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Créditos de nuvem para startups: o que AWS, Google, Microsoft e GitHub oferecem
Em resumo
Crédito de nuvem para startups é um saldo promocional que abate a fatura de servidores e outros serviços de computação em nuvem. Em 13 de outubro de 2026, Amazon Web Services (AWS), Google Cloud, Microsoft e GitHub anunciavam créditos com valor máximo de US$ 10 mil a US$ 350 mil. Na maioria, o valor mais alto depende de investidor ou aceleradora parceira. Sem investidor, três têm oferta de entrada de até US$ 5 mil.
Crédito de nuvem para startups é um saldo promocional, em dólares, que o provedor lança na conta da empresa para abater a fatura dos serviços de computação em nuvem: servidores, banco de dados, armazenamento e modelos de inteligência artificial alugados pela internet. Não é dinheiro na conta bancária nem investimento na empresa. Essa definição e as explicações de termos entre parênteses são do ConnectWeek. Amazon Web Services (AWS), Google Cloud, Microsoft e GitHub mantêm programas desse tipo. Na consulta feita pelo ConnectWeek em 13 de outubro de 2026, o valor máximo de cada programa ia de US$ 10 mil, no GitHub, a US$ 350 mil, no Google Cloud para startups de inteligência artificial (IA). A AWS falava em mais de US$ 200 mil para startups de IA convidadas, sem informar o máximo. Na AWS, no Google e no GitHub, os valores mais altos dependem de a startup ter investidor ou estar ligada a um parceiro do provedor. Na Microsoft, o investidor muda o valor de partida. Quem ainda não tem investidor encontra uma oferta de entrada, de valor menor, em três dos quatro programas. Os valores mais altos são tetos ("até"), e todos dependem da aprovação de cada empresa.
Quanto cada programa anuncia
O quadro resume o que as páginas oficiais informavam em 13 de outubro de 2026. Os links de cada fonte estão nas seções seguintes.
| Programa | Sem investidor | Com investidor ou parceiro | Validade informada |
|---|---|---|---|
| AWS Activate | US$ 1.000 de início, até US$ 5.000 (nível Founders) | até US$ 200.000 (nível Portfolio) | em geral de 1 a 2 anos, conforme o pacote |
| Google Cloud for Startups | US$ 2.000 (nível Start) | até US$ 200.000, ou até US$ 350.000 para startups de IA (nível Scale) | 12 meses no Start; 2 anos no Scale |
| Microsoft para Startups | US$ 1.000 por 90 dias e mais US$ 4.000 por 180 dias, como oferta inicial | com código de indicação, a maioria das startups começa com US$ 100.000 | até 2 anos depois da ativação |
| GitHub for Startups | não há: o programa exige parceiro e financiamento externo | US$ 10.000 | até 12 meses |
Na Microsoft, o teto de US$ 150.000 é anunciado para o programa como um todo e liberado ao longo do tempo. A página de créditos da AWS informa que todos os créditos do Activate são em dólares americanos. Este texto mantém os valores em dólar, como as páginas publicam, sem conversão para reais.
AWS Activate: dois níveis e um código do investidor
A página de créditos do AWS Activate, que abre em inglês mesmo no endereço em português, lista os requisitos gerais do programa: a startup não pode ter chegado à Série B (as rodadas de investimento costumam ser chamadas, em ordem, de pré-semente, semente, Série A, Série B e Série C), precisa ter sido fundada nos últimos dez anos e deve ter uma conta da AWS no plano pago. Além disso, tem de ser nova nos créditos do Activate ou pedir um valor maior do que já recebeu.
O nível Activate Founders é para a startup que se financia com recursos próprios. Começa em US$ 1.000, e participantes selecionados podem chegar a US$ 5.000. O nível Activate Portfolio vai até US$ 200.000 e exige um código chamado Org ID. Quem fornece o código é um Activate Provider, nome que a AWS dá a aceleradoras (programas que apoiam empresas novas), investidores-anjo, fundos de capital de risco (que investem em empresas novas em troca de participação) e outras organizações de apoio a startups, desde que cadastrados na rede dela. Acima desse valor há créditos para startups de inteligência artificial, só por convite.
