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Como dividir o catálogo de produtos entre Mercado Livre, Shopee, Amazon e loja própria
Em resumo
Dividir o catálogo de produtos entre Mercado Livre, Shopee, Amazon e loja virtual própria é decidir, item por item, onde cada produto será anunciado. O ConnectWeek mostra as quatro características do produto que pesam na escolha: preço, peso, código de barras e marca. O texto traz as regras publicadas pelos três sites de venda e um roteiro para classificar um catálogo pequeno em uma tarde.
Dividir o catálogo de produtos entre Mercado Livre, Shopee, Amazon e loja virtual própria é decidir, item por item, em quais canais de venda cada produto será anunciado. A decisão sai de quatro características do próprio produto: o preço, o peso, a existência de código de barras e a marca. Marketplace é o site que reúne ofertas de vários vendedores. Cada um publica regras que mudam conforme essas características. Este texto reúne as regras lidas nas páginas oficiais dos três marketplaces em 7 e 8 de outubro de 2026 e propõe um roteiro para classificar um catálogo pequeno em uma tarde.
Por que não anunciar tudo em todos os canais?
Na avaliação do ConnectWeek, há três motivos. O primeiro é que, no Mercado Livre e na Shopee, a cobrança muda por faixa de preço. A passagem de uma faixa para a outra funciona como um degrau, e um produto pode ficar logo acima ou logo abaixo dele. O segundo é que há canal que pede documentos ou códigos que nem todo produto tem, como a Amazon. O terceiro é o estoque: cada canal a mais é outro lugar onde a quantidade disponível precisa estar certa, assunto tratado no artigo sobre como avaliar um hub de integração, o sistema que liga a loja aos marketplaces.
A divisão não precisa ser definitiva. Ela é uma primeira triagem, que a loja revê com os números de venda de cada canal. Quem ainda vende em um site só pode conferir antes as condições para abrir um segundo marketplace.
As quatro características que decidem o canal
1. Preço: em que faixa de cobrança o produto cai
No Mercado Livre, o preço do anúncio define quem oferece o frete grátis. A página “Custos dos Envios no Mercado Livre”, na versão para vendedores com reputação verde, MercadoLíder ou sem reputação, informa que, em anúncios de R$ 19 a R$ 78,99, é o Mercado Livre que oferece o frete grátis padrão, e que, em anúncios a partir de R$ 79, quem oferece o frete grátis rápido é o vendedor. O custo de envio que o Mercado Livre cobra do vendedor muda junto. Na tabela dessa página, para um pacote de até 0,3 quilo, o custo é de R$ 8,15 quando o preço está entre R$ 49 e R$ 78,99 e de R$ 12,95 quando está entre R$ 79 e R$ 99,99. A tabela vale para produtos novos enviados pelas modalidades Envios Full, Coleta e Agências, e a página avisa que os valores já incluem a redução dada conforme a reputação do vendedor. A conta completa desse degrau está em frete grátis no Mercado Livre: as regras atuais.
Na Shopee, o preço do produto define a comissão. A página “Confira a Política de Comissão para vendedores CNPJ e CPF”, do Centro de Educação do Vendedor, informa que, desde 1º de outubro de 2026, o valor fixo por item para produtos de até R$ 79,99 é de R$ 4,50. Na tabela da página para vendedores com CNPJ, a comissão é de 20% mais R$ 4,50 por item até R$ 79,99 e de 14% mais R$ 16 por item na faixa seguinte, que vai até R$ 99,99. A mesma página diz que, para o vendedor com CNPJ, em produtos com preço abaixo de R$ 9, esse valor fixo equivale à metade do preço do produto. Os cupons do Programa de Frete Grátis da plataforma também seguem o preço: valem para fretes de até R$ 20 em itens de até R$ 79,99 e para fretes de até R$ 30 em itens de R$ 80 a R$ 199,99.
Na leitura do ConnectWeek, a consequência é prática: produto com preço perto de R$ 79, no Mercado Livre, ou de R$ 80, na Shopee, merece a conta feita nos dois lados do degrau antes de ser anunciado. As tarifas mudam de tempos em tempos. A calculadora de taxas do Mercado Livre e a calculadora de taxas da Shopee ajudam a refazer a conta.
