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Compras não presenciais no cartão somam R$ 633 bilhões no 1º semestre de 2026, alta de 18%, diz a Abecs

Em resumo
Balanço da Abecs, a associação das empresas de meios eletrônicos de pagamento, mostra que as compras com cartão feitas pela internet e por outros canais remotos movimentaram R$ 633 bilhões de janeiro a junho de 2026, 18% acima do mesmo período de 2025. O total pago com cartões no país foi de R$ 2,3 trilhões. Cobrança recorrente, Tap on Phone e parcelado sem juros também aparecem no levantamento.
O dado principal
As compras com cartão feitas sem a presença do cliente no ponto de venda movimentaram R$ 633 bilhões no Brasil entre janeiro e junho de 2026, valor 18% maior que o do primeiro semestre de 2025. O número está no balanço do setor de cartões referente ao segundo trimestre, divulgado em agosto de 2026 pela Abecs, a associação das empresas de meios eletrônicos de pagamento. O release não traz o dia da divulgação; na lista de comunicados da entidade ele aparece marcado como 08.2026, e o arquivo foi gerado em 19 de agosto.
A Abecs chama de não presenciais as compras feitas pela internet e por outros canais remotos. Quase tudo passa pelo crédito:
- Cartão de crédito: R$ 614,3 bilhões, alta de 18,3%;
- Cartão de débito: R$ 9,8 bilhões, alta de 9,8%;
- Cartão pré-pago: R$ 8,8 bilhões, alta de 4%.
Na conta feita por nós com esses valores, o crédito responde por cerca de 97% do que é pago com cartão a distância. A associação compara ainda com o primeiro semestre de 2019, antes da pandemia: de lá para cá, o débito nas compras remotas cresceu 613,5% e o crédito, 318,7%.
O tamanho do mercado de cartões
Somados crédito, débito e pré-pago, em loja e fora dela, os cartões movimentaram R$ 2,3 trilhões no semestre, 8% a mais do que um ano antes, em 23,9 bilhões de transações (alta de 3%). O crédito ficou com R$ 1,7 trilhão e avançou 12,1%. O débito recuou 1,8%, para R$ 481,6 bilhões, e o pré-pago ficou quase parado, em R$ 191,1 bilhões (0,5% a mais). São variações sobre valores correntes; o balanço não desconta a inflação.
Pelos números arredondados da própria Abecs, as compras não presenciais equivalem a algo entre 27% e 28% de tudo o que foi pago com cartão no período. O cálculo é nosso.
Assinaturas e cobrança recorrente
Os pagamentos recorrentes, que a entidade define como a cobrança automática de serviços contínuos e assinaturas (streaming, academias, clubes de assinatura e softwares), chegaram a R$ 86,9 bilhões, com crescimento de 34% em um ano. O crédito concentra R$ 82,9 bilhões desse total. Débito (R$ 2,1 bilhões) e pré-pago (R$ 1,8 bilhão) são pequenos, mas o débito foi o que mais cresceu, 46,1%.
Para quem vende por assinatura, o dado ajuda a dimensionar o hábito do consumidor de deixar o cartão cadastrado. Se o modelo fecha a conta é outra pergunta, que tratamos em quando a recorrência paga o custo de aquisição.
Celular no lugar da maquininha
O Tap on Phone, que transforma o celular ou o tablet do vendedor em terminal de pagamento por aproximação, movimentou R$ 53,6 bilhões no semestre, 79,2% acima do mesmo período de 2025. Em dois anos, diz a associação, o crescimento acumulado é de 471,3%. Também aqui o crédito domina, com R$ 50 bilhões.
O pagamento por aproximação como um todo somou R$ 1 trilhão, alta de 18,5%, e já representa 76,2% das transações presenciais com cartão, segundo o balanço.
Parcelado sem juros
O parcelado sem juros respondeu por 43% do valor transacionado no cartão de crédito, ou R$ 798,6 bilhões. As compras à vista ficaram com 57%. Entre as parceladas, 43,8% são divididas em duas a quatro vezes e 19,4% em cinco ou seis; acima de doze parcelas, só 2,3%.
O balanço informa também que a modalidade está presente em 58% das compras não presenciais, ante 59% das presenciais. Para o lojista, parcelar sem juros tem custo, e ele precisa entrar no preço: a conta está em quanto o parcelado sem juros custa para quem vende.
Onde o uso do cartão mais cresceu
No varejo, a Abecs aponta os maiores avanços em quatro segmentos: eletrônicos e eletrodomésticos, com 20,4%; autopeças, com 11,9%; roupas, calçados e acessórios, com 10,5%; e móveis e construção, com 10%. O Sudeste concentrou R$ 1,1 trilhão, ou 58,2% do volume nacional, seguido de Sul (15,5%), Nordeste (13,5%), Centro-Oeste (8,5%) e Norte (4,3%). As cinco regiões somam cerca de R$ 1,9 trilhão, menos que o total de R$ 2,3 trilhões; o balanço não explica a diferença.
Como ler
Os números são da associação que representa emissores, credenciadoras e bandeiras, e medem só o que passa por cartão. Pix e boleto ficam de fora, de modo que o balanço não permite dizer qual meio de pagamento ganhou ou perdeu espaço no comércio eletrônico. Ele mostra que o cartão de crédito segue crescendo nas vendas remotas, em ritmo mais forte que o do mercado de cartões como um todo.
Comece por aqui Novo no assunto? Leia primeiro o que é e-commerce, o texto-base desta cobertura.
Fonte: Abecs
Perguntas frequentes
Quanto o cartão movimentou em compras pela internet no 1º semestre de 2026?
Segundo a Abecs, as compras não presenciais, que a associação descreve como as feitas pela internet e por outros canais remotos, somaram R$ 633 bilhões de janeiro a junho de 2026, alta de 18% sobre o mesmo período de 2025. Desse valor, R$ 614,3 bilhões passaram pelo crédito.
O que são pagamentos recorrentes e quanto cresceram?
É a cobrança automática de serviços contínuos e assinaturas, como streaming, academia, clube de assinatura e software. No 1º semestre de 2026, a Abecs registrou R$ 86,9 bilhões nesse modelo, 34% a mais do que um ano antes, dos quais R$ 82,9 bilhões no cartão de crédito.
O que é Tap on Phone?
É a tecnologia que faz o celular ou o tablet do vendedor aceitar pagamento por aproximação, sem maquininha. A Abecs informa R$ 53,6 bilhões transacionados dessa forma no 1º semestre de 2026, crescimento de 79,2% em um ano.
Qual é o peso do parcelado sem juros no cartão de crédito?
De acordo com o balanço, 43% do valor transacionado no crédito no 1º semestre de 2026, ou R$ 798,6 bilhões. Os outros 57% foram pagos à vista.