O guia Everything you need to know about AWS Activate Credits, da própria AWS, acrescenta um requisito aos dois níveis: site da empresa em pleno funcionamento. No Portfolio, quem já captou investimento precisa ter fechado a rodada mais recente nos últimos 12 meses e pedir o crédito dentro desse prazo.
O prazo de resposta aparece com dois números. A página de créditos diz que o retorno chega em 5 a 10 dias úteis; o guia fala em cerca de 7 a 10 dias úteis.
Google Cloud for Startups: o nível Start e o nível Scale
O Google separa o programa pelo estágio de financiamento. A página para startups sem financiamento descreve o nível Start, com US$ 2.000 em créditos válidos por 12 meses. Para entrar, a empresa precisa ser uma startup de tecnologia com um MVP funcional (sigla em inglês de produto mínimo viável, a primeira versão que já pode ser mostrada a clientes), ter um modelo de negócios claro e planos de buscar capital de risco em breve. Precisa ter sido fundada nos últimos 24 meses e não pode ter recebido créditos do Google Cloud além do teste gratuito. A página exclui agências de serviços, consultorias e pequenas empresas tradicionais. O MVP é a primeira versão; saber se ela encontrou quem a queira é a etapa seguinte, tratada em Product-market fit: a pesquisa dos 40% e outros sinais.
A página para startups em fase inicial descreve o nível Scale. Ele faz três exigências: aporte de um investidor institucional (ou das fontes de financiamento de Web3 que a página aceita), em rodada da pré-semente à Série A; fundação nos últimos 5 anos; e no máximo US$ 5.000 já recebidos em créditos do Google Cloud. A nota da página define o que conta como investimento recente: rodada pré-semente ou semente nos últimos 5 anos, ou Série A nos últimos 12 meses. Dinheiro próprio, subsídio público de inovação, financiamento coletivo, investimento-anjo e aporte de amigos e familiares não qualificam a startup para o Scale; nesses casos, a empresa é avaliada para os outros níveis do programa.
Os US$ 200.000 do Scale não entram de uma vez. A nota de rodapé da página divide o valor em dois anos:
- Primeiro ano: o crédito cobre 100% do gasto, até US$ 100.000. Para startups de inteligência artificial, até US$ 250.000.
- Segundo ano: o Google devolve em crédito 20% do que a startup gastar, até mais US$ 100.000.
No segundo ano, portanto, a empresa paga a maior parte da fatura. Pela regra dos 20%, o teto de US$ 100.000 em crédito só é alcançado por quem gastar US$ 500.000 no ano; a conta é do ConnectWeek, feita com os números da página (100.000 dividido por 0,20).
Microsoft para Startups: crédito que cresce com o uso
A página do programa anuncia até US$ 150.000 em créditos. A visão geral na documentação da Microsoft, que exibia 1º de junho de 2026 como data da última atualização, explica que esse teto é liberado ao longo do tempo, conforme a startup mostra progresso e uso contínuo do Azure, a nuvem da empresa. Pela mesma página, pode se inscrever a empresa privada, com fins lucrativos, que desenvolve um produto ou serviço de software próprio e está sediada em país onde o Azure funciona. Ficam de fora quem já captou rodada Série C ou posterior, quem já recebeu mais de US$ 350.000 em créditos gratuitos do Azure, instituições de ensino, órgãos de governo, consultorias, agências e empresas que mineram criptomoedas.
As perguntas frequentes do programa detalham os dois caminhos. Quem não trabalha com investidor e é novo no Azure começa com US$ 1.000, válidos por 90 dias, e recebe, depois da verificação comercial da empresa, mais US$ 4.000, válidos por 180 dias. A oferta para quem tem investidor exige um código de indicação, dado por fundo, aceleradora, incubadora, rede de anjos ou universidade participante; nela, a maioria das startups começa com US$ 100.000. A análise da inscrição leva cerca de três dias úteis.
