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Brinquedos para revenda: o que Laranjal Paulista fabrica e o que se sabe sobre a pelúcia de Tabatinga

Em resumo

Laranjal Paulista, no interior de São Paulo, é por lei estadual a Capital dos Brinquedos do Estado. O ConnectWeek mostra ao lojista o que a prefeitura e a Assembleia Legislativa informam sobre as fábricas de brinquedos da cidade, como funciona a visita monitorada, por que o título de Tabatinga como capital do bicho de pelúcia ainda é projeto de lei e onde encontrar os fabricantes reunidos.

Laranjal Paulista, a 173 quilômetros da capital paulista segundo o portal de turismo da prefeitura, é por lei estadual a Capital dos Brinquedos do Estado de São Paulo. A prefeitura informa, na página Capital do Brinquedo, mais de 30 fábricas de brinquedos na cidade e mantém um programa de visitas monitoradas a três delas. Tabatinga, também no interior paulista, é chamada de capital do bicho de pelúcia, mas esse título ainda é um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados. O ponto de encontro documentado entre fabricantes de brinquedos e lojistas é a Abrin, feira do setor realizada na cidade de São Paulo. O ConnectWeek leu as páginas da prefeitura, da Assembleia Legislativa, da Câmara e da feira em 12 de outubro de 2026 e mostra ao lojista que revende brinquedos o que elas dizem e onde os números não batem.

O que a lei de 2021 dá a Laranjal Paulista

A Lei estadual nº 17.474, de 16 de dezembro de 2021, tem dois artigos. O primeiro dá a Laranjal Paulista o título de "Capital dos Brinquedos" do Estado. O segundo põe a lei em vigor. O texto não cria selo de origem, cadastro de fabricantes ou regra para o produto. A expressão "Capital Estadual do Brinquedo", que aparece no título de uma reportagem da própria Assembleia, não é a que está na lei.

O título é estadual, aprovado pela Assembleia Legislativa e promulgado pelo governador. Ele reconhece a atividade da cidade e não diz nada sobre a qualidade ou a origem de um brinquedo em particular.

Quantas fábricas há: três documentos, três respostas

Os números do polo mudam conforme o documento. O quadro abaixo junta o que cada fonte pública afirma, com a data que ela própria informa.

FonteFábricasOutros númerosData
Portal de turismo da prefeitura, página Capital do BrinquedoMais de 30Produção para o mercado nacional e para exportaçãoSem data
Guia turístico em PDF, no portal de turismo da prefeitura3560% da produção nacional de brinquedosSem data
Reportagem da Assembleia Legislativa, com declarações do presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq)Mais de 35Cerca de 70 milhões de brinquedos por ano, mais de 20 milhões deles bonecas; 4 mil postos de trabalho16 de junho de 2023

A reportagem da Assembleia atribui os 70 milhões de unidades a "estimativas do ramo", sem indicar o levantamento. O percentual de 60% da produção nacional aparece só no guia turístico, que a prefeitura oferece para baixar no portal de turismo, também sem origem. O lojista pode ler esses números como ordem de grandeza declarada pelo município e pelo setor. Nenhum deles vem de pesquisa com método publicado.

Os mesmos três textos dão ao polo uma colocação em ranking mundial de produção de brinquedos, as colocações não coincidem, e nenhum traz o levantamento de origem. O ConnectWeek não reproduz essas colocações.

Sobre o tipo de produto há mais acordo. O presidente da Abrinq descreveu o polo, na reportagem de 2023, como especializado em plástico. Pelas estimativas do setor citadas na mesma reportagem, as bonecas são mais de 20 milhões dos cerca de 70 milhões de brinquedos fabricados por ano na cidade. A página de dados estatísticos da Prefeitura de Laranjal Paulista lista a fabricação de brinquedos entre as três atividades da economia local, ao lado da avicultura e da cerâmica.

Como entrar em uma fábrica: a visita monitorada da prefeitura

O único caminho de acesso às fábricas descrito em página oficial é o programa de turismo industrial. Segundo a página Turismo Industrial, do portal de turismo do município, a prefeitura conduz um projeto-piloto com três fabricantes de brinquedos, que abrem as instalações para visita monitorada. A página declara três objetivos: divulgar os produtos fabricados na cidade, mostrar o processo de fabricação e promover novos negócios.

