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Conciliação de vendas de marketplace: como bater repasse, taxa e estorno sem planilha infinita

Conciliação de vendas de marketplace: como bater repasse, taxa e estorno sem planilha infinita
Imagem ilustrativa

Em resumo

A diferença entre o que a loja vende no marketplace e o que cai na conta precisa ser explicada pedido a pedido. O ConnectWeek mostra os três relatórios da conciliação, a chave que liga cada venda ao repasse, o roteiro semanal em seis passos com o exemplo do Mercado Livre, a tabela de divergências mais comuns e quando vale automatizar.

Conciliar as vendas de marketplace é casar cada pedido com o dinheiro que ele gerou e explicar cada centavo de diferença: comissão, tarifa fixa, frete, parcelamento, antecipação, estorno e devolução. Três relatórios bastam — as vendas da plataforma ou do ERP, o relatório financeiro do marketplace e o extrato da conta onde o dinheiro cai —, ligados pelo número do pedido. O que sobra sem explicação é perda ou erro a contestar. Feita toda semana, a rotina evita que o problema vire prejuízo aceito no fechamento do mês.

Por que o repasse nunca bate com a venda?

Numa venda em marketplace, o dinheiro passa por várias etapas antes de chegar à conta da loja. A plataforma desconta comissão e tarifas, pode cobrar o frete à parte, em regra retém o valor até a entrega e o prazo de proteção da compra e só então libera o saldo. Depois ainda podem aparecer cancelamento, devolução, contestação no cartão ou uma tarifa cobrada em outro dia.

O guia de conciliação do Mercado Livre explica a consequência. Cada evento vira um registro próprio, na data em que ocorre, de modo que uma venda acumula registros em dias diferentes, todos identificados pelo mesmo número de operação. Para saber o resultado real de uma venda, é preciso somar o valor líquido de todas as linhas dela; quem olha só a linha da venda enxerga um valor que ainda pode mudar.

Há também uma diferença de calendário. Se uma venda acontece no fim de maio e a liberação cai em junho, ela aparece em maio na visão por data de venda e em junho na visão por data de liberação. Conciliar mês contra mês sem considerar esse intervalo produz diferenças que não existem.

Quais relatórios usar?

RelatórioO que mostraPara que serve
Vendas, da plataforma ou do ERPPedidos, itens, preço, frete e nota fiscal de cada vendaSaber o que foi vendido e por quanto
Financeiro do marketplaceValor bruto, tarifas, descontos, frete cobrado e valor líquido, com a data de liberaçãoSaber quanto cada venda gerou de dinheiro e quando
Extrato do banco ou da conta de pagamentoSaques e transferências para a conta da empresaConfirmar que o saldo liberado chegou ao banco

No Mercado Livre, a área de faturamento tem uma seção de conciliação com dois relatórios complementares, um organizado pela data da venda e outro pela data da liberação do dinheiro, ligados pelo número da operação. No Mercado Pago, o relatório de todas as transações mostra o que acontece antes da liberação, e o de liberações, o que acontece depois, como explica a página sobre quais relatórios usar. Na Shopee, a área financeira da Central do Vendedor separa os valores ainda em andamento dos já liberados para o saldo. Outros marketplaces têm relatórios equivalentes na área financeira do vendedor.

O roteiro em seis passos

  1. Baixe os três relatórios do mesmo período, com alguns dias de sobra nas pontas, para pegar as liberações de vendas feitas na semana anterior.
  2. Padronize as colunas: número do pedido, data da venda, data da liberação, valor bruto, cada tarifa e valor líquido.
  3. Some as linhas por pedido. Agrupe pelo número do pedido ou da operação e some o valor líquido de todos os eventos daquele pedido.
  4. Recalcule o esperado. Aplique a tabela de tarifas vigente e o frete da faixa correta a cada pedido, e compare com o que foi cobrado. As calculadoras de taxas do Mercado Livre e da Shopee ajudam a conferir as regras de cada canal.
  5. Classifique cada diferença pela tabela de divergências abaixo.
  6. Conteste e registre. Abra a reclamação na plataforma dentro do prazo, anote o protocolo e acompanhe até o crédito. O que não for recuperável entra no resultado do mês como perda, com o motivo anotado, na DRE gerencial.

Um exemplo hipotético: venda de R$ 150,00, comissão de 14% (R$ 21,00), tarifa fixa de R$ 5,00 e frete de R$ 18,50 pago pelo vendedor. O líquido esperado é de R$ 105,50. Se o relatório mostra R$ 99,30, a diferença de R$ 6,20 precisa de explicação. No caso do exemplo, o frete foi cobrado numa faixa de peso acima da real, porque as medidas da embalagem estavam erradas no cadastro.

