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GestãoArtigoDados com fonte declarada

Custo por cliente e hora técnica: como medir no escritório contábil

Mão segurando sobre a mesa uma ampulheta de areia laranja escorrendo, ao lado de pastas cinza de clientes em pé

Em resumo

A hora técnica do escritório contábil é o custo total dividido pelas horas que a equipe de fato dedica a clientes, e não pelas horas do contrato de trabalho. Multiplicada pelas horas apontadas em cada cliente ao longo de doze meses, ela mostra quem cobre o próprio custo. Veja a conta passo a passo, com exemplos hipotéticos.

Em resumo

O custo por cliente de um escritório contábil é o número de horas que a equipe gasta com ele multiplicado pelo custo da hora técnica, mais os gastos que só existem por causa daquele cliente. A hora técnica, por sua vez, é o custo total do escritório dividido pelas horas que a equipe realmente dedica a clientes, e não pelas horas do contrato de trabalho. Sem apontamento de horas por cliente durante o ano inteiro, o escritório sabe quanto fatura com cada empresa, mas não sabe quais delas pagam a conta das outras.

Por que medir: custo e tempo estão na norma

O Código de Ética Profissional do Contador (NBC PG 01, de 2019) manda considerar, ao definir o valor dos serviços, os custos e a dificuldade do trabalho (item 7, alínea "a") e o tempo que ele vai consumir (alínea "b"). São dois números que o escritório só tem se medir. Faturamento do cliente, quantidade de notas e número de funcionários ajudam a estimar, mas quem diz quanto um cliente custa é o relógio da equipe.

Este texto fica só na medição. A formação do preço a partir do custo é outro passo; a lógica geral está em precificação de serviços.

Primeiro número: quantas horas o escritório tem para vender

O erro mais comum é dividir o custo pelas horas contratadas. A CLT fixa a duração normal do trabalho em até 8 horas diárias (art. 58), e a Constituição limita a jornada a 44 horas semanais (art. 7º, XIII). Isso é o teto do tempo comprado da equipe, não o tempo que chega ao cliente. Entre um e outro há três descontos:

  • Férias. Após cada período de 12 meses de contrato, o empregado tem direito a férias (CLT, arts. 129 e 130), de 30 dias corridos para quem não teve mais de 5 faltas. Na prática, cada pessoa produz 11 meses por ano.
  • Tempo interno. Reuniões, treinamento, atualização de sistemas, organização de arquivos, conversas com o cliente que não viram entrega. A própria NBC PG 01 impõe ao contador o cumprimento dos Programas de Educação Profissional Continuada (item 4, alínea "o"): estudo é obrigação e consome agenda.
  • Retrabalho e espera. Documento que chega errado, lançamento refeito, fila parada à espera do cliente.

O percentual de aproveitamento varia de escritório para escritório e só aparece com apontamento. Não existe número oficial. O exemplo abaixo usa uma hipótese declarada.

Exemplo resolvido: a hora técnica (números hipotéticos)

Considere um escritório com 5 pessoas na produção, cada uma com jornada de 8 horas em 21 dias úteis por mês.

EtapaContaResultado
Horas contratadas por pessoa, por mês8 h × 21 dias168 h
Horas contratadas por pessoa, por ano, descontadas as férias168 h × 11 meses1.848 h
Horas dedicadas a clientes (hipótese: 70% de aproveitamento)1.848 h × 0,701.293,6 h por ano
Média mensal por pessoa1.293,6 h ÷ 12107,8 h
Capacidade mensal da equipe107,8 h × 5 pessoas539 h
Custo total mensal do escritório (hipótese)R$ 43.120,00
Custo da hora técnicaR$ 43.120 ÷ 539 hR$ 80,00

Se a divisão fosse feita pelas 840 horas contratadas (168 h × 5), a hora pareceria custar R$ 51,33. A diferença entre R$ 51,33 e R$ 80,00 é o tamanho do engano de quem calcula pela jornada de contrato: mais de um terço do custo real ficaria fora de qualquer honorário.

