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MarketingArtigoDados com fonte declarada

O cliente pergunta à IA antes de chegar à sua loja: o que a pesquisa da Worldpanel indica e o que ajustar

Mão segurando um celular com conversa de IA desfocada diante de uma prateleira de frascos de cosméticos sem rótulo

Em resumo

Pesquisa da Worldpanel by Numerator com 3.290 lares mostra que usuários de IA recorrem às ferramentas sobretudo para entender produtos, descobrir marcas e definir critérios antes de comprar, com saúde e beleza à frente de eletrônicos. O ConnectWeek lê os dados com as ressalvas da amostra e lista ajustes práticos para páginas de produto.

Durante anos, a jornada on-line começava numa caixa de busca ou num feed de rede social. Agora há mais uma porta: a conversa com um assistente de inteligência artificial. Uma pesquisa da Worldpanel by Numerator, divulgada no fim de setembro de 2026 e noticiada pelo E-Commerce Brasil, ajuda a medir o que as pessoas fazem nessa conversa — e o retrato é menos "robô que compra por mim" e mais "consultor que me ajuda a pensar".

Antes dos números, a régua

Vale começar pela metodologia, porque ela muda a leitura. A amostra foi de 3.290 domicílios, entrevistados em agosto de 2026, e o foco foi o uso de ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e Copilot. Os percentuais se referem a usuários de IA e a respostas, não à população inteira. Segundo a divulgação reproduzida pelo Portal AZ, a amostra tem mais participação de certas faixas de renda e não passou por ajuste estatístico para refletir a composição do país.

Em outras palavras: os dados são bons para entender comportamento de quem já usa IA, e ruins para estimar quantos brasileiros fazem isso.

Para que a IA está sendo usada

O uso predominante é de pesquisa, não de fechamento. A distribuição das respostas ficou assim:

  • buscar informação detalhada sobre produtos: 20,9%;
  • descobrir as melhores marcas: 17,8%;
  • entender quais critérios considerar: 17,2%;
  • achar melhor preço ou custo-benefício: 14,7%;
  • pedir recomendação: 14%;
  • comparar produtos: 13,7%.

Somados, os três primeiros itens passam de 55%. O consumidor usa a IA para montar o próprio critério de escolha antes de visitar qualquer loja. Quem chega à página de produto já vem com uma lista mental do que importa — e com marcas pré-selecionadas.

Saúde na frente, e isso diz algo

Por categoria, medicamentos e produtos de saúde lideram, com 11,7% das respostas, seguidos de beleza e cosméticos (9,2%), eletrônicos e tecnologia (9,1%), higiene e cuidados pessoais (8,1%) e roupas, calçados e acessórios (7,5%). Eletrodomésticos, alimentos e bebidas e limpeza também aparecem.

O padrão faz sentido: são categorias em que o comprador tem dúvida técnica (princípio ativo, composição, compatibilidade) e medo de errar. Onde a dúvida é grande, a conversa com a IA substitui a pergunta que antes ia para o balconista ou para o amigo que entende do assunto. Para saúde, vale lembrar que orientação sobre medicamento tem limites regulatórios e que a IA não substitui profissional habilitado — o que reforça a importância de a loja ter informação correta e verificável na página.

Diferenças por renda

O estudo encontrou variações entre classes. Nas classes DE, descobrir as melhores marcas responde por 20,1% das respostas, acima dos 17,2% da classe AB. Já comparar produtos pesa mais em AB (14,2%) do que em DE (12,2%), e a busca por custo-benefício cresce com a renda, de 13,4% para 15,1%. Uma leitura possível é que quem tem menos margem para errar usa a IA para achar uma marca confiável, enquanto quem compra mais usa para afinar a escolha entre opções já conhecidas.

Limites do fenômeno

Dois números esfriam o entusiasmo. Primeiro, 17,6% das respostas indicam que o usuário nunca recorreu à IA para apoiar uma compra. Segundo, 84,4% usam apenas versões gratuitas das ferramentas, com 5,6% combinando grátis e pago e 3,8% só pago. Ou seja, o hábito está concentrado em ferramentas de uso geral, e não em assistentes de compra especializados.

