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Inflação de agosto e setembro: como repassar preço sem perder o cliente recorrente
Em resumo
O IPCA caiu 0,32% em agosto e a prévia de setembro, o IPCA-15, subiu 0,70%, segundo o IBGE. Para o lojista, o índice oficial é só o ponto de partida: o ConnectWeek mostra como medir a inflação do próprio custo, quanto repassar para manter a margem, quanta venda o reajuste pode perder sem prejuízo e como aplicar o aumento a quem compra todo mês.
Para repassar inflação sem perder o cliente recorrente, a loja deve reajustar pelo aumento do próprio custo, e não pelo índice oficial, testar o novo preço primeiro em quem ainda não é cliente e aplicar o aumento à base fiel com aviso, data e alguma contrapartida. O momento pede cuidado com a leitura dos números: o IPCA de agosto de 2026, divulgado pelo IBGE em 11 de setembro, foi de -0,32%, com 4,22% em 12 meses, mas a prévia de setembro, o IPCA-15 divulgado em 25 de setembro, subiu 0,70%. Quem olhou só a deflação de agosto pode ter adiado um reajuste que o custo já pedia.
O que a inflação de agosto e setembro mostra?
O resultado negativo de agosto veio concentrado. Pelos dados do SIDRA, o grupo Habitação recuou 1,87% e Transportes caiu 0,86%, enquanto Alimentação e bebidas teve queda de 0,34%. Outros grupos subiram no mesmo mês: Despesas pessoais avançou 1,30%, Artigos de residência 0,64% e Educação 0,47%. Uma loja de utilidades domésticas, por exemplo, não viveu deflação em agosto.
No IPCA-15 de setembro, o quadro virou. Habitação subiu 2,07%, Despesas pessoais 0,96%, Transportes 0,60%, Comunicação 0,54% e Alimentação e bebidas 0,40%. Em 12 meses, a prévia acumulou 4,47%, acima dos 4,22% do IPCA fechado de agosto. O IPCA também é replicado pelo Banco Central nas séries 433 (variação mensal) e 13522 (12 meses) do SGS, que mostram os mesmos -0,32% e 4,22% para agosto.
| Grupo | IPCA de agosto de 2026 | IPCA-15 de setembro de 2026 |
|---|---|---|
| Índice geral | -0,32% | 0,70% |
| Alimentação e bebidas | -0,34% | 0,40% |
| Habitação | -1,87% | 2,07% |
| Artigos de residência | 0,64% | 0,55% |
| Vestuário | 0,12% | 0,41% |
| Transportes | -0,86% | 0,60% |
| Saúde e cuidados pessoais | 0,23% | 0,13% |
| Despesas pessoais | 1,30% | 0,96% |
Para o ano, o mercado espera mais. A mediana do Relatório Focus de 28 de setembro de 2026 apontava IPCA de 4,99% em 2026 e 4,31% em 2027. É expectativa, não dado: serve para calibrar a conversa com fornecedor, que costuma usar a projeção para justificar reajuste de tabela.
Por que o índice oficial não deve ser a régua do seu reajuste?
O IPCA mede a cesta de consumo das famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. A loja não compra essa cesta. Ela compra mercadoria de poucos fornecedores, frete, embalagem, comissão de marketplace, mídia e folha. Cada um desses itens tem uma inflação própria, que pode ser o dobro do IPCA ou ficar perto de zero.
Por isso, o primeiro passo é montar o índice de custo da própria operação. Liste os cinco maiores componentes do custo por pedido, anote o valor de seis meses atrás e o de hoje, e pondere pela participação de cada um. Se mercadoria pesa 60% e subiu 6%, frete pesa 15% e subiu 10%, embalagem pesa 5% e ficou estável e o restante subiu 3%, a inflação da operação foi de cerca de 5,7%. É esse número que vai para a conta do preço. O IPCA entra depois, como termômetro do bolso do cliente.
Quanto repassar para manter a margem?
Há duas metas possíveis, e elas levam a reajustes diferentes. Num produto vendido a R$ 100, com custo de R$ 60 e margem de contribuição de R$ 40, suponha que o custo suba 5%, para R$ 63.
- Manter a margem em reais: o preço vai para R$ 103, alta de 3%. A loja continua ganhando R$ 40 por unidade, mas a margem percentual cai de 40% para 38,8%.
- Manter a margem percentual: o preço vai para R$ 105, alta de 5%. A margem por unidade sobe para R$ 42.
A segunda opção dá uma folga que a primeira não dá. Com R$ 42 por unidade, a loja empata com a situação anterior mesmo se vender cerca de 4,8% menos, porque 40 dividido por 42 é 0,952. Com R$ 40 por unidade, qualquer cliente perdido é prejuízo. Essa é a pergunta que decide o tamanho do repasse: a sua venda cai mais ou menos que 4,8% com um aumento de 5%? A resposta não está no IPCA, está no histórico da loja.
