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Planilhas com IA: o que já funciona no Excel e no Google Sheets para a pequena empresa

Em resumo
O que o Copilot no Excel e o Gemini no Google Sheets fazem em outubro de 2026, segundo as páginas oficiais: limpar dados, criar fórmula, resumir tabela e montar gráfico. Mostra o fim da função =COPILOT, os limites da =AI, os planos exigidos e três tarefas passo a passo com conferência.
Em resumo: nas páginas oficiais consultadas em outubro de 2026, o Excel e o Google Sheets já fazem quatro trabalhos de planilha com IA: padronizar dados bagunçados, escrever ou explicar fórmulas, resumir uma tabela e montar gráfico ou tabela dinâmica a partir de um pedido em português comum. O caminho muda de um para o outro. No Excel, tudo passa pelo painel do Copilot, porque a função =COPILOT, que existia só em versão de testes, deixou de funcionar em 14 de setembro de 2026. No Sheets, além do painel do Gemini, existe a função =AI, que escreve texto célula a célula. Os dois exigem um plano que inclua os recursos de IA, e o resultado precisa ser conferido antes de ir para qualquer decisão.
O que cada um oferece, segundo a página oficial
A tabela reúne só o que as páginas de ajuda da Microsoft e do Google diziam quando foram consultadas, em outubro de 2026. Os dois fabricantes mudam nomes, menus e planos com frequência; antes de contratar, confira na conta da empresa o que aparece de fato.
| Item | Excel com Copilot | Google Sheets com Gemini |
|---|---|---|
| Onde se pede | Painel do Copilot, aberto pelo ícone que, por padrão, fica no canto inferior direito do Excel | Painel lateral, pelo botão "Ask Gemini" no alto à direita, e a função =AI dentro da célula |
| Função na célula | Não há mais: a =COPILOT parou em 14/09/2026 | =AI (ou =Gemini), que escreve na célula a partir de um pedido |
| Limpeza de dados | Recurso Clean Data, na guia Dados: texto escrito de jeitos diferentes, número gravado como texto e espaço sobrando | Pedido no painel para preencher um intervalo ou aplicar formatação condicional, com prévia antes de aplicar |
| Fórmulas | Cria coluna de fórmula, sugere busca com PROCX e explica fórmula pronta | Gera a fórmula a partir da descrição e oferece "Fix" quando a célula mostra erro |
| Gráfico e tabela dinâmica | Nativos do Excel e ligados aos dados de origem | Gráfico vai para aba nova e não acompanha mudanças nos dados originais |
| Plano exigido | Licença qualificada; na empresa, atribuída pelo administrador | Plano do Workspace ou do Google AI elegível; as notas do Google citam Business Standard e Business Plus para a =AI |
| Onde o arquivo precisa estar | .xlsx, .xlsb ou .xlsm salvo no OneDrive ou no SharePoint | No próprio Sheets; a função =AI não gera conteúdo quando o arquivo é aberto por Box, Dropbox ou Egnyte |
Quanto custa cada licença, e como ela entra no orçamento junto com treinamento e tempo da equipe, está no artigo sobre o orçamento de IA da pequena empresa em 2026; este texto trata só do uso.
Excel: painel do Copilot e o fim da função =COPILOT
A página de introdução da Microsoft ao Copilot no Excel lista três condições: uma licença que dê direito ao recurso (entre as citadas estão planos pessoais e familiares com créditos de IA, o Microsoft 365 Premium, a assinatura comercial do Copilot e planos empresariais elegíveis ao Copilot Chat), um arquivo salvo no OneDrive ou no SharePoint e um formato compatível. Arquivo no formato Strict Open XML não funciona. Sobre o salvamento automático, as páginas da própria Microsoft divergem: uma diz que, desde a atualização de julho de 2026, ele pode ficar desligado; outras ainda o exigem. Mantê-lo ligado atende às duas versões.
No FAQ do Copilot no Excel, a Microsoft descreve o que o painel faz: gera fórmulas, cria gráficos e tabelas dinâmicas, aplica formatação, ordena, filtra e altera a pasta de trabalho a partir de um pedido escrito. Um detalhe prático: o Copilot não edita a planilha se o cálculo estiver em modo manual. O tutorial de acessibilidade da Microsoft informa limite de 2 milhões de células por tabela.
A função =COPILOT foi um teste. A página oficial da função informa que ela só esteve disponível nos programas Frontier e Microsoft 365 Insider e deixou de funcionar em 14 de setembro de 2026. Quem usou fica com os valores já calculados guardados na célula, mas qualquer recálculo devolve o erro #NAME?. A orientação do fabricante é levar o pedido para o painel: em vez de pôr a fórmula de classificação em cada célula, escrever no Copilot algo como "classifique o sentimento de cada comentário de B2 a B100 e ponha o resultado numa coluna nova". Como o painel não deixa fórmula, quem precisa repetir a tarefa todo mês deve colar o resultado como valor e anotar o pedido usado.
