

Como o Ranking 100 Open Startups pontua uma startup?

Cada relação formal com uma grande empresa vale 1, 5, 10 ou 20 pontos, conforme o grupo a que pertence o tipo de relação; o regulamento da edição 2026 lista 15 tipos em quatro grupos. Só a melhor relação com cada empresa entra na soma. Contrato acima de US$ 200 mil vale 20 pontos de base em qualquer tipo. Sobre a base entram bonificações por valor, renovação, contrato internacional e por caso (relato de uma relação entre startup e empresa) levado ao congresso de casos da organização; os documentos divergem sobre a exigência de o caso ser apresentado.

O que é uma prova de conceito remunerada?

É um teste pago: a grande empresa contrata a startup para demonstrar que a solução funciona, com escopo, prazo e critérios de aceitação combinados antes. No regulamento do Ranking 100 Open Startups, ela costuma anteceder um contrato recorrente e vale 10 pontos, a mesma pontuação do fornecimento recorrente.

Onde as grandes empresas publicam os desafios para startups?

A Petrobras, por exemplo, publica no portal do programa Conexões para Inovação, que lista cada desafio com módulo, situação e data-limite para proposta. Em 13 de outubro de 2026 havia desafios abertos em seis módulos, um deles chamado Startups. Foi a única página de empresa que o ConnectWeek leu para este texto; ela serve de exemplo, não de retrato do mercado.

Participar do Ranking 100 Open Startups é pago?

Registrar os relacionamentos na plataforma é gratuito, segundo a página do ranking para startups. Na edição 2026, a inscrição na auditoria, necessária para ter posição oficial, também era gratuita para startups em estágio inicial e custava 2 Open Coins, unidade interna da plataforma, para scaleups (startups em fase de escala) e para corporações, as empresas médias e grandes que o regulamento divide em Middle Market e Enterprise. A cerimônia de premiação tem custos próprios.

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