Como medir se o cliente aceita o novo preço?
A elasticidade se mede com teste, não com palpite. Três formas cabem na operação pequena:
- Teste por canal. Aplique o novo preço num canal, por exemplo no marketplace, e mantenha o antigo na loja própria por duas a três semanas. Compare a conversão, não só o volume, porque o tráfego varia.
- Teste por produto. Reajuste primeiro os itens em que você é mais competitivo e observe a resposta antes de mexer na curva A inteira.
- Teste em clientes novos. O cliente que ainda não comprou não tem preço de referência na memória. A reação dele mostra o preço de mercado; a do cliente antigo mostra o custo de mudar o combinado.
A calculadora de precificação do ConnectWeek ajuda a montar o preço por canal com as taxas de cada um, para que o teste compare preços que entregam a mesma margem.
Como reajustar para quem compra todo mês?
O cliente recorrente vale mais que o novo, e é ele que mais estranha o aumento, porque lembra do preço antigo. A forma de medir quanto ele vale está no artigo sobre recompra medida por coorte: se a coorte de clientes de seis meses atrás ainda compra na mesma frequência, ela é o ativo a proteger.
- Avise antes. Em assinatura ou contrato de fornecimento, informe o novo valor e a data de início com antecedência e dê a opção de cancelar antes da primeira cobrança reajustada.
- Dê uma janela. Um último pedido no preço antigo, ou o preço antigo por mais um ciclo para quem compra há mais de um ano, transforma o aumento em reconhecimento.
- Reajuste em degrau, não em rampa. Um aumento de 5% de uma vez é lembrado uma vez. Cinco aumentos de 1% viram assunto todo mês.
- Explique com o seu custo, não com o IPCA. Dizer que o frete subiu 10% é verificável e honesto. Citar a inflação oficial num mês em que ela foi negativa enfraquece o argumento.
Reduzir a embalagem é uma saída?
Trocar 500 gramas por 450 pelo mesmo preço é reajuste disfarçado, e o cliente recorrente costuma perceber. Além do risco de reputação, a mudança de quantidade precisa ser informada de forma clara na embalagem e no anúncio, conforme as regras de informação ao consumidor. Se a operação precisa de um produto menor, o caminho mais seguro é lançar a versão nova como outro item, com preço próprio, e deixar o cliente escolher.
O que olhar nos próximos meses
O IPCA fechado de setembro sai em outubro, na data do calendário do IBGE, e mostrará se a alta da prévia se confirmou. Até o Natal, a expectativa do mercado de inflação de serviços acima do índice geral (5,45% contra 4,99% em 2026, pelo Focus) e o crédito caro tendem a deixar o consumidor mais sensível a preço, o que torna o teste antes do reajuste ainda mais valioso. A regra de bolso é refazer o índice de custo da loja a cada trimestre e decidir o repasse com ele na mão, sem esperar o índice oficial confirmar o que a nota do fornecedor já mostrou. Quem revende importados tem um segundo índice para olhar, o dólar, tratado em câmbio e margem de importados.
Fonte: IBGE — IPCA, tabela 7060 do SIDRA
Perguntas frequentes
Qual foi a inflação de agosto de 2026?
O IPCA de agosto de 2026 foi de -0,32%, divulgado pelo IBGE em 11 de setembro. Em 12 meses, o índice acumulou 4,22%. A prévia de setembro, o IPCA-15, divulgada em 25 de setembro, subiu 0,70%, com 4,47% em 12 meses. O IPCA fechado de setembro sai em outubro.
Devo reajustar meus preços pelo IPCA?
O IPCA mede a cesta de consumo das famílias, não o custo da sua loja. O reajuste deve partir da variação do seu próprio custo, como mercadoria, frete, embalagem e comissões. O IPCA serve para saber quanto o cliente está sentindo de aumento no conjunto das compras dele.
Quanto posso aumentar o preço sem perder dinheiro se a venda cair?
Depende da margem. Num produto de R$ 100 com custo de R$ 60, se o custo sobe 5% e o preço sobe 5%, a margem por unidade vai de R$ 40 para R$ 42, e a loja empata mesmo vendendo cerca de 4,8% menos. Se o preço sobe só 3%, a margem por unidade volta a R$ 40 e qualquer queda de volume vira prejuízo.
Como avisar o cliente de assinatura sobre aumento de preço?
Com antecedência, por escrito e com o novo valor e a data em que passa a valer, dando ao cliente a chance de cancelar antes da primeira cobrança nova. As regras do contrato de assinatura e do Código de Defesa do Consumidor sobre informação clara valem para esse aviso; o texto do termo deve ser revisado antes da mudança.