E-commerce brasileiro: R$ 235,5 bilhões, 94,2 milhões de compradores e um ticket que sobe mais que o volume

O painel da ABComm fechou 2025 com alta de 15,3% no faturamento, mas de apenas 5,8% em pedidos e 3,2% em compradores. O setor está crescendo mais em valor do que em gente — e isso muda a estratégia de quem vende.
Os números do painel
O painel de indicadores da ABComm, a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, fechou o último ano consolidado com estes valores:
| Indicador | Valor | Variação |
|---|---|---|
| Faturamento | R$ 235,5 bilhões | +15,3% |
| Pedidos | 438,9 milhões | +5,8% |
| Ticket médio | R$ 536,60 | +8,98% |
| Compradores | 94,2 milhões | +3,2% |
Para 2026, a projeção divulgada pela associação aponta faturamento acima de R$ 258 bilhões, crescimento de cerca de 10% e a entrada de aproximadamente dois milhões de novos compradores.
A leitura que os quatro números permitem juntos
Ler o faturamento sozinho dá a impressão de expansão acelerada. Ler os quatro lado a lado conta outra história: o faturamento cresceu quase três vezes mais que o número de pedidos, e cinco vezes mais que o número de compradores.
Em outras palavras: o setor está crescendo principalmente porque cada compra ficou mais cara — o ticket subiu quase 9% —, não porque muita gente nova começou a comprar. A base de compradores está perto da saturação em relação à população conectada.
Isso tem uma consequência direta na estratégia de quem vende online. Crescer roubando cliente novo do mercado ficou mais caro do que crescer vendendo mais para quem já compra. Uma base de 94,2 milhões de compradores que cresce 3% ao ano é um mercado maduro, e mercado maduro se ganha por recorrência, por ticket e por categoria, não por volume de tráfego pago.
Onde está o dinheiro, por categoria
A distribuição do faturamento por categoria no painel mostra a concentração em bens de maior valor unitário — o que ajuda a explicar o ticket médio:
- Eletrodomésticos: 19,65% do faturamento
- Telefonia: 13,10%
- Casa e decoração: 11,70%
- Informática: 11,20%
- Eletrônicos e moda e acessórios: 10,40% cada
- Beleza e saúde: 6,84%
- Esportes: 4,75%; alimentação: 4,50%
Quem vende em categoria de ticket baixo compete por frequência, não por valor — e por isso sente muito mais o custo logístico por pedido, tema tratado no nosso artigo sobre custo de frete sem perder conversão.
O comprador: quem é, de onde e em que tela
O perfil que o painel descreve desmente duas suposições comuns. A primeira é a de que o comércio eletrônico é um mercado masculino: 60% dos pedidos são de mulheres. A segunda é a de que o público é jovem: a maior fatia está entre 35 e 44 anos, com 35% dos pedidos, seguida por 25 a 34 anos e por 45 a 54 anos, ambas com cerca de 22%.
Por classe social, a classe C responde por 54% dos pedidos, contra 32,5% das classes A e B. Por região, o Sudeste concentra 55,9%, com Sul e Nordeste empatados perto de 16%. E o mobile responde por 55,5% das compras, contra 44,5% do desktop.
A loja que ainda trata o celular como versão reduzida do site está desenhando para a minoria dos pedidos — e a que fala com um público jovem de classe A está falando com quem não é a maior parte de quem compra.
O que fazer com isso nesta semana
- Compare o seu ticket com o mercado. Se o seu está estagnado enquanto o do setor sobe 9%, o problema é de mix ou de precificação, não de tráfego.
- Meça a recorrência antes da aquisição. Em mercado com base estável, o cliente que volta é mais barato que o que chega.
- Revise a experiência no celular de ponta a ponta, do anúncio ao pagamento, com o seu próprio telefone e sem atalhos.
- Cheque se o seu público declarado bate com o público real do seu analytics. Muita loja descobre aqui que está falando com a persona errada.
A base de método para os dois primeiros itens está nos nossos artigos sobre SEO para e-commerce e automação onde ela gera eficiência.
Fonte: ABComm — Painel de indicadores do e-commerce brasileiro
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