O que a página e o guia turístico informam sobre a visita:

  • cada fábrica recebe visitantes em um dia fixo da semana, sempre às 9h, em datas marcadas, em geral uma por mês, segundo a página Turismo Industrial;
  • a participação é gratuita e depende de cadastro antecipado, feito em um formulário ligado à página;
  • a idade mínima é de seis anos, com um responsável, conforme a página Turismo Industrial;
  • o guia diz que o roteiro inclui os showrooms das indústrias, as salas em que a fábrica expõe os produtos;
  • o cronograma pode mudar conforme a prefeitura e as empresas.

Dois cuidados antes de se programar. As datas publicadas não trazem o ano, e os nomes das empresas não coincidem entre o texto e o cronograma da mesma página. Confirme a data e a fábrica com a Secretaria de Turismo do município antes de viajar.

A visita é um programa de turismo. A página não fala em venda no atacado, em tabela para lojista ou em atendimento comercial durante o roteiro. Na avaliação do ConnectWeek, ela serve para o lojista conhecer a linha de produtos e conseguir o contato da área comercial, e a negociação acontece depois, direto com o fabricante.

O polo de brinquedos não está no mapa do SP Produz

A prefeitura informa, na página Capital do Brinquedo, que Laranjal Paulista foi reconhecida como arranjo produtivo local pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado em 29 de maio de 2020. Arranjo produtivo local era o nome que o governo paulista dava ao conjunto de empresas de um mesmo setor reunidas em uma região. A reportagem da Assembleia, de 2023, dizia que o arranjo dos brinquedos ainda era classificado como emergente.

O programa estadual mudou de nome e de regras desde então: o Decreto nº 68.648, de 25 de junho de 2024, instituiu o Programa SP Produz. Em 12 de outubro de 2026, o mapa do programa SP Produz não trazia nenhuma cadeia de brinquedos entre os 188 registros, e Laranjal Paulista não era sede de cadeia alguma. O site do programa não explica o que aconteceu com o arranjo de 2020. Para o lojista, a consequência é prática: o polo tem o título dado por lei, mas não tem, no programa estadual, cadeia reconhecida nem a entidade que responde por ela, chamada de entidade gestora nos editais do programa. O artigo SP Produz: como o Estado reconhece uma cadeia produtiva local explica o papel dessa entidade. O tipo de reconhecimento dos outros polos paulistas está no guia Polos produtivos de São Paulo: o que cada cidade fabrica e por onde o lojista começa a procurar fornecedor.

Tabatinga: o título do bicho de pelúcia ainda é projeto de lei

Tabatinga aparece na imprensa como capital do bicho de pelúcia. O título de Capital Nacional do Bicho de Pelúcia ainda não é lei: é o que propõe o Projeto de Lei nº 8.763, de 2017, em análise na Câmara dos Deputados. A Comissão de Cultura aprovou o parecer favorável em 13 de maio de 2026, e no dia seguinte o projeto chegou à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, onde aguardava a escolha de relator em 12 de outubro de 2026. Enquanto a tramitação não termina, o nome é fama.

O inteiro teor do projeto, que a ficha de tramitação na Câmara liga em PDF, mostra de onde vem a fama. A justificativa do autor cita uma reportagem de 2015 segundo a qual a cidade tinha 40 fábricas de bichos de pelúcia. É um número de imprensa, com mais de dez anos, repetido em documento legislativo. O ConnectWeek não encontrou contagem oficial recente.

O reconhecimento oficial que Tabatinga tem é outro. O mapa do programa SP Produz registra a Cadeia Produtiva Local Têxtil de Tabatinga, no grau de cadeia consolidada, o terceiro de quatro, sob responsabilidade de uma entidade sem fins lucrativos e com Ibitinga, Itápolis, Borborema e Araraquara como cidades vinculadas. O registro fala em setor têxtil e não menciona pelúcia.

A página inicial do site da Prefeitura de Tabatinga não citava, em 12 de outubro de 2026, as fábricas de pelúcia e não trazia lista de empresas nem roteiro de compras. Quem quer comprar pelúcia de fabricante da cidade precisa localizar as empresas uma a uma e confirmar com cada uma se vende para lojista.

Onde o lojista encontra os fabricantes reunidos: a feira Abrin

O ponto de encontro documentado entre fábricas de brinquedos e lojistas fica fora dos dois municípios. A Abrin, feira de brinquedos realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, apresenta-se como evento de negócios entre empresas, com fabricantes, distribuidores, importadores e lojistas, e dura quatro dias. A organização, a Francal Feiras, informa na página Sobre a Abrin que a feira abre o calendário comercial do setor e reúne mais de 1.500 lançamentos por edição.

