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Modo de consentimento do Google (Consent Mode v2): como ligar o banner de cookies às tags de anúncio e ao GA4
Em resumo
O modo de consentimento do Google, conhecido como Consent Mode v2, leva a escolha que o visitante faz no banner de cookies da loja virtual até as tags, os códigos de medição do Google Ads e do Google Analytics 4. Ele não cria o banner: recebe a resposta e ajusta o que esses códigos gravam e enviam. O ConnectWeek explica os quatro tipos de consentimento, as três formas de instalar e como testar a instalação.
O modo de consentimento do Google, que o mercado chama pelo nome em inglês, Consent Mode v2, é o recurso que leva a resposta dada pelo visitante no banner de cookies da loja virtual até as tags do Google. Tag é o trecho de código que a loja instala no site para medir visitas e vendas. O Google Ads, a plataforma de anúncios, tem a sua; o Google Analytics 4 (GA4), a ferramenta de medição de audiência, também. Cookie é o pequeno arquivo que o site grava no navegador do visitante para reconhecê-lo depois. Quando o visitante aceita ou recusa os cookies, as tags mudam de comportamento: gravam ou deixam de gravar cookies, enviam ou deixam de enviar dados pessoais para publicidade. Este texto trata da parte técnica. O que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) pede do banner em si está em banner de cookies: o que a LGPD exige.
O que o modo de consentimento faz e o que fica por conta da loja
A Ajuda do Google Ads afirma que o modo de consentimento não coloca banner nenhum no site. Ele se integra ao banner que a loja já tem, recebe a opção do visitante e adapta o funcionamento das tags que criam ou leem cookies, sejam elas do Google Ads, do Analytics ou de outras empresas.
A visão geral para desenvolvedores divide a gestão do consentimento em três tarefas. A primeira é saber se a pessoa autoriza ou não o armazenamento de informações sobre o comportamento dela, e o Google registra que obter essa autorização é responsabilidade do dono do site. A segunda é comunicar a escolha ao Google. A terceira é garantir que as tags se comportem de acordo com ela. Para as duas primeiras, a documentação indica uma plataforma de gestão de consentimento, conhecida pela sigla CMP, que é o serviço de terceiros que exibe o banner e guarda a resposta, ou uma solução feita pela própria loja. O modo de consentimento é o canal da segunda e o que atende à terceira.
Os quatro tipos de consentimento que o banner envia ao Google
A escolha do visitante chega às tags dividida em tipos de consentimento. Cada tipo recebe um de dois valores: granted, concedido, ou denied, negado. Os quatro que interessam a quem anuncia e mede estão na referência do modo de consentimento:
| Tipo de consentimento | O que autoriza, segundo o Google |
|---|---|
ad_storage | Armazenamento ligado à publicidade, como os cookies de anúncios |
ad_user_data | Envio ao Google de dados do usuário relacionados à publicidade |
ad_personalization | Veiculação de publicidade personalizada |
analytics_storage | Armazenamento ligado à análise de audiência, como os cookies que medem a duração da visita |
O “v2” do nome vem dos dois tipos do meio. O guia de configuração para sites informa que o modo de consentimento foi atualizado em novembro de 2023 e passou a incluir ad_user_data e ad_personalization. Quem já usava o recurso precisa enviar os dois novos além dos dois antigos. A referência acrescenta que os dois novos precisam estar concedidos para que a publicidade personalizada funcione nas plataformas de anúncios do Google. Existem ainda três tipos que o Google classifica como parâmetros de privacidade: functionality_storage, personalization_storage e security_storage, ligados a funções do site, a personalização de conteúdo e a segurança.
Para quem o Google exige o envio do consentimento
A exigência que o Google publica vale para a Europa. A página da Ajuda do Gerenciador de tags sobre as atualizações do modo de consentimento para o tráfego europeu trata do Espaço Econômico Europeu (EEE), bloco que inclui os países da União Europeia, e diz que o anunciante que mede o comportamento de um usuário do EEE com as tags do Google precisa transmitir ao Google as opções de consentimento dessa pessoa. A regra vem da Política de consentimento de usuários da União Europeia, mantida pela empresa, cujo texto alcança também os usuários do Reino Unido e da Suíça. A exigência vale ainda para quem usa os dados do Google Analytics dentro do Google Ads.
O mesmo texto separa as situações. Quem já usa o modo de consentimento e não veicula publicidade personalizada não precisa fazer nada. Um exemplo de publicidade personalizada é o remarketing, o anúncio exibido a quem já visitou a loja. Quem veicula esse tipo de anúncio precisa da versão com os quatro tipos de consentimento. Quem tem banner, mas impede o carregamento das tags até a pessoa interagir com ele, fica sujeito a perda de dados, porque o Google não consegue verificar as opções do visitante.
