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Endeavor ouve 133 empreendedores: para 78%, a pressão para acompanhar a IA é alta ou máxima
Em resumo
Estudo da Endeavor Brasil publicado em 8 de outubro de 2026 ouviu 133 empreendedores de 125 empresas. Para 78%, a pressão para acompanhar a inteligência artificial é alta ou máxima, e 90% apontam a si mesmos como origem da cobrança. Seis em cada dez consultam a IA com frequência antes de decidir, mas só 20% confiam mais nela do que na equipe. A amostra não representa o conjunto das empresas do país.
Quase oito em cada dez empreendedores ouvidos pela Endeavor Brasil (78%) dizem sentir pressão alta ou máxima para acompanhar a inteligência artificial, e a cobrança é sobretudo interna: 90% apontam a si mesmos como origem dela. Os números estão no estudo Performance e Julgamento dos Empreendedores com IA, publicado em 8 de outubro de 2026 como segundo capítulo de uma série da organização sobre IA em scale-ups, nome dado a empresas jovens em fase de crescimento acelerado. A Exame noticiou o material no mesmo dia.
Quem respondeu
O levantamento tem três bases. A principal é um questionário respondido por 133 empreendedores de 125 empresas. Somam-se a ele conversas com 20 empreendedores e lideranças da rede da Endeavor e a leitura de 852 mentorias conduzidas pela organização de outubro de 2025 a setembro de 2026, das quais 191 tiveram IA como assunto principal.
O documento não informa quando o questionário foi aplicado, como os respondentes foram escolhidos nem margem de erro, e o gráfico de usos é apresentado como autoavaliação. Os percentuais descrevem esse grupo, ligado ao ecossistema da Endeavor, e não o empresariado brasileiro. A pesquisa teve apoio da Salesforce e da Onfly, segundo a página de apresentação.
A cobrança vem de dentro
Depois do próprio empreendedor, as fontes de pressão mais citadas ficam bem atrás: conselho (29%), investidores (22%) e equipe (20%). Usar mais a ferramenta não reduz o incômodo. Entre os que passam seis horas ou mais por dia com IA, 71% declararam pressão máxima; entre os que usam até duas horas, 29%. O dado mostra que as duas coisas andam juntas, e não que uma cause a outra.
A explicação que o estudo colhe nas entrevistas é que o tempo poupado volta em forma de mais trabalho. Fernando Steler, da Delend, descreve assim a própria rotina:
Ganhei tempo de produção. Não ganhei tempo para reflexão.
Segundo ele, manter cada projeto aberto ficou mais barato, e por isso o número de projetos abertos cresceu.
Consultar é uma coisa, delegar é outra
A IA já entrou no processo de decisão: 59% a consultam com frequência antes de decidir, e outros 26% fazem isso em assuntos específicos. A confiança, porém, continua nas pessoas. Na hora de decidir, 46% confiam mais na equipe, 35% se dizem neutros e 20% confiam mais na IA. Numa escala de 1 (só a equipe) a 5 (só a IA), a média foi 2,59, e 4% dos respondentes confiam totalmente na tecnologia. Quem consulta quase sempre tem média 2,87; quem consulta de vez em quando, 1,67.
Mais da metade dos 133 usa IA por pelo menos duas horas diárias. As tarefas mais citadas:
- explorar ideias: 54%;
- prototipar produto: 48%;
- analisar documentos: 47%;
- preparar reuniões: 37%;
- decidir estratégias: 32%;
- aprender sobre um tema: 26%;
- escrever textos e analisar mercado: 23% cada.
O que contaram as empresas de comércio eletrônico
Três dos relatos vêm de companhias que atendem lojistas. Na Estoca, de logística e fulfillment para e-commerce, Rodrigo Cava conta que a empresa pôs IA para fazer a triagem de currículos, demorou a notar que bons candidatos estavam sendo barrados e voltou atrás. Na Olist, Tiago Dalvi diz testar pessoalmente ferramentas de vibe coding e produtos novos de IA para desafiar a companhia; a empresa, que começou como loja em marketplaces, desligou no último ano o produto de origem para pôr o sistema de gestão (ERP) no centro do negócio. Alejandro Vázquez, da Nuvemshop, divide o trabalho de quem lidera em produzir, decidir e convencer, e avalia que a IA pesa muito na primeira frente e bem menos nas outras duas.