Seis ajustes para a sua página de produto

Se o cliente chega com critérios montados pela IA, a página precisa responder a esses critérios de forma clara — para ele e para as próprias ferramentas que leem a web. Algumas medidas práticas:

  1. Ficha técnica completa e própria. Medidas, composição, compatibilidade, validade. Descrição copiada do fabricante não diferencia sua página de outras cem.
  2. Critérios explicados. Um bloco "como escolher" que diga para quem o produto serve e para quem não serve responde exatamente ao uso de 17,2% dos entrevistados.
  3. Comparação honesta. Tabela simples entre os modelos da própria loja ajuda quem chega comparando.
  4. Perguntas frequentes reais. As dúvidas do atendimento viram texto na página, com resposta objetiva.
  5. Avaliações verificadas. Opinião de comprador real pesa na etapa de "descobrir a melhor marca". Nunca invente ou compre avaliação.
  6. Dados estruturados e site rápido. Marcação de produto, preço e disponibilidade facilita que buscadores e assistentes interpretem a página. O guia de SEO para e-commerce e o texto sobre erros de SEO técnico cobrem o básico.

"A mudança mais interessante não está apenas em pedir à IA uma recomendação sobre o que comprar. Os dados mostram que ela começa a participar da construção da própria decisão."

— Nathalia Gagetti, gerente sênior de Advanced Analytics & Usage da Worldpanel by Numerator

O que acompanhar nos próximos meses

O comportamento descrito pela pesquisa ainda é recente, e cada loja pode medir o efeito no próprio tráfego. Três sinais ajudam. O primeiro é a origem das visitas: ferramentas de análise já mostram acessos vindos de domínios de assistentes de IA, e vale criar um segmento para acompanhar volume, conversão e páginas de entrada. O segundo é o atendimento: perguntas que começam com "o ChatGPT me disse que..." indicam o que as ferramentas estão respondendo sobre o seu produto, às vezes com erro que a página pode corrigir. O terceiro é a busca pela marca: se a IA recomenda a loja, a procura pelo nome tende a crescer.

Um quarto sinal é interno: quanto tempo a equipe gasta respondendo, no chat, dúvidas que a página já deveria esclarecer. Se a pergunta se repete, a resposta vai para a página de produto — e passa a estar disponível também para quem pesquisa pela IA.

Também vale perguntar diretamente às ferramentas, de tempos em tempos, quais marcas e lojas elas indicam na sua categoria, e anotar a resposta. É uma medição artesanal, mas mostra se a informação pública sobre o negócio está completa e correta.

Onde isso se conecta

A pesquisa reforça uma tendência que o ConnectWeek vem acompanhando: a IA entra primeiro como ferramenta de pesquisa e só depois como canal de venda. O panorama sobre como a IA está mudando o e-commerce brasileiro trata do lado da operação. O lado do cliente, mostrado aqui, pede uma resposta mais simples e menos tecnológica: informação boa, bem organizada e verdadeira na página de produto.

Veja também: Conciliação de marketplace com apoio de IA: como localizar diferenças sem delegar o financeiro

Comece por aqui Novo no assunto? Leia primeiro inteligência artificial para pequenas empresas, o texto-base desta cobertura.

Fonte: E-Commerce Brasil

Perguntas frequentes

Em que categorias o consumidor mais usa IA para decidir compras?

Na pesquisa da Worldpanel by Numerator de agosto de 2026, medicamentos e saúde lideram (11,7% das respostas), seguidos de beleza e cosméticos (9,2%) e eletrônicos (9,1%).

A pesquisa representa todos os brasileiros?

Não. Ela ouviu 3.290 lares e, segundo a divulgação, a amostra tem maior participação de certas faixas de renda e não recebeu ajuste estatístico para refletir a população do país.

Como fazer a loja aparecer nas respostas da IA?

Não há garantia, mas páginas com informação técnica completa, critérios de escolha explicados, avaliações reais e dados estruturados facilitam que ferramentas de IA entendam e citem o produto.

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