Google Sheets: painel do Gemini e a função =AI
O painel do Gemini no Sheets, segundo a ajuda do Google, mostra um resumo da planilha ao ser aberto, gera fórmula a partir da descrição (o botão Insert coloca a fórmula na célula escolhida), propõe correção quando a célula dá erro e cria gráfico, tabela dinâmica e formatação condicional. Toda edição chega antes como um cartão de prévia, que só vale depois de clicar em Apply. No celular, o Gemini analisa e sugere, mas não edita: formatar, inserir linha e criar tabela dinâmica só no computador.
A função =AI funciona dentro da célula, no formato =AI("pedido"; intervalo). Ela gera texto, resume, classifica e lê sentimento, e, segundo nota do Google de outubro de 2025, passou a consultar resultados da Busca para respostas atualizadas. Os limites estão na própria página de ajuda: a função não enxerga a planilha inteira nem outros arquivos do Drive, só o intervalo indicado; não dá para colocá-la dentro de um SE; não há desfazer, apenas gerar de novo; e, com muitas células selecionadas, só as primeiras 350 são geradas. Há também limites de uso de curto e de longo prazo, e quem esbarra no segundo espera até 24 horas. A nota de abril de 2026 sobre o "Fill with Gemini" avisou que o limite ampliado de promoção valeria até 15 de julho de 2026, com limite por usuário depois disso, e lista os planos Business Standard e Business Plus; o Business Starter não aparece nas notas consultadas.
Três tarefas passo a passo, com dados hipotéticos
Os exemplos abaixo são hipotéticos, criados para mostrar o método. Os pedidos funcionam nos dois programas, com ajustes de nome de menu.
Tarefa 1: padronizar uma lista de clientes
Uma loja hipotética exportou do sistema 1.200 clientes. Na coluna Cidade aparecem "São Paulo", "sao paulo" e "São Paulo " com espaço no fim; na coluna Total comprado, parte dos valores veio como texto.
- Antes de tudo, copie a aba original para outra aba ou outro arquivo. A Microsoft recomenda essa cópia na ajuda sobre remoção de duplicados, porque a exclusão é definitiva.
- Anote dois números de controle: quantidade de linhas e soma da coluna Total comprado (com SOMA).
- No Excel, transforme o intervalo em tabela e rode o Clean Data, que aponta texto inconsistente, número gravado como texto e espaços extras e funciona melhor com até 100 colunas e 50 mil linhas. No Sheets, peça ao Gemini: "padronize a coluna Cidade, tire espaços extras e converta Total comprado em número", e leia o cartão de prévia antes de aplicar.
- Duplicados à parte: destaque-os com formatação condicional e só então decida o que apagar. A comparação é feita pelo valor exibido, e a mesma data em dois formatos conta como valores diferentes.
- Confira: a soma do Total comprado tem de ser igual à anotada no passo 2, e o número de linhas só pode cair na quantidade de duplicados que você decidiu remover.
Tarefa 2: criar a coluna de margem
Uma planilha hipotética de produtos tem as colunas Preço (B) e Custo (C). O pedido: "crie uma coluna Margem com (preço menos custo) dividido pelo preço, em porcentagem".
- Leia a fórmula proposta antes de aceitar. Para a linha 2, o certo é =(B2-C2)/B2.
- Confira na mão duas linhas. Produto A, preço R$ 80 e custo R$ 50: (80 − 50) ÷ 80 = 37,5%. Produto B, preço R$ 120 e custo R$ 90: (120 − 90) ÷ 120 = 25%.
- Desconfie de resultado alto demais. Se o produto A aparecer com 60%, a fórmula dividiu pelo custo, (80 − 50) ÷ 50, e calculou o markup, não a margem. É o tipo de erro que deixa o número com cara de certo.
- Peça para a IA explicar a fórmula pronta. O tutorial da Microsoft recomenda conferir a fórmula, e não só o resultado, porque um total plausível pode estar somando o intervalo errado.
Para outras contas que a planilha já resolve sem IA, como separar clientes por recência e frequência, o passo a passo de segmentação RFM na planilha serve de gabarito para conferir o que a ferramenta devolver.
Tarefa 3: resumir as vendas do mês por canal e fazer o gráfico
Uma planilha hipotética tem uma linha por pedido de setembro de 2026, com as colunas Data, Canal e Valor. O pedido: "monte uma tabela dinâmica com o total por canal e a participação de cada um, e um gráfico de barras".
| Canal (exemplo hipotético) | Total no mês | Participação |
|---|---|---|
| Marketplace | R$ 26.100 | 50,2% |
| Loja própria | R$ 18.400 | 35,4% |
| R$ 7.500 | 14,4% | |
| Total | R$ 52.000 | 100% |
- Confira o total da tabela dinâmica com uma SOMA simples da coluna Valor: as duas contas têm de dar R$ 52.000.