Dois prazos da mesma página merecem atenção. Os créditos precisam ser ativados em até 90 dias depois do aceite do contrato do programa, ou a oferta expira. Ativados, valem por até 2 anos, sem prorrogação. A ativação pede um cartão de crédito.
GitHub for Startups: só para quem tem parceiro e investimento
O GitHub é uma plataforma de hospedagem de código. A página do GitHub for Startups oferece US$ 10.000 em créditos para usar nos produtos pagos da plataforma, como o GitHub Enterprise e o GitHub Copilot, o assistente de programação. Pelas perguntas frequentes da página, a startup precisa cumprir quatro condições: ser afiliada a um parceiro do programa, ter recebido financiamento externo até a Série B, não ter usado um plano GitHub Enterprise nos últimos seis meses e nunca ter recebido créditos do GitHub nem licenças do GitHub Enterprise.
Os termos resumidos ali trazem três pontos que pesam na decisão. A oferta só pode ser resgatada uma vez, e quem já recebeu créditos do GitHub Enterprise por meio da Microsoft não recebe de novo. Os créditos valem por até 12 meses a partir da aprovação. E a conta precisa ter um meio de pagamento válido: sem ele, a página avisa que a conta é bloqueada.
O que acontece quando o crédito acaba ou vence
As perguntas frequentes do Microsoft para Startups e a página do GitHub for Startups descrevem o que vem depois e dizem a mesma coisa: quando o saldo termina ou o prazo vence, o serviço continua ligado e passa a ser cobrado no meio de pagamento cadastrado. A Microsoft descreve a mudança como transição automática para o pagamento conforme o uso; o GitHub, como transição automática para a cobrança padrão.
Na AWS, o guia do Activate informa que os créditos abatem as cobranças novas, mês a mês, e não cobrem faturas anteriores. A startup não escolhe em qual serviço o saldo será usado: ele é aplicado automaticamente a todas as cobranças elegíveis até acabar ou vencer. No Google Cloud, a regra do segundo ano do nível Scale já prevê pagamento: o crédito cobre 20% do gasto, e o restante fica com a startup.
Na avaliação do ConnectWeek, quem monta o orçamento deve tratar a data de vencimento do crédito como a data em que a cobrança integral começa. Vale anotá-la no dia da aprovação e desligar antes dela o que não estiver em uso. A startup que vende aplicativo para lojas virtuais tem outro item a prever no orçamento, a parte da receita que a plataforma retém; a regra da Shopify e o que a Nuvemshop publica estão no texto sobre as regras para publicar aplicativo nas plataformas de e-commerce.
O que o crédito não cobre
AWS, Google Cloud e Microsoft têm, cada um, a sua lista de exclusões, e os três tratam de forma diferente os modelos de inteligência artificial de outras empresas: a AWS inclui no crédito os que oferece no Bedrock, o Google cobra esses modelos à parte e a Microsoft cobre só os que o próprio Azure vende.
- AWS. O guia do Activate diz que os créditos valem em mais de 200 serviços e também nos modelos de terceiros oferecidos no Amazon Bedrock, o serviço de modelos de IA da AWS. Entre os exemplos do que fica de fora estão serviços profissionais, treinamento e certificação.
- Google Cloud. As páginas do nível Start e do nível Scale informam que os créditos cobrem os modelos do próprio Google e que os modelos de terceiros são cobrados à parte. As perguntas frequentes acrescentam que o crédito não vale para ofertas de terceiros, incluindo as do Google Cloud Marketplace, o catálogo de software e serviços de terceiros da plataforma.
- Microsoft. A página sobre o uso dos créditos, na documentação, informa que os modelos vendidos diretamente pelo Azure e cobrados na assinatura são cobertos, e que os modelos de parceiros e da comunidade têm cobrança separada. Pela mesma página, produto que não é do Azure, plano de suporte da Microsoft e compra no Azure Marketplace podem não ser cobertos. As perguntas frequentes do programa avisam que a startup é cobrada, mesmo com saldo, quando usa um serviço fora da cobertura.