O que entra no custo total do escritório

Tudo o que o escritório paga para existir e entregar, trazido para base mensal:

  • Pessoas. Salários, encargos e benefícios. O décimo terceiro e o terço de férias, garantidos no art. 7º da Constituição (incisos VIII e XVII), são pagos em meses específicos, mas pertencem ao ano inteiro: entram na conta como um doze avos por mês.
  • Remuneração dos sócios que produzem ou revisam. Sócio que trabalha de graça na planilha esconde custo. Se ele saísse, alguém teria de ser contratado.
  • Tecnologia. Sistemas contábil, fiscal e de folha, certificados digitais, armazenamento, segurança da informação.
  • Estrutura. Aluguel, energia, internet, equipamentos, anuidades e taxas profissionais.
  • Capacitação. Cursos e horas de estudo exigidos pela profissão.
  • Risco. Seguro, quando houver, e provisão para falhas e refações.

Gastos que existem só por causa de um cliente (uma licença por empresa atendida, um deslocamento, um certificado) ficam fora desse bolo: são somados diretamente ao custo daquele cliente.

Segundo número: quantas horas cada cliente consome

Com a hora técnica em mãos, falta saber onde as horas vão. O apontamento não precisa ser sofisticado; precisa ser constante. Quatro cuidados fazem a medição servir para decisão:

  1. Aponte por cliente e por tipo de tarefa. Escrituração, área fiscal, folha, atendimento, revisão. Assim dá para ver qual serviço pesa.
  2. Inclua a revisão do responsável técnico. A NBC PG 01 veda assinar peças elaboradas por terceiros sem orientação, supervisão ou revisão (item 5, alínea "c"). Esse tempo é parte do custo de cada cliente, não um custo genérico da direção.
  3. Inclua o atendimento. Mensagens, ligações e reuniões costumam ser o que diferencia um cliente barato de um caro com o mesmo volume de documentos.
  4. Meça os doze meses. O trabalho contábil é sazonal: o encerramento do exercício e as declarações anuais concentram horas em poucos meses. Uma amostra de um mês calmo subestima o cliente; a de um mês de pico superestima.

Exemplo resolvido: três clientes na mesma régua (hipotético)

Com a hora técnica de R$ 80,00 do exemplo anterior e a média mensal de horas apontadas em doze meses:

ClienteHoras por mêsCusto técnicoHonorário atualSobra antes da margem
A3 hR$ 240,00R$ 450,00R$ 210,00
B9 hR$ 720,00R$ 600,00− R$ 120,00
C5 hR$ 400,00R$ 520,00R$ 120,00

O cliente B é o que mais paga e o único que consome mais do que entrega. Olhando só o faturamento, ele pareceria o melhor da lista. A tabela não diz o que fazer com ele, apenas mostra o fato. A causa pode estar no escopo (serviço prestado fora do combinado), na qualidade dos documentos que ele envia ou no volume de atendimento.

O que fazer com o número

  • Comparar com o contrato. A Resolução CFC nº 1.590/2020 exige que o contrato detalhe os serviços e o valor dos honorários de cada um (art. 2º, alíneas "b" e "e"). Horas gastas em serviço que não está na lista indicam escopo vazando.
  • Refazer a hora técnica uma vez por ano. Reajuste salarial, sistema novo ou mudança de equipe alteram o custo e a capacidade.
  • Usar na proposta seguinte. O histórico de clientes parecidos é a melhor estimativa de horas para um cliente novo.

Hora técnica e custo por cliente não são preço. São o piso de informação abaixo do qual o escritório passa a decidir no escuro.

Fonte: Conselho Federal de Contabilidade

Perguntas frequentes

Como calcular a hora técnica de um escritório de contabilidade?

Some todos os custos mensais do escritório, incluindo pessoas, sócios que produzem, tecnologia e estrutura, e divida pelas horas que a equipe consegue dedicar a clientes. Essas horas são menores que a jornada contratada, porque é preciso descontar férias, tempo interno e retrabalho.

Posso dividir o custo pelas horas da jornada de trabalho?

Não é recomendável. A jornada é o teto do tempo comprado da equipe. No exemplo hipotético do texto, dividir por 840 horas contratadas daria R$ 51,33 por hora; dividir pelas 539 horas realmente dedicadas a clientes dá R$ 80,00.

Preciso de um sistema para apontar horas por cliente?

Não necessariamente. Uma planilha preenchida todos os dias, por cliente e por tipo de tarefa, já resolve. O que importa é a constância e cobrir os doze meses, porque o trabalho contábil tem picos no encerramento do exercício e nas declarações anuais.

O tempo de revisão do contador responsável entra no custo do cliente?

Sim. A NBC PG 01, de 2019, veda assinar peças contábeis elaboradas por terceiros sem orientação, supervisão ou revisão. Esse tempo é parte do trabalho de cada cliente e deve ser apontado como tal.

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