- Veja se não sobrou canal escrito de dois jeitos ("Whatsapp" e "WhatsApp" viram duas linhas). Se sobrou, volte à tarefa 1.
- Saiba onde o gráfico mora. No Excel, segundo a Microsoft, o gráfico e a tabela dinâmica ficam ligados aos dados e se atualizam. No Sheets, o gráfico gerado pelo Gemini vai para uma aba nova e não acompanha mudanças nos dados originais: no mês seguinte, é preciso gerar de novo.
Se a ideia é acompanhar esses números toda semana, sem refazer o pedido, vale montar um painel gratuito de vendas por canal ligado ao Google Sheets, que se atualiza com a planilha.
Limites: fórmula errada, dado sensível e conferência
- A IA erra com segurança. A Microsoft afirma no FAQ que o conteúdo gerado pode estar incorreto, mesmo explicado em linguagem fluente, e o tutorial da empresa desaconselha usar só o Copilot em decisões financeiras, jurídicas ou médicas. Toda conta que vai para preço, folha ou imposto passa por conferência humana.
- A =AI serve para texto, não para conta. A ajuda do Google a apresenta para gerar texto, resumir, classificar e ler sentimento. Use-a para classificar comentários ou resumir descrições; para somar, contar e calcular margem, use fórmula comum.
- Resultado que muda. Pedido igual pode gerar resposta diferente em outro dia. Quando o resultado vira registro (classificação de reclamações do mês, por exemplo), cole como valor e guarde a data.
- Dado sensível e dado de cliente. Nos planos empresariais, os dois fabricantes dizem não usar o conteúdo para treinar os modelos: a Microsoft, para prompts, respostas e dados do Microsoft Graph; o Google, para o conteúdo do Workspace, salvo permissão. A conta pessoal segue outros termos. Isso não dispensa a LGPD: CPF, salário, dado de saúde e lista de clientes só entram em planilha com IA se a empresa tiver decidido que pode, como explica o texto sobre o que a equipe pode colar numa ferramenta de IA.
- Cópia antes de qualquer edição automática. A prévia do Gemini e o histórico de versões ajudam, mas a =AI não tem desfazer, e a remoção de duplicados é definitiva.
Antes de assinar: checklist de cinco perguntas
- A empresa trabalha mais no Excel ou no Sheets? A IA vem junto da suíte; trocar de suíte por causa dela traz um custo de migração que também entra na conta.
- O plano atual inclui o recurso? Confira no painel de administração, e não só na página de vendas, porque disponibilidade varia por país e por conta.
- Os arquivos estão na nuvem certa? Planilha no computador ou em disco de rede não usa o Copilot.
- Quem confere? Defina, para cada uso, quem revisa a fórmula ou o resumo antes de ele circular.
- Que dado entra? Registre na política de uso de IA da empresa quais planilhas podem ser abertas com a IA ligada.
Comece por aqui Novo no assunto? Leia primeiro inteligência artificial para pequenas empresas, o texto-base desta cobertura.
Fonte: Microsoft Support — Get started with Copilot in Excel
Perguntas frequentes
A função =COPILOT ainda funciona no Excel?
Não. Segundo a página oficial da Microsoft consultada em outubro de 2026, a função, que só existiu em versão de testes (programas Frontier e Microsoft 365 Insider), deixou de funcionar em 14 de setembro de 2026. Os valores já calculados ficam guardados, mas o recálculo devolve #NAME?. A Microsoft orienta fazer o mesmo pedido no painel do Copilot.
Qual plano do Google Workspace tem a função =AI no Sheets?
A ajuda do Google pede um plano do Workspace ou do Google AI elegível. As notas oficiais de outubro de 2025 e abril de 2026 citam Business Standard e Business Plus entre os planos empresariais; o Business Starter não aparece nelas. Confirme no painel de administração da sua conta.
Posso usar a =AI para somar ou calcular margem?
Não é o uso indicado. A página de ajuda do Google apresenta a função para gerar texto, resumir, classificar e ler sentimento, e informa que ela não entra dentro de um SE. Para contas, use fórmulas comuns, que o painel do Gemini pode escrever para você conferir.
Os dados da minha planilha treinam a IA da Microsoft ou do Google?
Nos planos empresariais, as páginas de privacidade consultadas em outubro de 2026 dizem que não: a Microsoft, para prompts, respostas e dados do Microsoft Graph; o Google, para o conteúdo do Workspace, salvo permissão. Contas pessoais seguem outros termos, e a LGPD continua valendo para dados de clientes e funcionários.
O gráfico criado pela IA se atualiza sozinho?
Depende do programa. A Microsoft diz que gráficos e tabelas dinâmicas criados pelo Copilot no Excel ficam ligados aos dados de origem. O Google informa que o gráfico gerado pelo Gemini no Sheets vai para uma aba nova e não acompanha mudanças nos dados originais.





