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StartupsArtigoDados com fonte declarada

Startup unicórnio: o que é, quantas existem e quais brasileiras estão nas listas

Em resumo

Unicórnio é a startup de capital fechado, sem ações na bolsa, avaliada por investidores em US$ 1 bilhão ou mais. O total depende da lista: em 13 de outubro de 2026, a lista da CB Insights contava 1.447 empresas no mundo e a da Crunchbase, 1.905. Classificadas como do Brasil, eram 20 em uma e 21 na outra; 18 nomes se repetiam.

Unicórnio é o apelido dado à startup de capital fechado, isto é, sem ações negociadas em bolsa, que os investidores avaliam em US$ 1 bilhão ou mais. As listas não chegam ao mesmo total: cada uma usa o próprio critério e a própria data. Em 13 de outubro de 2026, o contador da lista publicada pela empresa CB Insights marcava 1.447 empresas no mundo, e o do Crunchbase Unicorn Board, lista da empresa Crunchbase, 1.905. Classificadas como do Brasil, havia 20 empresas na primeira e 21 na segunda; 18 nomes apareciam nas duas.

O ConnectWeek leu três páginas para este texto, todas em inglês: as duas listas, abertas duas vezes cada uma em 13 de outubro de 2026, e o artigo de 2013 que deu nome ao "clube dos unicórnios". As traduções e as explicações entre parênteses são do portal. Este texto não usa levantamentos de entidades brasileiras. Os valores das empresas são os que as listas publicam; o portal não avalia empresa nem recomenda investimento.

De onde vem o termo unicórnio

O termo é atribuído a Aileen Lee, autora de um artigo publicado no site TechCrunch em 2 de novembro de 2013, com o título "Welcome To The Unicorn Club: Learning From Billion-Dollar Startups". Lee é fundadora da Cowboy Ventures, gestora de capital de risco (fundos que compram participação em empresas novas; a explicação é do ConnectWeek). A nota biográfica da autora, na mesma página, diz que ela é conhecida por ter criado o termo. A equipe dela montou uma base de empresas de tecnologia dos Estados Unidos fundadas a partir de janeiro de 2003 e avaliadas em US$ 1 bilhão. O texto conta 39 empresas de software nesse grupo, que chama de "Unicorn Club" (clube dos unicórnios), e calcula que elas eram cerca de 0,07% das startups de software financiadas por capital de risco. A média era de quatro unicórnios novos por ano na década anterior.

O uso mudou desde então. A definição de 2013 aceitava o valor dado por investidores do mercado privado ou da bolsa, e cobria só empresas americanas de software. As duas listas lidas para este texto contam empresas de qualquer país e só as de capital fechado. O que a lei brasileira chama de startup é outro assunto, tratado no texto sobre a definição legal de startup.

O critério e os totais de cada lista em 13 de outubro de 2026

A página da CB Insights define o unicórnio em uma frase: empresa de capital fechado (private company, no original) com avaliação acima de US$ 1 bilhão. A página da Crunchbase tem uma seção de metodologia. Entra na lista a empresa de capital fechado com avaliação de US$ 1 bilhão ou mais, medida depois do aporte (em inglês, post-money: o valor da empresa já contando o dinheiro que acabou de entrar; a explicação é do ConnectWeek). O número precisa ter sido fixado por investidores em uma rodada de investimento (cada captação de dinheiro com investidores; a explicação é do ConnectWeek) em que o preço da participação foi definido. Os dados de quem já está na lista são atualizados quando há uma nova rodada anunciada.

O que a página mostravaCB InsightsCrunchbase
Critério escritoEmpresa de capital fechado com avaliação acima de US$ 1 bilhãoEmpresa de capital fechado com avaliação de US$ 1 bilhão ou mais depois do aporte, fixada em rodada de investimento
Empresas no contador1.4471.905
Soma das avaliaçõesCerca de US$ 7.376 bilhões (US$ 7,4 trilhões)US$ 9,3 trilhões
Data que a página informaO texto de abertura fala em março de 2026"Last updated: 10/13/2026" (última atualização em 13 de outubro de 2026)
Linhas com o país Brasil2021

Cada página traz dois totais. Na da CB Insights, o contador do topo marcava 1.447 empresas, e o texto logo abaixo dizia que, em março de 2026, havia mais de 1.300 unicórnios no mundo. Na da Crunchbase, o contador marcava 1.905, e a seção de perguntas frequentes da mesma página falava em mais de 1.500 empresas. Nos dois casos, a tabela tinha o mesmo número de linhas que o contador. A frase da Crunchbase não tem data; outra resposta da mesma seção fala em janeiro de 2025.