Tabela de divergências e o que fazer

DivergênciaCausa comumO que fazer
Comissão acima da tabelaCategoria errada no anúncio ou faixa de preço diferenteCorrigir o cadastro e contestar as vendas afetadas
Frete cobrado a maiorPeso ou medidas da embalagem cadastrados erradosRevisar o cadastro com o peso cubado real e contestar
Venda sem repassePagamento ainda retido, reclamação aberta ou mediaçãoConferir a data prevista de liberação e o andamento da reclamação
Estorno ou contestaçãoContestação no cartão ou desistência da compraJuntar o comprovante de entrega e responder no prazo
Devolução sem o produto de voltaReembolso ao comprador antes do retorno, ou item avariadoAbrir reclamação com fotos e rastreio da devolução
Taxa de parcelamentoCusto do parcelamento sem juros oferecido pela loja ou, quando o comprador parcela com acréscimo, o valor desse acréscimoNo sem juros, tratar como custo financeiro da venda; no com acréscimo, conferir se o valor pago pelo comprador compensa a taxa
Antecipação não planejadaAntecipação automática ativada na contaRever a configuração e comparar a taxa com a de outras linhas de crédito

A taxa de parcelamento merece atenção. No Mercado Livre, segundo a página que ensina a conciliar o relatório de faturamento, ela aparece em dois casos: quando a loja oferece parcelamento sem juros, é o custo desse financiamento; quando o comprador parcela com acréscimo, equivale ao acréscimo que ele pagou e representa o adiantamento do valor à loja, que recebe tudo de uma vez. As tarifas de venda e de envio são faturadas em notas fiscais, mas a taxa de parcelamento não gera nota, porque não é cobrança por um serviço. Por isso o total das notas de tarifas pode ficar diferente do total do relatório sem que haja erro. As devoluções, que costumam gerar boa parte das diferenças, têm o custo detalhado no artigo sobre devolução no e-commerce, e a contestação de compras no cartão aparece no artigo sobre antifraude.

Receita é a venda, não o repasse

A conciliação também protege a contabilidade. A receita da loja é o valor da venda ao consumidor, e o que o marketplace retém — comissão, tarifa, frete — é despesa. Registrar só o valor repassado como receita reduz o faturamento declarado e pode criar divergência com as informações que plataformas e instituições de pagamento prestam às autoridades fiscais. O tratamento de cada evento está no guia de contabilidade para e-commerce; leve a conciliação fechada ao contador todo mês.

Quando automatizar?

A planilha funciona enquanto o volume é pequeno e os canais são poucos. Três sinais indicam que chegou a hora de um sistema: a conciliação de uma semana passa a tomar mais de meio dia; a loja vende em mais de dois marketplaces; ou as diferenças sem explicação crescem de um mês para o outro. Um ERP ou hub integrado aos marketplaces importa vendas, tarifas e liberações automaticamente e aponta só as exceções. O roteiro de integração está em ERP, marketplace e loja virtual conversando.

Automatizar não dispensa a revisão: o sistema concilia o que bate e separa o que não bate, mas alguém precisa investigar as exceções e contestar dentro do prazo. A conciliação semanal ainda alimenta a projeção de caixa, porque mostra quando cada repasse vai de fato entrar; o método está em fluxo de caixa da pequena empresa.

A conciliação é a primeira das rotinas semanais de gestão financeira da pequena empresa, e as tarifas que ela revela entram na margem de contribuição por SKU.

Fonte: Mercado Livre — Como conciliar usando os relatórios de venda e liberação de dinheiro

Perguntas frequentes

O que é conciliação de vendas de marketplace?

É casar cada pedido com o dinheiro que ele gerou e explicar a diferença entre o valor vendido e o valor liberado: comissão, tarifa, frete, parcelamento, antecipação, estorno e devolução. O que fica sem explicação é perda ou erro a contestar na plataforma.

Por que o repasse do marketplace é menor que a venda?

Porque a plataforma desconta comissão, tarifas e, em muitos casos, o frete pago pelo vendedor, e pode descontar depois antecipações, estornos e devoluções. Além disso, em regra o dinheiro só é liberado após a entrega e o prazo de proteção da compra.

Quais relatórios usar para conciliar vendas no Mercado Livre?

A seção de conciliação da área de faturamento traz um relatório por data de venda e outro por data de liberação do dinheiro, ligados pelo número da operação. No Mercado Pago, os relatórios de todas as transações e de liberações cumprem o mesmo papel, antes e depois da liberação.

Com que frequência conciliar as vendas?

Toda semana, por canal, com o fechamento completo no fim do mês. A rotina semanal pega as diferenças enquanto ainda há prazo para contestar na plataforma e alimenta a projeção de caixa com as datas reais de liberação.

Devo registrar como receita o valor que o marketplace repassa?

Não. A receita é o valor da venda ao consumidor, e comissão, tarifas e frete retidos pela plataforma são despesas. Registrar só o repasse reduz o faturamento declarado e esconde o custo do canal.

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