As páginas do Google consultadas para este artigo não trazem uma exigência equivalente para visitantes do Brasil. Para a loja brasileira que só vende no país, o que vale para o banner são a LGPD e as orientações da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), tratadas no artigo sobre o banner de cookies, citado no início. Lá está a distinção que o guia de cookies da ANPD faz: para os cookies de publicidade, o consentimento é a hipótese legal que o guia considera mais apropriada; para a medição de audiência, o guia admite o legítimo interesse em determinados contextos. O modo de consentimento entra como o meio de fazer as tags do Google obedecerem à resposta que esse banner colhe. Sem ele, na avaliação do ConnectWeek, a loja fica com duas saídas piores: deixar as tags gravarem cookies mesmo quando o visitante recusou, ou bloquear as tags por conta própria e ficar sem medir o começo da visita de quem só aceitou os cookies mais adiante.
Básico ou avançado: o que muda no que o Google recebe?
O modo de consentimento pode ser implementado de dois jeitos, o básico e o avançado, e a diferença está no momento em que as tags carregam. A Ajuda do Google Ads compara as duas:
| Ponto | Modo básico | Modo avançado |
|---|---|---|
| Carregamento das tags | Bloqueado até o visitante interagir com o banner | As tags carregam quando o site abre, com o consentimento negado por padrão, salvo configuração diferente |
| Dados enviados antes da resposta | Nenhum, nem o estado de consentimento | Enquanto o padrão for negado, o estado de consentimento e avisos sem cookies |
| Se o visitante recusa | Nada é transferido ao Google | As tags continuam sem gravar cookies e enviam só os avisos sem cookies |
| Estimativa de conversões no Google Ads | Modelo geral, menos detalhado | Modelo específico do anunciante, mais detalhado |
Os “avisos sem cookies” são o que a documentação chama de pings: pequenas mensagens que as tags mandam ao servidor do Google sem ler nem gravar cookie. Segundo a visão geral, eles podem levar a data e a hora, o tipo de navegador, o endereço de onde o visitante veio, um número aleatório gerado a cada carregamento e a indicação de que a página atual, ou uma anterior na mesma visita, trazia ou não informação de clique em anúncio. Podem levar também o estado de cada tipo de consentimento. Conversão, na última linha do quadro, é a ação que o anunciante quer medir, como a compra concluída.
Antes de decidir o método e os valores padrão, o guia para sites manda a loja conferir as diretrizes internas dela. No avançado, a loja envia ao Google mensagens sobre a visita de quem recusou os cookies. Elas vão sem cookies, mas, segundo a referência do modo de consentimento, o endereço completo da página segue junto e pode trazer o identificador do clique no anúncio. Na avaliação do ConnectWeek, essa decisão cabe a quem responde pela proteção de dados na empresa, junto com quem instala o código.
Três formas de instalar
Pela plataforma de gestão de consentimento. É o caminho com menos código. Na CMP certificada pelo Google, quem atualiza o recurso para a versão mais recente é o provedor, segundo a página do EEE, que orienta o anunciante a confirmar com ele se a versão em uso é a atual. Quem usa o banner de uma CMP certificada e ainda não ativou o modo de consentimento faz isso nas configurações do banner. A Ajuda do Gerenciador de tags acrescenta que, com um parceiro de CMP integrado, o banner e o modo de consentimento são configurados na interface da tag do Google.
Pelo Gerenciador de tags do Google. O Gerenciador de tags, ou Google Tag Manager, é o painel que reúne os códigos de medição do site em um só lugar. Ele tem três recursos para o consentimento. Antes, dois termos: contêiner é o conjunto de tags de um site dentro do Gerenciador, e acionador é a regra que define quando cada tag roda. O acionador “Inicialização de consentimento: todas as páginas” existe em todo contêiner da web e roda antes de qualquer outro; serve para a tag da CMP e para as que definem o estado padrão. Em cada tag, o caminho “Configurações avançadas > Configurações de consentimento” mostra as verificações que ela já faz sozinha e permite exigir consentimento adicional para que ela rode. A tela “Visão geral da permissão”, ativada nas configurações do contêiner, separa as tags com consentimento configurado das que ninguém revisou. Para quem quer manter o banner próprio, o guia para sites recomenda carregá-lo pelo contêiner, com um modelo do modo de consentimento, criado pela loja ou obtido na Galeria de modelos da comunidade. Quem ainda não usa o Gerenciador encontra a criação da conta, a instalação do contêiner e a primeira publicação em Google Tag Manager na loja virtual: o que é e a primeira configuração.
