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Varejo cai 3,9% em setembro de 2026, descontada a inflação, e chega a 16 meses de queda no índice da Cielo
Em resumo
O varejo brasileiro vendeu 3,9% menos em setembro de 2026 do que em setembro de 2025, já descontada a inflação. O dado é do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), da empresa de pagamentos Cielo, divulgado em 14 de outubro. É o 16º mês seguido de queda real e o pior setembro do índice desde 2020. As vendas pela internet subiram 5,1% em valores nominais, sem descontar a inflação.
As vendas do varejo brasileiro caíram 3,9% em setembro de 2026 na comparação com setembro de 2025, já descontada a inflação. O número é do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), que a Cielo, empresa de maquininhas e meios de pagamento, publicou em seu blog em 14 de outubro. Foi o 16º mês seguido de queda real e o pior setembro do índice desde 2020, quando o recuo foi de 7,9%. Em setembro de 2025, o índice tinha caído 0,4%, segundo o gráfico da série que acompanha o boletim.
A queda se aprofundou em relação a agosto. O boletim de setembro traz um recuo de 2,2% para agosto. Na divulgação de agosto, feita em setembro, o número era de 2%, valor usado na notícia do ConnectWeek sobre o ICVA de agosto. Segundo a Cielo, o calendário não explica sozinho a retração de setembro: com o ajuste que neutraliza esses efeitos, a queda real chega a 4,5%. A empresa não explica a revisão de agosto nem detalha os efeitos de calendário que retirou.
Serviços e bens duráveis puxam a queda
Os três grandes grupos de consumo que a Cielo acompanha venderam menos do que um ano antes. O grupo de serviços teve a maior queda real, de 9%, com turismo e transporte em retração de 13% e resultado fraco também em bares e restaurantes. Bens duráveis e semiduráveis caíram 7,3%, com móveis, eletrodomésticos, lojas de departamentos, vestuário e artigos esportivos entre os segmentos mais fracos. Bens não duráveis, grupo que reúne os produtos de consumo do dia a dia, tiveram a menor queda. Aqui o boletim traz dois números: o texto fala em recuo real de 0,7%, e o gráfico dos três grupos mostra 1,7%.
Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, disse no boletim que a retração ganhou intensidade e que as compras essenciais resistiram mais. A Cielo classifica como gastos adiáveis os de turismo e transporte, vestuário, móveis e eletrodomésticos.
Internet sobe 5,1% em valor nominal, loja física recua 0,1%
No comércio eletrônico, as vendas subiram 5,1% em valores nominais, ou seja, sem descontar a inflação. Nas lojas físicas, as vendas recuaram 0,1% em valor nominal. A diferença entre os dois canais ficou em 5,2 pontos percentuais. Em agosto, as vendas pela internet também tinham subido 5,1% em valor nominal, e as da loja física, 1,2%. A Cielo não publica o resultado real de cada canal e avisa que os dados, isolados, não mostram troca de consumidores da loja física para a internet nem crescimento real do comércio eletrônico.
Cinco regiões no vermelho, São Paulo com a maior queda entre os estados
Todas as regiões tiveram queda real. O Sudeste recuou 5,6%, o Centro-Oeste 4,5%, o Nordeste 3,6%, o Norte 2,1% e o Sul 1%. Entre os estados que aparecem no gráfico do boletim, São Paulo teve a maior queda, de 7,1%, seguido por Mato Grosso (5,1%), Ceará e Mato Grosso do Sul (5% cada) e Goiás (4,6%). Do lado positivo, o Amapá cresceu 4%, Santa Catarina 0,7% e o Acre 0,6%. A segunda maior alta, de 1,4%, aparece como Rondônia no texto do boletim e como Roraima no gráfico.
Como o ICVA é feito e o que mostrou o índice da Stone
O ICVA acompanha 18 setores do varejo e inclui desde pequenos lojistas até grandes redes. A Cielo diz aplicar modelos estatísticos à sua base para isolar efeitos próprios do mercado de maquininhas, como a troca de cheque e dinheiro por meios eletrônicos e o avanço do Pix. Mesmo assim, é um indicador privado, calculado com as vendas dos clientes da Cielo, e não a estatística oficial. No mesmo 14 de outubro saiu o Índice do Varejo Stone, de outra empresa de pagamentos. Ele mediu alta de 5,4% no volume de vendas sobre setembro de 2025. Na série que desconta os efeitos típicos de cada mês (a dessazonalizada), mediu queda de 0,3% sobre agosto, como mostrou a notícia do ConnectWeek sobre o índice da Stone. Os dois índices usam bases e métodos diferentes e não são comparáveis número a número. O dado oficial do comércio em agosto, a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, sai em 15 de outubro.
Fonte: Blog da Cielo, Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) de setembro de 2026
Perguntas frequentes
Quanto o varejo caiu em setembro de 2026 no ICVA?
Segundo a Cielo, as vendas do varejo caíram 3,9% em setembro de 2026 na comparação com setembro de 2025, já descontada a inflação. Com o ajuste que retira os efeitos de calendário, a queda foi de 4,5%. Foi o pior resultado para o mês desde setembro de 2020, quando o índice recuou 7,9%.
As vendas pela internet cresceram em setembro?
Em valores nominais, sim. A Cielo informa alta de 5,1% no comércio eletrônico e queda de 0,1% nas lojas físicas, sem descontar a inflação. A própria empresa diz que esses números, sozinhos, não permitem concluir que o comércio eletrônico cresceu em termos reais nem que consumidores trocaram a loja física pela internet.
O ICVA é a pesquisa oficial do comércio?
Não. O ICVA é um indicador da Cielo, empresa de maquininhas e meios de pagamento, calculado a partir das vendas em 18 setores da sua base. A pesquisa oficial do comércio é a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do IBGE.