2. Peso e tamanho: quanto o envio pesa na venda
O custo de envio do Mercado Livre é calculado pelo peso e pelas medidas do produto na embalagem final e pelo preço, segundo a mesma página de custos. O efeito do peso aparece com força acima do degrau de R$ 79. Na faixa de preço de R$ 79 a R$ 99,99, a tabela traz os R$ 12,95 já citados para o pacote de até 0,3 quilo e R$ 38,25 para o pacote de 9 a 10 quilos. Abaixo do degrau, na faixa de R$ 49 a R$ 78,99, o envio dos mesmos pacotes custa R$ 8,15 e R$ 10,85.
Na avaliação do ConnectWeek, isso separa o catálogo em dois grupos. Produto leve aguenta a venda unitária em marketplace. No produto pesado, o que decide é o lado do degrau: abaixo de R$ 79, a tabela do Mercado Livre quase não varia com o peso; acima, o custo de envio cresce depressa. O item pesado com preço pouco acima de R$ 79 pede a conta antes do anúncio. O kit, que soma peso e eleva o preço, pode levar o pedido para a faixa mais cara. A alternativa é a loja própria, onde a loja escolhe a transportadora e a regra de frete.
3. Código de barras: o produto consegue entrar?
Na Amazon, o código de barras entra na decisão. A página sobre produtos sem ID de produto, da central de ajuda do vendedor, trata do produto que não tem o código, chamado GTIN, e explica quando o vendedor pode pedir para publicar sem ele. GTIN é o número do código de barras. O pedido, chamado de isenção, cabe quando o vendedor oferece produto de marca própria ou artesanal, produto que ele mesmo fabrica sem código de barras, peças que não têm identificação, produtos em combo e produtos genéricos, sem marca. A isenção não pode ser pedida, segundo a página, se o produto já tem código de barras, se já está no catálogo da Amazon ou se é de uma marca para a qual o código é obrigatório, entre outros casos.
Há também categorias e marcas que exigem aprovação antes da publicação. A página “Categorias e produtos que exigem aprovação” lista o que preparar: notas fiscais de compra emitidas há no máximo 180 dias, fotos nítidas que mostrem todos os lados do produto, carta de autorização da marca, quando for o caso, e certificações de segurança, quando necessárias. A análise, diz a página, leva de 2 a 7 dias úteis. O passo a passo para abrir a conta de vendedor está em como vender na Amazon Brasil.
Para a divisão do catálogo, o que importa é saber, antes de planejar, quais itens entram na Amazon hoje, quais dependem de isenção ou de aprovação e quais ficam de fora. As regras do código de barras em cada marketplace estão no artigo sobre EAN e GTIN para marketplace.
4. Marca: o produto é só seu ou outros vendem o mesmo?
Quando vários vendedores oferecem o mesmo produto, a Amazon e o Mercado Livre reúnem as ofertas em uma única página, e só uma delas aparece em destaque. O artigo sobre como ganhar a oferta em destaque explica as regras dessa disputa nos dois sites. Na avaliação do ConnectWeek, a revenda de produto de marca conhecida tende a virar disputa de preço e de prazo nesses canais, enquanto o produto de marca própria não divide a página com ninguém. Isso pesa na escolha: itens de revenda vão para o canal em que a loja consegue competir, e itens exclusivos podem estar em todos.
Como classificar um catálogo pequeno em uma tarde?
O roteiro é sugestão do ConnectWeek. Ele usa uma planilha com uma linha por produto.
- Liste os produtos com cinco colunas: preço de venda, peso com embalagem, se tem código de barras, se a marca é própria ou de terceiros e quantas unidades há em estoque.
- Marque o que entra na Amazon. Crie uma sexta coluna e anote “entra”, “precisa de isenção de código”, “precisa de aprovação” ou “não entra”, conforme as duas páginas da Amazon citadas acima.
- Marque os que estão perto de um degrau de preço. Para cada um, faça a conta dos dois lados nas calculadoras do Mercado Livre e da Shopee.