Direto no código, com a gtag.js. A gtag.js é a biblioteca que a tag do Google usa quando é colada diretamente nas páginas. Nesse caso, a loja acrescenta dois comandos. O gtag('consent', 'default', ...) define o estado padrão de cada tipo antes da resposta do visitante. O gtag('consent', 'update', ...) envia a escolha assim que ela é feita. O guia avisa que o código do modo de consentimento precisa estar em todas as páginas do site.
A ordem do código e os erros que o Google documenta
O guia de configuração avisa que, chamado fora de ordem, o padrão de consentimento não funciona. O comando default tem de vir acima de config, de event e de qualquer outro comando que mande dados de medição. O guia de solução de problemas descreve o que acontece quando ele chega tarde: o visitante abre a loja, a tag de anúncio roda e só depois o consentimento padrão é definido como negado. A tag já leu ou gravou um cookie. A correção indicada é mover o comando para o início do código, acima de todas as tags, e não definir o estado padrão de forma assíncrona, isto é, por um código que carrega em paralelo e sem momento certo para terminar.
Há outros três cuidados na documentação:
- Banner que carrega de forma assíncrona pode não rodar antes das tags. Para esse caso existe o parâmetro
wait_for_update, com um valor em milissegundos. No exemplo do Google, o valor 500 dá ao banner meio segundo para enviar a escolha antes de as tags rodarem. - O modo de consentimento não guarda a escolha. Cabe à loja mantê-la, por exemplo em um cookie próprio ou no armazenamento local do navegador, e repetir o comando
updatenas páginas seguintes, a cada carregamento. - A atualização tem de acontecer na mesma página em que o visitante responde, antes de ele seguir para outra. Quando o site carrega com consentimento negado e só recarrega com ele concedido, o guia avisa que as tags podem perder dados da primeira página. O exemplo é do Google Analytics: muitas sessões com consentimento podem ficar sem o
session_start, evento que marca o início da visita.
O visitante também pode mudar de ideia. O mesmo comando update serve para passar de concedido a negado, e o guia de solução de problemas pede que a loja confira se o banner consegue atualizar nos dois sentidos.
Padrão por região: onde negar antes da resposta
O estado padrão pode valer só para uma parte dos visitantes. O comando default aceita um parâmetro de região, e o exemplo do guia usa ES, da Espanha, e US-AK, do estado americano do Alasca. Quando dois comandos se sobrepõem, vence o da região mais específica. O Google recomenda limitar o padrão negado às regiões em que a loja mostra banner de consentimento, para não perder medição onde ele não é exibido ou não se aplica. A Ajuda do Google Analytics faz a mesma recomendação e lembra a contrapartida: definido um padrão para uma região, o banner precisa dar aos visitantes dela a opção de atualizar o consentimento.
Dois ajustes opcionais mudam o que as tags enviam quando o visitante recusa os cookies de publicidade. Com ads_data_redaction ativado, as tags do Google Ads e do Floodlight, outra tag de conversões do Google, encobrem os identificadores de clique em anúncio nas mensagens que enviam. Com url_passthrough, a informação do clique segue de um endereço para outro dentro do mesmo domínio, como parâmetro no endereço, já que não pode ser guardada em cookie.
Como conferir com o Assistente de tags
O Assistente de tags, ou Tag Assistant, é a ferramenta do Google que mostra o que as tags de um site fizeram durante uma visita de teste. O guia de solução de problemas informa que ele funciona em todos os navegadores e sugere o Chrome com a extensão Tag Assistant Companion. O roteiro para o site que usa a gtag.js, resumido aqui em cinco passos:
- Abrir o Assistente de tags e informar o endereço da loja. Ela abre em uma nova guia.
- Na loja, abrir o banner e aceitar todos os tipos de consentimento. Se o Assistente tiver mostrado a mensagem “Não foi possível conectar”, o motivo pode ser o bloqueio da tag do Google até o aceite; depois dele, o Assistente poderá se conectar.
- No Assistente, selecionar em “Resumo” o evento de consentimento mais antigo e ver, na seção “Chamada de API”, se os quatro tipos aparecem com o valor padrão:
ad_storage,ad_user_data,ad_personalizationeanalytics_storage. - Selecionar o evento de consentimento mais recente e conferir se os mesmos quatro foram atualizados depois da resposta dada no banner.
- Se houver padrão por região, repetir o teste simulando outras localizações no navegador.