O que delegar, segundo a matriz do estudo
A Endeavor organiza dez atividades por risco. No grupo de risco baixo estão registro e preparação de reuniões, geração de ideias e montagem de apresentações, em que a recomendação é entregar a execução e conferir o resultado. No de risco médio ficam análise de dados, protótipos e código e leitura de comentários de clientes, com a IA como apoio e alguém da operação revisando. No de risco alto estão contratação e avaliação de pessoas, feedback e cultura e a estratégia da companhia: aí o estudo recomenda manter a decisão com gente, e até abrir mão da ferramenta quando o assunto é sensível.
A regra prática relatada por Alexandre Hadade, da Birdie, resume o critério: delega-se mais quando o efeito é pequeno e dá para desfazer, e menos quando o efeito é grande e a volta é difícil.
O que aparece nas mentorias
Nos 12 meses até setembro de 2026, 22% das mentorias da rede tiveram IA como tema central, ante 13% no período anterior; no terceiro trimestre de 2026, 31%. Entre as empresas que registraram novas prioridades, 47% incluíram IA, contra 24% um ano antes. Já o desenvolvimento e o bem-estar de quem lidera ficam em torno de 2% das mentorias, e nenhuma prioridade ativa cita saúde mental, estresse ou esgotamento. A organização avisa que cerca de dois terços das mentorias têm resumo disponível, de modo que as contagens são um piso.
Como ler os números
Leitura nossa. São 133 respostas de um grupo específico, o de empresas próximas da Endeavor, com apoio de uma fornecedora de software que vende IA. Serve como retrato de quem está na ponta da adoção, não como medida do mercado. Para universos maiores, com outras perguntas, há a pesquisa do Sebrae com 7.182 pequenos negócios e o estudo feito para a AWS sobre empresas brasileiras; os percentuais não são comparáveis entre si.
O ponto útil para a loja pequena é o da Estoca: automação em etapa de alto volume também erra, e o erro pode demorar a aparecer. Vale escrever antes o que a IA pode fazer sozinha, o que precisa de revisão e o que fica com gente; o modelo de política de uso de IA para pequena empresa ajuda a pôr isso no papel.
O ConnectWeek não tem vínculo com a Endeavor.
Fonte: Endeavor Brasil
Perguntas frequentes
Quem respondeu à pesquisa da Endeavor sobre IA?
Foram 133 empreendedores de 125 empresas, em questionário de autoavaliação. A Endeavor também conversou com 20 empreendedores e lideranças da sua rede e analisou 852 mentorias feitas de outubro de 2025 a setembro de 2026. O documento não informa o período do questionário nem margem de erro, e a amostra não representa todas as empresas brasileiras.
O que quer dizer o percentual de 78%?
É a parcela dos 133 respondentes que disse sentir pressão alta ou máxima para acompanhar a inteligência artificial. Na pergunta sobre a origem dessa pressão, 90% apontaram a si mesmos; conselho, investidores e equipe foram citados por 29%, 22% e 20%.
Os empreendedores deixam a IA decidir por eles?
Pelo estudo, não. 59% consultam a IA com frequência antes de decidir, mas, na hora da decisão, 46% confiam mais na equipe, 35% ficam em posição neutra e 20% confiam mais na IA. Só 4% dizem confiar totalmente na tecnologia.
Quem apoiou o estudo?
A pesquisa foi feita pela Endeavor Brasil com apoio da Salesforce, que vende software de gestão de clientes com IA, e da Onfly, de viagens corporativas. A própria Endeavor é uma rede de apoio a empreendedores, e os entrevistados fazem parte do seu ecossistema.