- Separe os pesados em que o custo de envio do marketplace pesa na conta. Decida, para cada um, entre ajustar o preço, vender na loja própria ou as duas coisas.
- Reparta o estoque. Item com poucas unidades fica em um canal só, até a reposição chegar. Item com estoque folgado pode ir para vários.
- Defina um canal principal por produto. É nele que a loja acompanha o resultado primeiro. Os demais são complemento.
O resultado é uma lista em que cada produto tem um canal principal, canais complementares e um motivo anotado. O motivo anotado serve para refazer a escolha quando a regra do marketplace mudar.
O que fica com a loja própria?
Na avaliação do ConnectWeek, quatro tipos de produto fazem mais sentido na loja própria do que nos marketplaces:
- os kits e combinações montados pela loja, quando o preço do conjunto cai em uma faixa de cobrança mais cara do marketplace;
- os itens pesados em que o custo de envio do marketplace pesa na conta, para os quais a loja quer escolher a regra de frete;
- os itens que não passaram nas exigências de código ou de aprovação;
- os lançamentos, que a loja prefere testar com os próprios clientes antes de expor à comparação de preço.
A loja própria também pode ter o catálogo inteiro, e os marketplaces, só uma parte. O que muda é o papel de cada canal. A decisão que vem antes desta, entre começar por marketplace ou por loja própria, está no guia marketplace ou loja própria. Quem ainda vai começar no Mercado Livre ou na Shopee encontra os guias em como vender no Mercado Livre e em como vender na Shopee.
Quando rever a divisão
O ConnectWeek sugere três gatilhos para refazer a triagem:
- mudança de tarifa ou de regra em um dos marketplaces, como a do valor fixo da Shopee em 1º de outubro de 2026;
- mudança de preço do produto que o faça atravessar um degrau;
- falta de estoque repetida em um item anunciado em vários canais.
Fora desses casos, a sugestão do ConnectWeek para um catálogo pequeno é rever a divisão a cada trimestre ou a cada troca de coleção, porque uma mudança de regra pode ter passado despercebida.
Comece por aqui Novo no assunto? Leia primeiro o que é e-commerce, o texto-base desta cobertura.
Fonte: Mercado Livre — Custos dos Envios no Mercado Livre
Perguntas frequentes
Devo anunciar todos os produtos em todos os marketplaces?
Na avaliação do ConnectWeek, não necessariamente. No Mercado Livre e na Shopee, a cobrança muda conforme a faixa de preço do produto. A Amazon tem regras de código de barras e de aprovação prévia. E cada canal a mais é outro lugar onde o estoque precisa estar certo. O caminho sugerido é classificar o catálogo produto a produto e dar a cada item um canal principal e canais complementares.
Quando rever a divisão do catálogo entre os canais de venda?
O ConnectWeek sugere refazer a triagem em três situações: quando um marketplace muda tarifa ou regra, quando o preço de um produto muda de faixa de cobrança e quando falta estoque repetidas vezes em um item anunciado em vários canais. Fora desses casos, a sugestão para um catálogo pequeno é rever a divisão a cada trimestre ou a cada troca de coleção.
Por que o preço de R$ 79 importa no Mercado Livre?
Porque é nesse preço que muda quem oferece o frete grátis. A página de custos de envio do Mercado Livre para vendedores MercadoLíder, com reputação verde ou sem reputação, aplica-se a produto novo despachado pelas modalidades Envios Full, Coleta e Agências. Segundo ela, quando o preço do produto anunciado vai de R$ 19 a R$ 78,99, o frete grátis padrão é oferecido pelo Mercado Livre; a partir de R$ 79, o frete grátis rápido é oferecido pelo vendedor. O custo de envio cobrado do vendedor também sobe de uma faixa para a outra.
Que produtos fazem mais sentido só na loja própria?
Na avaliação do ConnectWeek, quatro tipos: kits e combinações cujo preço cai em uma faixa de cobrança mais cara do marketplace, itens pesados em que o custo de envio do marketplace pesa na conta, itens que não cumprem as exigências de código ou de aprovação e lançamentos que a loja prefere testar primeiro com os próprios clientes.
