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Inteligência ArtificialArtigoDados com fonte declarada

Texto alternativo, legenda e linguagem simples feitos por IA na loja: como revisar antes de publicar

Texto alternativo, legenda e linguagem simples feitos por IA na loja: como revisar antes de publicar
Imagem ilustrativa

Em resumo

O que Nuvemshop, YouTube e Microsoft oferecem para gerar texto alternativo e legenda com IA, o que a Shopify recomenda para o texto alternativo, o que as próprias documentações dizem sobre os erros, onde a revisão humana entra, o papel do eMAG e da linguagem simples e uma ficha de produto hipotética com antes e depois.

Em resumo: a IA já escreve o texto alternativo da foto de produto, transcreve a fala do vídeo em legenda e reescreve a política de troca em frases curtas. O que ela entrega é rascunho. As documentações oficiais consultadas em 12 de outubro de 2026, do YouTube e da Microsoft, avisam que o resultado pode sair errado ou genérico e pedem revisão humana. Na avaliação do ConnectWeek, os erros que mais pesam na loja virtual são a descrição que não diz o que distingue o produto, a imagem decorativa descrita sem necessidade e o nome do produto trocado na legenda. A revisão sugerida pelo ConnectWeek começa por classificar cada imagem (a decorativa fica com texto vazio, o ícone recebe a ação), dar à IA os dados do cadastro e conferir cor, material e medida com a ficha. Depois, ouvir a página com o leitor de tela, revisar a legenda com a lista de nomes e números do produto e comparar o texto simplificado com o original, linha a linha.

O que a lei e as diretrizes pedem, em um parágrafo

A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), no artigo 63, torna obrigatória a acessibilidade dos sites de empresas com sede ou representação comercial no Brasil, para que a pessoa com deficiência tenha acesso às informações publicadas, e manda seguir as melhores práticas e diretrizes internacionais, sem nomear nenhuma norma nem detalhar como deve ser a descrição de uma foto ou a legenda de um vídeo. Na avaliação do ConnectWeek, a referência internacional mais usada são as Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG) 2.2, na tradução autorizada para o português, do W3C. Três critérios delas interessam aqui: o 1.1.1, que pede alternativa em texto para imagem e manda a imagem puramente decorativa ser ignorável pelo leitor de tela; o 1.2.2, que pede legenda para o áudio de vídeo gravado; e o 3.1.5, de nível de leitura, que é do nível AAA, o mais exigente. A lista completa, critério por critério e com teste rápido, está no checklist de acessibilidade da loja virtual.

Dois esclarecimentos evitam confusão. O eMAG, Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico, foi instituído pela Portaria SLTI nº 3, de 7 de maio de 2007, que o torna de adoção obrigatória pelos órgãos e entidades do SISP, o sistema de informática da administração pública federal. A portaria não fala de empresas privadas. Na leitura do ConnectWeek, para a loja ele serve como material de consulta, não como regra. O mesmo vale para a Lei nº 15.263, de 14 de novembro de 2025, que criou a Política Nacional de Linguagem Simples: o artigo 1º a dirige aos órgãos e entidades da administração pública em sua comunicação com a população.

O que as ferramentas fazem hoje

A tabela reúne os recursos com documentação oficial localizada pelo ConnectWeek, conferida em 12 de outubro de 2026. Outras plataformas e aplicativos podem ter recursos parecidos; ficaram de fora os que não têm página de ajuda oficial encontrada nesta apuração.

RecursoO que fazO que a documentação avisa
Nuvemshop: botão Gerar com IA no texto alternativoNo editor da foto do produto, gera uma descrição curta da imagem; o lojista pode aceitar, pedir outra versão ou dar orientações mais detalhadasPágina de ajuda atualizada em 10/03/2026: o recurso está em testes, é gratuito para lojas selecionadas e pode passar a ser cobrado por uso e ficar restrito aos planos pagos
Shopify: campo de texto alternativo da mídiaPreenchimento manual por produto ou em lote por planilha CSVA central de ajuda recomenda texto breve e descritivo, com até 125 caracteres, e limite de 512; a página consultada não menciona geração por IA
YouTube: transcrição automáticaGera legenda por reconhecimento de fala, inclusive em português, editável no YouTube StudioA Ajuda do YouTube diz que a qualidade varia, recomenda revisar e corrigir e informa que, em transmissão ao vivo, a transcrição automática só funciona em inglês
Microsoft 365: texto alternativo gerado por IASugere descrição para imagens em documentos e apresentaçõesA página de perguntas frequentes admite descrições incompletas, genéricas demais ou imprecisas e recomenda texto escrito por pessoa nos usos críticos

Um detalhe da Nuvemshop mostra por que a revisão é do lojista. A página de SEO de produtos da mesma central, modificada em 06/08/2025, sugere escrever no texto alternativo uma frase que defina a foto, de preferência com palavras-chave e o nome do negócio, pensando na busca por imagens do Google. Quem usa leitor de tela ouve esse texto a cada foto. Na avaliação do ConnectWeek, o nome da loja repetido em todas as imagens não informa nada a essa pessoa; a palavra-chave só ajuda quando é, de fato, o que a foto mostra.

