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México passa o Brasil em venture capital: US$ 1,52 bilhão contra US$ 1,08 bilhão até setembro, diz Crunchbase
Em resumo
Levantamento do Crunchbase publicado em 19 de outubro de 2026 mostra que as startups mexicanas receberam US$ 1,52 bilhão em investimento de venture capital de janeiro a setembro, cerca de 40,7% mais que as brasileiras. Na América Latina, o 3º trimestre somou US$ 1,3 bilhão, alta de 26% sobre o mesmo período de 2025.
As startups do México receberam mais investimento de venture capital (dinheiro de fundos e investidores que compram participação em empresas novas com potencial de crescer rápido) do que as do Brasil nos nove primeiros meses de 2026. Pelo relatório trimestral do Crunchbase News sobre a América Latina, publicado em 19 de outubro de 2026, as empresas mexicanas captaram US$ 1,52 bilhão de janeiro a setembro. As brasileiras ficaram com US$ 1,08 bilhão no mesmo período; o valor mexicano é cerca de 40,7% maior. O Crunchbase chama a inversão de incomum: historicamente, o Brasil é o país que mais recebe esse tipo de investimento na região.
Poucas rodadas grandes no México, mais negócios no Brasil
A explicação dada ao Crunchbase News por Igor Piquet, vice-presidente e chefe para a América Latina da Endeavor Catalyst, é de concentração. No México, os investidores apostaram valores altos em poucas empresas; no Brasil, o volume ficou espalhado por um número maior de rodadas. Piquet acrescentou que o Brasil lidera a região em saídas já realizadas, isto é, vendas de participação por aquisição ou operação parecida. A Endeavor Catalyst fechou há pouco um fundo de US$ 320 milhões, como registrou a notícia do ConnectWeek sobre o Fundo V.
No México, o relatório destaca a Kapital, empresa de serviços financeiros com inteligência artificial. Em setembro, ela captou US$ 125 milhões numa Série C (a terceira rodada com investidores profissionais, depois das Séries A e B) que juntou capital e uma linha de dívida, com avaliação de US$ 1,6 bilhão.
Duas rodadas iniciais brasileiras puxaram o estágio inicial
No Brasil, o relatório destaca duas rodadas de agosto. O Kesh Bank, empresa de serviços financeiros digitais (fintech), levantou US$ 106,9 milhões numa rodada seed, a primeira captação com investidores profissionais, que combinou capital e dívida, com avaliação de US$ 626 milhões. O artigo sobre pré-seed, seed e Série A explica cada estágio. A Decade recebeu US$ 85 milhões. A empresa faz assessoria patrimonial com inteligência artificial e foi fundada por Vitor Olivier, ex-diretor de tecnologia do Nubank, e por Felipe Meneses. Pelos registros do Crunchbase, é a maior rodada seed já feita por uma startup latino-americana.
Com esses dois negócios entre os destaques, as rodadas anjo (feitas por investidores pessoas físicas) e seed da região somaram US$ 266 milhões no 3º trimestre. O valor é 128% maior que o do 2º trimestre de 2026 e 62% maior que o do 3º trimestre de 2025, e equivale a cerca de 20,5% de tudo o que a região captou entre julho e setembro.
Região cresce 26% sobre o 3º trimestre de 2025, mas recua 9% sobre o 2º
Somando todos os estágios, as startups latino-americanas receberam US$ 1,3 bilhão no 3º trimestre de 2026, alta de 26% sobre o mesmo trimestre de 2025 e queda de 9% sobre o 2º trimestre. As rodadas de estágio avançado e de crescimento, voltadas a empresas mais maduras, ficaram com US$ 757 milhões, 74% a mais que um ano antes e 21,3% abaixo dos US$ 962 milhões do trimestre anterior. As duas maiores rodadas do período não foram nem no Brasil nem no México, e sim em energia: a chilena Black Giant, do projeto de lítio da EnergyX, captou US$ 225 milhões, e a colombiana Erco Energía, de energia solar, US$ 129 milhões.
O Crunchbase usa dados registrados até 5 de outubro de 2026 e avisa que os números do estágio inicial costumam crescer depois, porque muitas rodadas seed são divulgadas semanas ou meses após o fechamento. Os valores estão em dólares, convertidos pela cotação do dia em que cada rodada foi anunciada.
Perguntas frequentes
Quanto as startups do México e do Brasil receberam em 2026?
Pelos dados do Crunchbase, de janeiro a setembro de 2026 as startups do México receberam US$ 1,52 bilhão em venture capital, e as do Brasil, US$ 1,08 bilhão. O valor mexicano é cerca de 40,7% maior que o brasileiro. O próprio Crunchbase diz que a inversão é incomum, porque o Brasil costuma liderar a região.
Por que o México passou o Brasil?
Segundo Igor Piquet, vice-presidente da Endeavor Catalyst ouvido pelo Crunchbase News, o dinheiro no México se concentrou em poucas startups, enquanto o Brasil registrou um número maior de rodadas. Um exemplo do trimestre é a Kapital, de serviços financeiros, que captou US$ 125 milhões em setembro, entre capital e dívida.
Quanto a América Latina captou no 3º trimestre de 2026?
US$ 1,3 bilhão entre julho e setembro, 26% a mais que no 3º trimestre de 2025 e 9% a menos que no 2º trimestre de 2026. As rodadas de estágio avançado e de crescimento somaram US$ 757 milhões; as rodadas anjo e seed, US$ 266 milhões. Os números usam dados do Crunchbase até 5 de outubro e podem subir, porque rodadas seed costumam ser anunciadas semanas ou meses depois do fechamento.