A CB Insights também define duas variações do termo: decacórnio, a empresa avaliada em mais de US$ 10 bilhões, e hectocórnio, a que passa de US$ 100 bilhões. A Crunchbase mantém uma lista à parte de "unicórnios emergentes", com avaliação de US$ 500 milhões ou mais e abaixo de US$ 1 bilhão.

O valor que entra nessas listas é o que os investidores atribuíram à empresa em uma rodada de investimento. A conta usada para pôr preço em uma loja ou em outro negócio pequeno é diferente e está no texto sobre quanto vale um negócio online.

Quais brasileiras estão nas duas listas e quais aparecem em uma só

Na tabela da CB Insights, 20 das 1.447 linhas tinham "Brazil" na coluna de país em 13 de outubro de 2026. Segundo a lista, 16 dessas empresas ficam em São Paulo, três em Curitiba e uma em Barueri. Pela classificação de setor da própria fonte, dez são de serviços financeiros, quatro de consumo e varejo, três de indústria, duas de tecnologia para empresas e uma de mídia e entretenimento. A entrada mais antiga entre as 20 é a da Movile, em 12 de julho de 2018, e a mais recente é a da Enter, em 5 de maio de 2026.

Na tabela da Crunchbase, 21 das 1.905 linhas tinham o país Brasil. O ConnectWeek cruzou as duas tabelas. Segundo a CB Insights e a Crunchbase, em 13 de outubro de 2026, 18 empresas apareciam como brasileiras nas duas. Em ordem alfabética:

C6 Bank, CargoX, CloudWalk, Creditas, Dock, EBANX, Enter, Loft, Loggi, MadeiraMadeira, Movile, Neon, Nuvemshop, Olist, QI Tech, QuintoAndar, Unico e Wildlife Studios.

A Unico tem essa grafia na CB Insights e aparece como unico IDtech na Crunchbase. O valor e os investidores de cada empresa estão nas páginas das duas fontes.

Outras cinco empresas contam como brasileiras em uma lista só, e a Hotmart não conta em nenhuma:

  • Kavak e Clara estão na CB Insights com o país Brasil (a primeira em Barueri, a segunda em São Paulo). Na Crunchbase, as duas aparecem com o país México.
  • iFood, 2TM e Facily estão na Crunchbase com o país Brasil e não aparecem com esses nomes na tabela da CB Insights.
  • A Hotmart aparece nas duas tabelas como empresa dos Países Baixos e, por isso, fica fora das duas contagens do Brasil.

Quem pergunta quantos unicórnios brasileiros existem recebe, portanto, 20 de uma fonte e 21 da outra no mesmo dia, com 23 nomes diferentes somando as duas.

Quando uma empresa deixa de ser unicórnio

A empresa sai da lista quando deixa de ser de capital fechado. A Crunchbase mantém uma segunda lista, a "Exited Unicorn List", com as que chegaram a US$ 1 bilhão ainda de capital fechado e depois foram compradas ou abriram capital na bolsa. A página da CB Insights chama Airbnb, Facebook e Google de ex-unicórnios.

A perda de valor é tratada de outra forma. A metodologia da Crunchbase diz que a lista não acompanha as reduções de valor que os investidores registram nas próprias carteiras, porque investidores diferentes dão valores diferentes à mesma empresa no mesmo trimestre. Também ficam de fora as avaliações internas feitas para planos que dão a funcionários a opção de comprar ações. Na seção de perguntas frequentes, a Crunchbase diz que retira da lista a empresa que os investidores consideram praticamente sem valor; o exemplo citado é a FTX, empresa de criptomoedas que quebrou e pediu proteção contra falência.

A mesma seção avisa que as avaliações internas de muitos unicórnios caíram desde 2022 e que a maior parte dessa queda não aparece na lista, porque o valor publicado é o da última rodada anunciada e muitas empresas adiaram novas captações. Estar na lista não indica, então, que a empresa seria avaliada em US$ 1 bilhão hoje.