A guia “Consentimento” vazia significa que o modo de consentimento não está implementado naquele endereço. Se o estado não muda depois do clique no banner, o guia manda verificar se o comando de atualização foi implementado. Com o modo implementado, o status aparece como ativo na guia “Diagnóstico de conversão”, segundo a página do EEE.
Quem testa a medição de vendas deve lembrar que, quando o visitante recusa os cookies do Google Analytics, os eventos deixam de aparecer no painel de depuração do GA4, como explica o artigo sobre eventos de compra no GA4.
O que aparece nos relatórios depois
O Google usa os avisos sem cookies para estimar as conversões que deixou de observar. A página “Sobre a estimativa de modo de consentimento” informa que as conversões estimadas entram na coluna “Conversões” do Google Ads, junto com as registradas, e alimentam as ferramentas de lances, que definem quanto a conta oferece por clique. Para isso a conta precisa cumprir duas verificações. A primeira é a implementação correta de um de dois mecanismos: o modo de consentimento ou o TCF v2.0, sigla do Transparency & Consent Framework, padrão de consentimento do setor de publicidade, do IAB. A segunda é um limite diário de 700 cliques em anúncios, apurado em sete dias, por país e por agrupamento de domínios; a página não detalha a conta. Loja pequena, com poucos cliques em anúncios por dia, pode ficar abaixo desse limite.
A mesma página registra que a probabilidade de conversão de quem deu consentimento é, normalmente, de duas a cinco vezes maior que a de quem não deu, com variação grande conforme a taxa de consentimento, o setor e o tipo de conversão. No exemplo que o Google apresenta, um anunciante com taxa de consentimento de 50% tem queda de 19% nas conversões medidas. Quanto ao prazo, a página “Sobre o modo de consentimento” diz que, depois de pelo menos sete dias completos de implementação, o Google Ads e o Google Analytics têm dados suficientes para informar o aumento atribuído ao modo de consentimento, e que o número só é exibido quando atinge um mínimo de dados.
O bloqueio total das tags tem um custo declarado. Segundo o guia de solução de problemas, quando a tag do Google só carrega depois da autorização, as conversões estimadas ficam menos exatas e a modelagem comportamental do GA4, o recurso que estima o comportamento de quem recusou os cookies de análise, fica indisponível.
Para as tags da Meta, o caminho é outro: a instalação e a conferência estão em Pixel da Meta e API de Conversões.
Fonte: Google for Developers
Perguntas frequentes
O que é o Consent Mode v2 do Google?
É a versão atual do modo de consentimento do Google, o recurso que informa às tags de anúncio e de medição do Google se o visitante autorizou ou não cada uso de cookies e de dados. Segundo o guia de configuração do Google, a atualização de novembro de 2023 acrescentou dois tipos de consentimento, ad_user_data e ad_personalization, aos dois que já existiam, ad_storage e analytics_storage.
O modo de consentimento substitui o banner de cookies?
Não. A Ajuda do Google Ads informa que o modo de consentimento não coloca banner no site. Ele recebe a opção que o visitante marcou no banner da loja e adapta o comportamento das tags. Obter o consentimento continua sendo tarefa do dono do site, com uma plataforma de gestão de consentimento ou com uma solução própria.
O que muda entre o modo de consentimento básico e o avançado?
No básico, as tags do Google ficam bloqueadas até o visitante interagir com o banner, e nada é enviado ao Google se ele recusar. No avançado, as tags carregam quando o site abre, com o consentimento negado por padrão, salvo configuração diferente, e enviam avisos sem cookies enquanto não houver aceite. A Ajuda do Google Ads informa que o avançado permite uma estimativa de conversões específica do anunciante; no básico, o modelo é geral.
A loja que só vende no Brasil é obrigada pelo Google a usar o Consent Mode v2?
A exigência que o Google publica trata dos usuários do Espaço Econômico Europeu, do Reino Unido e da Suíça: quem mede o comportamento deles com as tags do Google precisa transmitir as opções de consentimento. As páginas consultadas pelo ConnectWeek em 13 de outubro de 2026 não trazem regra equivalente para visitantes do Brasil. Para a loja brasileira, o que rege o banner é a LGPD, e o modo de consentimento é o meio de fazer as tags do Google seguirem a resposta dada nele.
Como saber se o modo de consentimento está funcionando no site?
O Google indica o Assistente de tags. A loja abre a ferramenta, informa o endereço do site, aceita os cookies no banner e confere dois eventos de consentimento: o mais antigo deve mostrar o estado padrão dos quatro tipos, e o mais recente, a atualização feita depois do clique. A guia Consentimento vazia indica que o modo de consentimento não foi implementado.

