IA passa site próprio e e-commerce na lista de prioridades de quem está começando

Entre empreendedores em estágio inicial, 74% apontam inteligência artificial como prioridade digital — contra 35% que citam canais tradicionais como site próprio e e-commerce. Os dados são da pesquisa GEM 2024/2025, apresentada pelo Sebrae em 16 de setembro.
O número e o que ele mede
No seminário "Tendências do Empreendedorismo no Brasil", realizado pelo Sebrae em 16 de setembro de 2026, foram apresentados os resultados da edição 2024/2025 da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor. Entre os empreendedores em estágio inicial — os que têm até 3,5 anos de atividade —, 74% consideram a inteligência artificial prioridade digital para a operação.
O dado que dá peso ao primeiro é o de comparação: canais tradicionais de e-commerce e sites próprios foram citados como prioridade por 35%. Pela primeira vez a camada de ferramenta passa na frente da camada de canal na lista de quem está começando.
Outros números da mesma apresentação ajudam a situar: o WhatsApp é adotado por 94% dos empreendedores brasileiros e as mídias sociais, por 75%. Entre os iniciais, 73% projetam avanço na personalização do atendimento com IA. A maior intenção de uso está na faixa de 18 a 34 anos, com 84%.
A preocupação que vem junto
A pesquisa registra também o freio. Segurança e privacidade de dados são a principal fonte de preocupação para 51% dos empreendedores iniciais e 54% dos estabelecidos. E o Brasil aparece na 8ª posição global no ranking de países em que os empreendedores mais temem o aumento de custos operacionais e a complexidade técnica de implementar IA.
Esse par — adoção alta e desconfiança alta — descreve bem o estágio: a ferramenta entrou na rotina antes de a empresa ter política de uso, controle de dado de cliente ou critério de decisão sobre o que pode ou não ser processado fora de casa.
O que isso significa para quem toca um negócio
A leitura fácil é "todo mundo está usando IA, use também". A leitura útil é outra: a prioridade declarada mudou, a competência não. Quando 74% dizem que a IA é prioridade e metade diz que teme segurança e privacidade, o diferencial deixa de ser adotar e passa a ser adotar com controle.
Três perguntas separam uma coisa da outra, e nenhuma delas é sobre qual ferramenta usar:
- Que dado sai da empresa? Base de cliente, histórico de compra e conversa de atendimento são dado pessoal sob a LGPD, independentemente da ferramenta em que forem colados.
- Quem confere a saída? Texto gerado que vira preço, prazo ou promessa ao cliente precisa de revisão humana com nome e responsabilidade.
- O que melhorou, em número? Tempo de resposta, taxa de resolução no primeiro contato, custo por atendimento. Sem isso, a adoção é despesa com narrativa.
O recorte que quase ninguém está olhando
A mesma apresentação trouxe um segundo dado, menos citado e provavelmente mais estratégico: 16,5% dos empreendedores brasileiros têm 60 anos ou mais, segundo dados da PNAD do IBGE, e estimativas da GEM apontam quase 4 milhões de pessoas entre 65 e 74 anos empreendendo — 1,5 milhão em estágio inicial e 2,4 milhões já estabelecidos há mais de 3,5 anos. Cerca de 63% deles empreendem por oportunidade, e não por necessidade.
Um público que empreende por oportunidade, com renda e escolaridade acima da média, é ao mesmo tempo mercado e concorrência — e quase nenhuma estratégia de produto ou de conteúdo no Brasil está escrita para ele.
Para quem já opera com IA no comércio eletrônico, o recorte setorial está no nosso artigo sobre inteligência artificial no e-commerce brasileiro. Para quem está decidindo por onde começar a automatizar, vale o de automação e onde ela gera eficiência.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias — seminário Tendências do Empreendedorismo no Brasil (16/09/2026)
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