Onde a IA erra no texto alternativo

O texto alternativo é lido em voz alta no lugar da imagem. A IA descreve o que vê, mas não sabe para que a imagem está na página, e é aí que aparecem os erros. Os cinco abaixo são os que o roteiro do capítulo 6 procura.

  • Descrição genérica. A ferramenta escreve algo como "garrafa verde sobre mesa de madeira", e o cliente que não vê a foto não sabe a capacidade, o material nem o tipo de tampa. A Microsoft cita esse risco ao dizer que a descrição gerada pode ser incompleta ou geral demais.
  • Atenção ao cenário, e não ao produto. A foto ambientada tem mesa, planta, pessoa e luz; a IA pode gastar a frase com o fundo.
  • Detalhe errado. Quando a ferramenta descreve só a imagem, sem o cadastro, cor, número de peças e material podem sair trocados. Na avaliação do ConnectWeek, uma cor errada no texto alternativo é informação errada sobre a oferta, como seria na descrição do produto.
  • Imagem decorativa descrita. Pelo critério 1.1.1, enfeite deve ser ignorado pelo leitor de tela. O tutorial de imagens do W3C dá como exemplo a borda que só compõe o visual da página e a ilustração ao lado de um link que já diz tudo; nos dois casos, o texto alternativo fica vazio. Gerar descrição para a faixa decorativa do banner faz o cliente ouvir algo que não precisa.
  • Ícone descrito pela aparência. Botão com ícone deve dizer o que faz. No exemplo do W3C para imagens funcionais, o ícone de impressora vira a ação de imprimir a página e a lupa vira a palavra que indica busca. Se a ferramenta descrever só o desenho, o resultado será algo como "ícone de lupa", que não diz ao cliente o que o botão faz.

Para escrever o texto que a foto não mostra, como medida e uso, o modelo de descrição de produto para SEO continua sendo a base; o texto alternativo complementa a descrição, não a substitui.

Onde a IA erra na legenda do vídeo

A legenda automática depende do reconhecimento de fala, e a Ajuda do YouTube lista como causas de diferença entre fala e transcrição o sotaque, a pronúncia, o dialeto e o barulho ao fundo, e diz que a legenda pode nem ser gerada quando várias pessoas falam ao mesmo tempo, quando o vídeo mistura idiomas ou quando o som é ruim.

Na avaliação do ConnectWeek, no vídeo de produto vale conferir com atenção redobrada:

  • nome de marca, de modelo e de linha, sobretudo em inglês ou inventado;
  • números: capacidade, medida, voltagem, preço e prazo;
  • siglas e termos técnicos do ramo;
  • palavras com som parecido ditas rápido, como o número do tamanho e a cor.

O YouTube orienta abrir o YouTube Studio, entrar em Legendas, escolher o vídeo e editar ou apagar os trechos errados. Na avaliação do ConnectWeek, a revisão rende mais quando o lojista já entra com a lista de nomes e números do produto e confere cada um. O vídeo que usa IA para mostrar algo realista tem ainda regras de rótulo próprias, descritas em vídeo curto feito com IA e o rótulo das redes.

Linguagem simples com IA: o risco é mudar o sentido

Pedir à IA que reescreva a política de troca, o guia de tamanhos ou as instruções de uso em frases curtas pode facilitar a leitura para muita gente. Na avaliação do ConnectWeek, para a loja isso é escolha, e não exigência específica: o critério de nível de leitura das WCAG é de nível AAA, e as próprias diretrizes não recomendam exigir o nível AAA como política geral de um site inteiro, porque nem todo conteúdo consegue atender a todos esses critérios.

O cuidado está no que não pode mudar. Ao encurtar, a IA pode apagar uma exceção, trocar "dias corridos" por "dias", arredondar um valor ou transformar "pode" em "deve". Na avaliação do ConnectWeek, a versão simplificada de texto com prazo, valor ou condição só vai ao ar depois de alguém comparar, linha a linha, cada número e cada condição com o original. Se o texto original é a política oficial da loja, a versão simples fica como resumo, com link para ela.

