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Sanesul Innova abre seleção de startups do Mercosul para testar tratamento de água em MS
Em resumo
A Sanesul, empresa de saneamento de Mato Grosso do Sul, recebe até 10 de novembro de 2026 propostas de startups para dois problemas de água de poço em Naviraí e Juti. O edital Sanesul Innova é conduzido pelo Itaipu Parquetec, com recursos do banco de desenvolvimento Fonplata. Até quatro empresas serão escolhidas, e cada uma receberá até R$ 79.852,50 para testar a solução numa unidade da Sanesul durante seis meses.
A Sanesul, empresa de saneamento de economia mista vinculada ao governo de Mato Grosso do Sul, recebe desde 9 de outubro de 2026 propostas de startups para dois problemas de tratamento de água de poço no estado. As inscrições do Sanesul Innova vão até as 23h59 de 10 de novembro. Segundo a notícia publicada pela Sanesul em 13 de outubro, podem se inscrever empresas do Brasil e de outros quatro países do Mercosul: Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. São os cinco países do Fonplata, banco de desenvolvimento que financia a iniciativa. Quem conduz a seleção é o Itaipu Parquetec, parque tecnológico criado pela Itaipu Binacional.
Serão escolhidas até quatro startups, no máximo duas para cada problema, que o edital chama de desafio. Cada uma recebe até R$ 79.852,50 para fazer uma prova de conceito, que é o teste da solução em operação real, numa unidade da Sanesul, durante seis meses a partir da assinatura do contrato. O pacote inclui mentoria técnica e de negócios e acesso à estrutura da companhia.
Os dois problemas de água que a Sanesul quer resolver
Em Naviraí, a água de dois poços profundos tem caulim, um tipo de argila presente de forma natural no subsolo, e chega muito turva. Pelo edital nº 06/2026, a água bruta (a que sai do poço, antes do tratamento) tem turbidez em torno de 1.000 NTU, a unidade que mede quanto a água está turva. A solução precisa trazê-la para menos de 5 NTU, além de reduzir a cor. A Sanesul quer aproveitar melhor esses poços, que hoje entregam 77,47 metros cúbicos por hora. A meta é chegar a 132 metros cúbicos por hora.
Em Juti, o problema é o excesso natural de flúor e de sais. O poço de referência, o JUT-006, tem 12,4 miligramas de flúor por litro e abastece um sistema que atende cerca de 5,1 mil moradores. O edital quer baixar o flúor para a faixa de 0,6 a 0,8 mg/L e o sulfato para menos de 200 mg/L, com vazão de pelo menos 60 metros cúbicos por hora. Nos dois casos, a água tratada tem de atender ao padrão de potabilidade do Ministério da Saúde (Portaria GM/MS nº 888/2021). A solução que funcionar pode ser levada a outros sistemas da companhia.
Quem pode se inscrever e como é a escolha
A startup precisa estar constituída como empresa, com pelo menos um profissional dedicado em tempo integral, e ter tecnologia entre os níveis 5 e 9 da escala TRL (do inglês Technology Readiness Level, nível de maturidade tecnológica). O edital define essa faixa como tecnologia já testada e pronta para ser validada em ambiente relevante ou em operação real. O ConnectWeek explica como funciona a escala TRL. O microempreendedor individual (MEI) está fora. A startup estrangeira se inscreve com o registro do seu país, mas precisa abrir empresa no Brasil e ter CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) para assinar o contrato.
A inscrição é gratuita, pelo formulário da página do edital, com um vídeo de até cinco minutos sobre a solução. Uma banca de pelo menos três avaliadores dá notas de 0 a 10 em cinco critérios: aderência ao desafio, viabilidade técnica, viabilidade econômica, equipe e potencial de mercado. Até 12 startups seguem para o Demoday, sessão virtual de apresentação marcada para 16 e 17 de dezembro, com até cinco minutos de exposição e até 20 minutos de perguntas. O resultado sai em 22 de dezembro. As selecionadas entregam a documentação até 17 de janeiro de 2027.
A nota da Sanesul cita como precedente o Sanepar Startups, programa de inovação aberta da companhia de saneamento do Paraná, também operado pelo Itaipu Parquetec. Segundo a nota, ele terminou com duas soluções contratadas por mais de R$ 6 milhões, sem separar o valor de cada uma. Em Minas Gerais, a companhia de energia Cemig também procura startups em outubro, no quinto ciclo do Inova Cemig.Lab, com 13 desafios do setor elétrico.
Como o dinheiro é pago e o que a startup assume
O edital trata o valor como pagamento por prestação de serviços ao Itaipu Parquetec, não como prêmio ou doação. São três parcelas: 40% na aprovação do plano de ação, 40% depois que a solução estiver instalada na Sanesul e o relatório parcial for validado, e 20% com o relatório final validado. Cada parcela depende da aprovação da entrega pelo Itaipu Parquetec e pela Sanesul. O valor máximo cobre todos os custos do teste, inclusive as viagens até Naviraí ou Juti.
Quem desistir, abandonar o projeto ou descumprir o combinado sem anuência prévia da Sanesul e do Itaipu Parquetec pode ter os repasses suspensos e o contrato rescindido. Também pode ter de devolver, no todo ou em parte, o que recebeu, levando em conta as entregas já feitas e aprovadas. A prova de conceito, mesmo bem-sucedida, não obriga a Sanesul a comprar a solução.
Se a solução der receita, o Itaipu Parquetec fica com royalties, uma participação na receita: 2% da receita bruta que a startup tiver com ela durante três anos, contados da aprovação do relatório final. A base de cálculo e a forma de pagamento desses royalties serão definidas no contrato.
Fonte: Sanesul, notícia de 13/10/2026, e Edital Sanesul Innova nº 06/2026
Perguntas frequentes
Até quando vão as inscrições do Sanesul Innova?
Até as 23h59 (horário de Brasília) de 10 de novembro de 2026. A inscrição é gratuita, feita por formulário on-line, e exige o link de um vídeo de apresentação da solução com até cinco minutos. Cada empresa pode inscrever uma única proposta, para um só dos dois desafios.
Quem pode participar do edital?
Startups constituídas como empresa no Brasil, na Argentina, na Bolívia, no Paraguai ou no Uruguai, com solução entre os níveis 5 e 9 da escala de maturidade tecnológica TRL (Technology Readiness Level) e pelo menos um profissional dedicado em tempo integral. O microempreendedor individual (MEI) não pode participar. A startup estrangeira pode se inscrever sem CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), mas precisa abrir empresa no Brasil para assinar o contrato.
Quanto recebe cada startup selecionada?
Até R$ 79.852,50, segundo o edital. O valor é pago como prestação de serviços em três parcelas (40%, 40% e 20%), contra entregas aprovadas pelo Itaipu Parquetec e pela Sanesul, e tem de cobrir todos os custos da prova de conceito, inclusive viagens até o local do teste.
A Sanesul é obrigada a contratar a solução que der certo?
Não. O edital diz que o teste, mesmo com bom resultado técnico, não gera obrigação de contratação pela Sanesul, que decide depois de avaliar a prova de conceito.
A startup paga algo ao Itaipu Parquetec?
Sim, se ganhar dinheiro com a solução. Pelo edital, o Itaipu Parquetec recebe royalties, isto é, uma participação na receita: 2% da receita bruta que a startup obtiver com a solução durante três anos, contados da aprovação do relatório final da prova de conceito. A forma de cálculo e de pagamento fica para o contrato.