A tabela da Crunchbase tem, ainda assim, linhas abaixo do valor mínimo. Em 13 de outubro de 2026, 51 das 1.905 linhas traziam menos de US$ 1 bilhão na coluna de avaliação, de US$ 970 milhões a zero. Nenhuma dessas 51 tinha o país Brasil. O ConnectWeek não encontrou, na metodologia nem nas perguntas frequentes da página, a explicação para essas linhas.

Como ler uma lista de unicórnios antes de citar um número

O ConnectWeek sugere cinco checagens a quem vai usar esses números em apresentação, reportagem ou plano de negócios:

  1. Anotar a lista e o dia da consulta. Em 13 de outubro de 2026, a diferença entre o contador da CB Insights e o da Crunchbase era de 458 linhas.
  2. Ler o critério escrito na página: valor mínimo, se a empresa precisa ser de capital fechado e de onde vem a avaliação.
  3. Olhar o contador, e não o texto corrido, que nas duas páginas trazia um total menor.
  4. Conferir o país atribuído a cada empresa, que muda de uma lista para a outra.
  5. Comparar o valor da mesma empresa nas duas fontes. No mesmo dia, o QuintoAndar aparecia com US$ 5,10 bilhões na CB Insights e com US$ 2 bilhões na Crunchbase. Na tabela da Crunchbase, os valores em bilhões aparecem sem casas decimais.

Entre as colunas das duas tabelas estão nome, avaliação, país e investidores; a da CB Insights traz também cidade e setor, e a da Crunchbase, continente e total captado. Nenhuma coluna traz receita, lucro ou número de clientes. Para a loja que pensa em contratar uma startup como fornecedora, a lista não responde se o serviço é bom nem se a empresa vai continuar atendendo; o texto sobre investimento em startups de varejo traz uma lista de verificação para quem contrata uma startup como fornecedora. Pelo lado da startup contratada, o relatório e o certificado de segurança que um cliente pode exigir estão explicados em o que são SOC 2 e ISO/IEC 27001.

Fonte: CB Insights

Perguntas frequentes

O que é uma startup unicórnio?

É a startup de capital fechado, sem ações em bolsa, que recebeu de investidores uma avaliação de US$ 1 bilhão ou mais. O apelido é atribuído a Aileen Lee, da gestora Cowboy Ventures, autora de um artigo publicado no TechCrunch em 2 de novembro de 2013; a nota biográfica dela, na mesma página, diz que ela é conhecida por ter criado o termo. Naquele texto, o grupo tinha 39 empresas americanas de software.

Quantos unicórnios existem no mundo?

Depende da lista e do dia. Em 13 de outubro de 2026, o contador da CB Insights marcava 1.447 empresas e o da Crunchbase, 1.905; em 51 das 1.905 linhas da Crunchbase, a própria tabela trazia valor abaixo de US$ 1 bilhão. Os textos das duas páginas traziam totais menores: mais de 1.300 em março de 2026, na primeira, e mais de 1.500, sem data na frase, na segunda.

Quais startups brasileiras estão nas listas de unicórnios?

Segundo as listas da CB Insights e da Crunchbase em 13 de outubro de 2026, cruzadas pelo ConnectWeek, 18 empresas apareciam com o país Brasil nas duas: C6 Bank, CargoX, CloudWalk, Creditas, Dock, EBANX, Enter, Loft, Loggi, MadeiraMadeira, Movile, Neon, Nuvemshop, Olist, QI Tech, QuintoAndar, Unico e Wildlife Studios. Kavak e Clara só contavam como brasileiras na CB Insights, que tinha 20 empresas do Brasil. iFood, 2TM e Facily só contavam na Crunchbase, que tinha 21.

Uma empresa pode deixar de ser unicórnio?

Pode. A empresa que abre capital na bolsa ou é comprada sai da lista; a Crunchbase guarda esses casos em uma lista separada. Queda de valor é outro caso. A Crunchbase declara que não reduz a avaliação quando investidores baixam o valor nas próprias carteiras e diz que retira a empresa que os investidores consideram praticamente sem valor, como a FTX.

O que é um decacórnio?

É a empresa de capital fechado avaliada em mais de US$ 10 bilhões, segundo a definição publicada pela CB Insights. A mesma página usa hectocórnio para a que passa de US$ 100 bilhões.

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