Como escolher onde pedir e quando
O primeiro filtro é o investidor. Sem ele, as opções são o Founders da AWS, o Start do Google e a oferta inicial da Microsoft, com valores de entrada entre US$ 1.000 e US$ 5.000. Com investidor ou aceleradora, a primeira pergunta a fazer a eles é se são parceiros cadastrados de cada provedor, porque são esses parceiros que fornecem o Org ID da AWS e o código de indicação da Microsoft. O ConnectWeek reuniu programas brasileiros em Aceleradoras e programas para startups de varejo no Brasil em 2026; a parceria de cada um com os provedores precisa ser confirmada com o próprio programa.
O segundo filtro é o momento. A AWS recomenda, no guia do Activate, pedir o crédito quando a startup estiver pronta para aumentar o uso, para aproveitar o saldo antes do vencimento. No Portfolio, o prazo de 12 meses depois da última rodada limita essa espera. No Ranking 100 Open Startups, que pontua as relações formais entre startups e grandes empresas, o crédito de nuvem aparece, no regulamento da edição 2026, como exemplo de voucher de serviço e tecnologia, tipo que vale 1 ponto; os outros 14 tipos estão no texto sobre inovação aberta e a pontuação do Ranking 100 Open Startups.
O terceiro é a definição de startup de cada programa, que não é a da lei brasileira. Os requisitos falam em estágio de investimento, idade da empresa e tipo de produto. Os critérios do Marco Legal das Startups, que valem para outros fins, estão em O que é startup: a definição da lei brasileira.
Quem usa modelos de inteligência artificial por API (a conexão entre o sistema da empresa e o modelo) deve conferir antes se o modelo escolhido entra no crédito do provedor. O cálculo dessa fatura está em Orçamento de IA na pequena empresa em 2026.
Fonte: Amazon Web Services
Perguntas frequentes
Startup sem investidor consegue crédito de nuvem?
Consegue, em valores menores. Em 13 de outubro de 2026, o nível Founders da AWS começava em US$ 1.000 e podia chegar a US$ 5.000; o nível Start do Google Cloud dava US$ 2.000 a startups fundadas nos últimos 24 meses; e a Microsoft dava a quem é novo no Azure, a nuvem da empresa, US$ 1.000, mais US$ 4.000 depois da verificação comercial. O GitHub exige parceiro do programa e financiamento externo.
Crédito de nuvem é dinheiro que a startup recebe?
Não. É um saldo que o provedor lança na conta de serviços da empresa e que só serve para abater cobranças dos serviços aceitos pelo programa. Na AWS, por exemplo, o saldo vale para cobranças novas e não paga faturas anteriores. A definição de crédito de nuvem usada aqui é do ConnectWeek.
Por quanto tempo os créditos de nuvem valem?
Varia por programa, pelas páginas lidas em 13 de outubro de 2026. Na AWS, em geral de 1 a 2 anos, conforme o pacote. No Google Cloud, 12 meses no nível Start e 2 anos no Scale. Na Microsoft, até 2 anos contados da ativação, que precisa ser feita em até 90 dias; na oferta inicial de quem não tem investidor, os primeiros US$ 1.000 valem 90 dias e os US$ 4.000 seguintes, 180 dias. No GitHub, até 12 meses.
O que acontece quando o crédito de nuvem acaba?
Na Microsoft e no GitHub, o serviço segue ativo e a cobrança passa automaticamente para o meio de pagamento cadastrado, pelo preço normal. As páginas da AWS e do Google Cloud lidas para este texto não descrevem essa passagem. Por isso o ConnectWeek recomenda anotar a data de vencimento do saldo e desligar antes o que não estiver em uso.
Os US$ 200 mil do Google Cloud entram de uma vez?
Não. Pela nota da página do nível Scale, o primeiro ano tem crédito de 100% do gasto até US$ 100.000 (até US$ 250.000 para startups de inteligência artificial). No segundo ano, o Google devolve em crédito 20% do gasto, até mais US$ 100.000.