O site publica a lista de expositores de cada edição, com marca, produto, localização e site de cada um, e permite montar um roteiro de visita. Para saber se uma fábrica de Laranjal Paulista ou de Tabatinga estará na feira, o lojista procura pelo nome da marca.

Em 12 de outubro de 2026, o site ainda exibia a lista de expositores de 2026, e a página Por que visitar anunciava a edição seguinte para 4 a 7 de abril de 2027, no Expo Center Norte. A data é a que a organização publica e deve ser conferida no site antes da viagem. O credenciamento de visitantes para 2027 ainda não estava aberto, e a página inicial da feira oferecia um cadastro para avisar da abertura. Quem nunca foi a uma feira de negócios encontra um roteiro de preparação no guia Feira de negócios: como transformar três dias de evento em reuniões e propostas de venda.

Preço, pedido mínimo e canal de venda ficam para a conversa com cada fábrica

As páginas da prefeitura, da Assembleia Legislativa, da Câmara e da feira não informam preço de atacado, pedido mínimo, prazo de entrega nem contato comercial das fábricas. Cada fabricante define essas condições. Na avaliação do ConnectWeek, a primeira conversa com a área comercial precisa esclarecer se a fábrica vende direto para lojista ou só por distribuidor e representante, quantas unidades vêm em cada caixa fechada e se a venda dos produtos em marketplace é autorizada. O artigo D2C para pequena indústria: como vender direto ao consumidor sem brigar com o revendedor mostra como a indústria organiza esses canais.

Este artigo não trata da certificação de brinquedos, e o lojista deve confirmar com o fabricante a situação de cada produto antes de anunciar.

Para quem vende no Dia das Crianças e no Natal, a pergunta que define o pedido é a data-limite da fábrica: até quando a encomenda precisa ser fechada para a mercadoria chegar à loja antes de cada data. O prazo seguinte, o do envio da loja ao consumidor, está em Natal 2026: até quando postar para a encomenda chegar.

Fonte: Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, Lei nº 17.474, de 16 de dezembro de 2021

Perguntas frequentes

Laranjal Paulista é a Capital dos Brinquedos por lei?

Sim. A Lei estadual nº 17.474, com data de 16 de dezembro de 2021, dá a Laranjal Paulista o título de Capital dos Brinquedos do Estado de São Paulo. A lei tem dois artigos, trata só do título e não cria selo de origem nem cadastro de fabricantes.

Quantas fábricas de brinquedos há em Laranjal Paulista?

As fontes públicas não coincidem. O portal de turismo da prefeitura fala em mais de 30 fábricas, o guia turístico do município informa 35, e uma reportagem da Assembleia Legislativa de junho de 2023 registra mais de 35, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq). Nenhuma das páginas publica a lista completa das fábricas.

Dá para visitar as fábricas de brinquedos de Laranjal Paulista?

Sim. A prefeitura mantém um projeto-piloto de turismo industrial com três fabricantes. As visitas são monitoradas, gratuitas, começam às 9h em datas marcadas e exigem cadastro antecipado em formulário ligado à página do portal de turismo. A idade mínima é de seis anos, com um responsável. A página não fala em venda no atacado durante a visita.

Tabatinga é a Capital Nacional do Bicho de Pelúcia?

Por lei, ainda não. O título é proposto pelo Projeto de Lei nº 8.763, de 2017, que tramita na Câmara dos Deputados. A Comissão de Cultura aprovou o parecer em 13 de maio de 2026, e o projeto seguiu para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, onde aguardava relator em 12 de outubro de 2026. O reconhecimento oficial que a cidade tem é o da Cadeia Produtiva Local Têxtil de Tabatinga, no programa estadual SP Produz.

Onde o lojista encontra fabricantes de brinquedos reunidos?

Na Abrin, feira de brinquedos realizada no Expo Center Norte, em São Paulo. A organização informa que o evento dura quatro dias, reúne fabricantes, distribuidores, importadores e lojistas e apresenta mais de 1.500 lançamentos por edição. O site da feira publica a lista de expositores e, em 12 de outubro de 2026, anunciava a edição seguinte para 4 a 7 de abril de 2027.

Qual é o pedido mínimo para comprar brinquedos direto da fábrica?

As páginas da prefeitura, da Assembleia Legislativa e da feira não informam preço de atacado, pedido mínimo, prazo de entrega nem contato comercial das fábricas. Cada fabricante define as suas condições, e o lojista deve confirmar com a área comercial se a fábrica vende direto ou por distribuidor e representante.

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