Roteiro de revisão antes de publicar

O roteiro é uma sugestão do ConnectWeek, sem base em norma, para quem gera esses textos em lote. O fluxo mais amplo de produção com IA no catálogo, com amostragem e controle de erro, está em IA generativa no catálogo com revisão humana.

  1. Classifique cada imagem antes de gerar. Foto de produto, foto de detalhe, imagem decorativa ou ícone de botão. Decorativa fica com texto alternativo vazio; ícone recebe a ação, não a aparência.
  2. Dê à IA o cadastro, não só a foto. Na Nuvemshop, por exemplo, a opção de gerar outra versão aceita orientações mais detalhadas; é ali que entram o nome do produto, a capacidade e o material, para a descrição partir do dado certo.
  3. Confira o texto contra o cadastro. Cor, material, quantidade e medida têm de bater com a ficha. Divergiu, vale o cadastro.
  4. Corte o que não informa. Sem "imagem de" e sem nome da loja repetido; a Shopify sugere até 125 caracteres, o que obriga a escolher o essencial.
  5. Ouça uma página inteira. Ligue o leitor de tela do celular na página do produto e ouça na ordem em que o cliente ouviria.
  6. Revise a legenda com a lista de nomes e números. Marca, modelo, medida, preço e prazo, um por um.
  7. Compare o texto simplificado com o original. Cada número e cada condição, linha a linha.
  8. Registre quem revisou e quando. Uma coluna na planilha do catálogo basta para saber o que já passou por uma pessoa.

Ficha de produto hipotética: antes e depois

Exemplo hipotético: uma loja pequena vende uma garrafa térmica de aço inoxidável, de 500 ml, na cor verde-musgo, com tampa de rosca e alça. A primeira coluna mostra um rascunho do tipo que a IA pode devolver; a segunda, a versão revisada. Os textos são ilustrativos e foram escritos pelo ConnectWeek.

ElementoRascunho da IA (hipotético)Depois da revisão
Foto principalGarrafa verde em cima de uma mesa de madeira ao lado de uma plantaGarrafa térmica de aço inox verde-musgo, 500 ml, com tampa de rosca e alça
Foto de detalheClose de um objeto prateadoTampa de rosca aberta mostrando a vedação de silicone
Faixa decorativa do bannerFolhas verdes em fundo begeTexto alternativo vazio, porque a imagem é só enfeite
Ícone de buscaÍcone de lupaBuscar
Legenda do vídeo"Garrafa de 50 ml" e o nome da linha escrito errado"Garrafa de 500 ml" e o nome da linha conferido no cadastro
Troca, em linguagem simplesVocê pode trocar em até 7 diasO prazo e as condições copiados da política oficial da loja, com link para ela

A última linha mostra o erro mais difícil de ver: a frase simplificada parece correta, mas pode trazer um prazo que não é o da loja. Por isso o número vem sempre do texto oficial, nunca da reescrita.

A foto em si também pode ter sido gerada ou editada com IA; o que os marketplaces aceitam nesse caso está em foto de produto feita com IA.

Comece por aqui Novo no assunto? Leia primeiro inteligência artificial para pequenas empresas, o texto-base desta cobertura.

Fonte: W3C

Perguntas frequentes

Posso deixar a IA escrever o texto alternativo de todas as fotos da loja sem revisar?

As documentações do YouTube e da Microsoft consultadas em outubro de 2026 recomendam revisar o que a IA gera, e a Microsoft admite descrições incompletas, genéricas ou imprecisas. Na loja, a revisão confere cor, material e medida com o cadastro e deixa vazio o texto das imagens decorativas.

A loja virtual é obrigada a seguir o eMAG?

A Portaria SLTI nº 3/2007 torna o eMAG obrigatório para os órgãos e entidades do SISP, da administração pública federal, e não fala de empresas privadas. Para a loja, a Lei 13.146/2015, art. 63, remete às melhores práticas e diretrizes de acessibilidade adotadas internacionalmente, sem nomear uma norma.

A legenda automática do YouTube funciona em português?

Sim. A Ajuda do YouTube lista o português entre os idiomas da transcrição automática, mas diz que a qualidade varia e pede revisão no YouTube Studio. Em transmissão ao vivo, a transcrição automática só está disponível em inglês.

A loja é obrigada a escrever em linguagem simples?

A Lei 15.263/2025 vale para a administração pública em sua comunicação com a população. Nas WCAG, o critério de nível de leitura é AAA, e as diretrizes não recomendam exigir esse nível como política geral de um site inteiro. Na avaliação do ConnectWeek, para a loja simplificar é escolha, desde que prazo, valor e condição não mudem.

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